quarta-feira, 2 de março de 2011

O ESTADO PORTUGUÊS NÃO É CAVACO, NEM SÓCRATES, NEM PARTIDOS POLÍTICOS

A uma população intelectualmente atrasada seguiu-se-lhe uma enorme vaga de gente instruída. Deveria ter-se observado uma outra espécie de comportamento global. Porém, isso não aconteceu. A Educação estatal procurou acabar com o analfabetismo nacional substituindo-o por uma nova cultura que imponha ao mundo um "homem novo" português. Dar-se um computador a um brutamontes sem o preparar para a sua utilização é um acto pouco inteligente. O que fizeram os governantes ou espécie disso que substituiram os salazaristas que tinham tomado o Estado quando foi preciso alterar a Lei de Bases do Sistema Educativo? Educação para todos! Está muito certo. Mas para educar bem precisa-se de bons educadores. Construiram-se centenas e centenas de estabelecimentos escolares. Faltavam pedagogos muito naturalmente. Os lugares de professores foram ocupados por gente pouco preparada e sem habilitação. Pessoas com o nono ano incompleto - antigo quinto ano dos liceus - chegaram a professores. As antigas universidades, que preparavam com certo rigor e que eram poucas, multiplicaram-se como bolor. E da mesma maneira com que se tapou os buracos no ensino pela falta de professores, as novas universidades arranjaram no tempo de um espirro doutores e sábios para ensinar. Imagine-se: ensinar futuros professores gente tecnica e pedagogicamente incapaz. Resultou deste destempero gerações e gerações de pobres diabos que perderam a noção do valor do desenvolvimento intelectual. Hoje, para substituir os verdadeiros intelectuais, surgiu no horizonte o tipo mediático. Expliquemo-nos. Fulano e fulano aparecem nas televisões e em caixas de notícias de revistas cor de rosa. Já está! Serve. Na semana seguinte nos seus cartões de visita lá está: Mediático/a da Lopes, Silva, Antunes, etc. Professor universitário. Mais, as universidades sentem-se mais prestigiadas com esses mediáticos, pois trazem nome, logo lucro. Mal entraram nas universidades começaram a distribuir doutoramentos à barda aos amigos. Depois agrupam-se como uma cadeia de mercearias. Já me esquecia que esses mediáticos até escrevem livros de grande êxito. Tendo por aliados os seus pares na comunicação social fácil é ver-se verdadeiros abortos catapultados para o mais alto vértice da pirâmide de onde os sábios e os velhos deuses do Olimpo se assentavam - salvo seja. O que aconteceu quando os antigos analfabetos foram obrigados a seguir esta espécie de labirinto de ensino? Aprenderam a ler e tão depressa o fizeram se ajeitaram nos empregos públicos. Coitados, não tinham outra saída. Resultado? Entulharam o Estado e seus serviços. O Estado passou a confundir-se com eles. Para fechar o circuito, o sistema democrático, que exige eleições, obriga-os a eleger os seus representantes. E quem são eles? Funcionários públicos de alta patente e que são escolhidos por repartições públicas que dão pelo nome de partidos. Não existem candidatos fora deste esquema? Existem. Uns são uma espécie de tolinhos bem intencionados, outros empurrados encapotadamente por partidos para baralhar ainda mais os pobres papalvos nos altos momentos da escolha daquilo que antigamente se dizia os nossos maiores. Compreende-se que não é fácil dar a volta a isto. Qualquer vitória sobre esta podridão será uma vitória à Pirro. Amanhemo-nos. A vida passa depressa e como dizia o anarca que fugiu logo atrás dos perseguidos salazaristas: o último que apague a luz.
PS: E o bom tempo que não chega. Queria ver se era dos primeiros a chegar ao Algarve e isso antes que chegue a marabunta pirosa que até tem casa permutada e que entope tudo por onde passa. Safa!
manuelmelobento

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