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quinta-feira, 24 de maio de 2018

Esta democracia consequência da ação de militares agiu de forma a que o povo se distanciasse cada vez mais daquilo que é a estrutura central da nação e que são as Forças Armadas

Basta pensarmos um pouco e  acabamos por ficar com a ideia de que as nossas Forças Armadas não vivem entre nós.  Notícias muito raras dizem-nos que há militares portugueses na República Centro Africana, no Afeganistão, lá para os lados dos Balcãs, Iraque, preparadas para ir até à Síria para combater o Estado Islâmico e mais uma série de locais que se designam secretos ou lá próximo. Numa pequena olhadela por coisas que dizem respeito às nossas Forças Armadas, detetamos uma notícia que realça a estranheza de um oficial superior ter achado esquisito  a não divulgação de uma missão militar com destino a África pelo Conselho Superior da Defesa Nacional. Divulgação de notícias do género eram frequentes por este Conselho. Estamos, pois, perante um distanciamento físico entre a população e as Forças Armadas. Será perigoso estar a Segurança Nacional  nas mãos de forças paramilitares, como sejam a GNR, as policias, as tropas especializadas em reprimir levantamentos populares - uma espécie de guarda-costas das eminências que hoje representam os interesses do Estado, infelizmente emparelhado com o empresariado -, e outras que não sabemos o que fazem? A Polícia Judiciária, por enquanto, está fora deste circulo devido à dispersão do crime que assentou arraiais entre nós e que parece incontrolável a quem esta polícia dedica a maior parte do seu tempo ativo. É perigoso, sim senhor, porque Portugal está à beira de prestar contas verdadeiras! Como estamos em festa devido à invasão turística, ao investimento chinês e a um período de austeridade travestida  de festa popular não damos conta de que bastará um mau ano para estarmos vis-a-vis com a bancarrota ou a estender a mão  aos empréstimos externos a que nos viciámos. Neste momento  -  e dizem os entendidos - a criação de riqueza dos portugueses não fica por cá; vai toda para fora da "fronteira". Naturalmente, não serão estes governantes-empresários que nos governam quem nos vai salvar do que aí vem como novo ciclo económico. Estamos a um passo de qualquer coisa muito séria. Sem Forças Armadas no terreno o país político ficará desequilibrado e à mercê dos que irão socorrer-se das forças policiais para se manterem no poder à custa de uma democracia de partidos que se colocam acima dos verdadeiros interesses nacionais. É isto que se teme. Somos, hoje, um país civilista, mas isso não impede que tenhamos umas Forças Armadas cá dentro, inteiramente cá dentro,  como campeões atentos  de um Estado que deve estar vocacionado para ser o intérprete de todo um povo que se quer unido. 

sábado, 5 de maio de 2018

Crimes de sangue não! Mas bandidos e corruptos são tão necessários como o pão nosso de cada dia.

Habituados a viver numa constante mentira tratada e veiculada pelo Estado e pela Igreja condenávamos o crime e os delitos que ambas  determinavam e indexavam . Diz uma destas instituições  que a propriedade  é sagrada. A outra que se deve amar o próximo como a nós mesmos. Na história dos Estados e das "Casas Religiosas" o que na realidade acontece é que são estes que assaltam a propriedade dos cidadãos. Fazem-no cobrando impostos, taxas, etc, a quem cria riqueza. Os que fogem ao pagamento, sendo apanhados, comem prisão e perdem o que possuem. No antigamente, esses impostos serviam para pagar banquetes, vícios e o deboche de uns quantos que até tinham à sua conta  guardas armados para melhor obrigar  camponeses e outras vítimas a ceder o fruto do seu trabalho. No decorrer dos tempos as vítimas às vezes revoltavam-se e saindo vitoriosas  obrigavam "os senhores" a dividir qualquer coisa do que pilhavam. E daí aparecem escolas, hospitais, etc. Tanto o Estado quanto a Igreja passavam a vida a punir quem os imitasse. Assaltar até podia dar forca e ousar amar o próximo longe da orientação divina dava para se arder que nem uma tocha viva depois morta. Saltemos: quando o Estado e a Igreja enfraquecem surgem organizações de criminosos não oficiais que criam muita riqueza que fica longe das garras delas o que lhes dá poder e permite depois infiltrarem-se naquelas duas instituições  passando a orientá-las e dirigi-las. Nada do que aqui escrevo é segredo. Olhemos para a Praça do Marquês de Pombal. Quem foi? Foi (a História o confirma e não eu) o testa-de-ferro de Dom José I que chefiou uma quadrilha oficial que para além de ter mandado matar opulentos  proprietários se apropriou dos seus bens.  Tem uma estátua e está acompanhado por um leão (naturalmente domesticado para o defender de outros quadrilheiros). Fizeram-lhe uma estátua, meu Deus querido! Deus trino, diga-se. É uma confusão que dava para se ser queimado que nem pão no forno se uma pessoa tivesse a insensatez de questionar tal trino disparate arengador da lógica natural que não a mística... Muitas estátuas comemoram gente diferente e são justa homenagem? Com certeza que sim! A dos mártires... vítimas daqueles, por exemplo. Saltemos: é preciso que o povo matute e que lhe abram os olhos para que perceba que há criminosos (não de sangue) que trabalham por sua conta e risco que são úteis à sociedade muito mais do que   os que estão instalados em instituições oficiais. Sem a atividade dos criminosos não oficiais a economia colapsa.  Uma coisa é certa: gente séria e trabalhadora (os idiotas) não podem, por exemplo, comprar apartamentos de luxo. Só quem rouba, assalta, trafica, vende a alma, negoceia com o pó de anjo, quem vende gato por lebre, quem corrompe e é corrompido, quem utiliza bancos como armadilha para caçar poupanças, etc, é que pode aspirar possuir coisas de sonho para burgueses. Para se construir um aglomerado de apartamentos de luxo são necessários operários. Operários que estão no terreno para os construir. Outros operários que trabalham nas estruturas metalúrgicas. Operários que trabalham na indústria vidreira (os apartamentos ficariam ao sabor do vento encanado sem vidros). Lojas de ferragens e outros utensílios para que um apartamento de luxo seja mesmo de luxo. Estas lojas dão emprego a muita gente. Que operários trabalham em tubagem? Que operários se especializam em instalações elétricas? E os operários que pintam? E os operários que trabalham nas limpezas, no lixo? E as cerrações que trabalham em boa madeira  para as portas das casas desses ricos? E o que os ricos pagam de luz, água e gás que alimentam outras tantas instituições que têm tantos operários e trabalhadores que por sua vez sonham com uma casita e um carrito? E casas e casas para sustentar os sonhos dos pelintras? Não serão necessários outros tantos operários para que sejam construídas? E os carros de luxo que exigem engenheiros e operários especializados para que se faça a diferença entre a plebe e o alto criminoso? E os correeiros  que tratam dos estofos de luxo para que suas excelência assentem os traseiros à altura dos seus teres e haveres? E as mulheres dos criminosos que frequentam as lojas da moda? E a indústria da moda que vive mantida com os milhões que os ricos suspeitos despendem para que as suas senhoras sirvam de petisco às revistas do coração que  por sua vez lhes relata as suas vidas opíparas que a plebe ignara compra para sonhar o que permite obter receitas para pagar a trabalhadores e "jornalistas"? E a alta prostituição que é caríssima, não são os altos criminosos quem a pode sustentar? Onde mulheres "dotadas", do tipo Vénus de Citereia, conseguem amealhar fortunas e com elas se permitem viver luxuosamente o que se traduz por investir em tantas áreas  que dão trabalho a imensa gente. É cabeleireiras, pedicuras, ginásios, bons restaurantes, passeios em iates, etc. Pode algum desgraçado, mesmo sendo ministro ou coisa equiparada, que só ganhe para comer e sobreviver higienicamente, fazer crescer a economia e dar trabalho a quem precisa? A resposta é não. Pelintra da nação  consome pouco e barato. Gente séria e poupada mata a economia. Depois de enumerar alguns aspetos (faltam muitos mais como a saúde para os tais  ricos, etc) há a acrescentar as vagas de emprego que os altos ricos do crime obrigam os Estados a colocar  em concurso. Centenas de magistrados, centenas de inspetores, centenas de polícias não fazem outra coisa senão perseguir o rasto do dinheiro dos altos ricos. E quando o descobrem lá vai o dinheiro para o Estado que fica com ele, o que é uma maravilha. Todos ganham, pois o dinheiro está sempre em movimento. Basta um porra-tonto exibir um par de sapatos italianos para que duas dúzias de magistrados, quarenta inspetores e uma centena de polícias comecem a vasculhar a sua vida privada. E se esse mesmo porra-tonto adquirir um topo de gama, lá vai o dobro de pesquisadores para o terreno. Isso é que é dar trabalho! Ora imagine-se que os magistrados, os inspetores e os polícias deste reino -  de um só duque - apanhavam e prendiam por muitos anos todos os altos ricos do crime? O que nos aconteceria? Era uma verdadeira desgraça. Fechavam os restaurantes de luxo, as cabeleireiras ficavam de pentes a abanar, a construção civil de luxo e médio luxo despedia os seus operários, as agências dos carros à altura dos grandes senhores do crime fechavam, os alfaiates à medida e as empresas da moda saiam da Avenida da Liberdade e procuravam reinstalar-se na Rua Maria Pia, a Felícia Cabrita ia lavar o chão da Procuradoria, os telejornais abririam com missas cantadas e dispensavam dezenas de palradores que ficavam sem pauta , o Fado voltava às tabernas, as mulheres em vez de serem semanalmente mortas pelos seus homens passavam só a ser sovadas lá de vez em quando por causa do respeito marital que anda pela rua da amargura, os motoristas dessa gente passavam a protetores da baixa prostituição sem ordenado fixo, haveria maior oferta no mesmo mercado e o Correio da Manhã sofreria uma quebra de anunciantes, o Partido Socialista fundia-se com o CDS, o Partido Comunista conseguiria uma maioria relativa na Assembleia da República, no Alentejo ninguém mais viveria descansado, a estátua de Salazar era reposta no Pátio do antigo SNI, o Cardeal Patriarca incitava os fiéis a doaram os seus bens à Igreja para alcançarem o céu e baixava o preço das Bulas, alguns ricos portugueses que tinham escapado ao furor  alexandrino tornavam-se fazendeiros no Brasil, os portugueses que trabalhavam em Angola seriam repatriados fazendo aumentar o número dos sem-abrigo, o Miguel Esteves Cardoso para sobreviver (fechavam-lhe a coluna) ponha-se a vender castanhas quentes à porta sul do Colombo, a Ponte Salazar/25 de Abril fechava ao trânsito, os trabalhadores da Carris nunca mais faziam greve, o Arménio Carlos estaria a fazer um doutoramento na Albânia depois de ter dado o salto, os médicos eram obrigados a repetir os exames do último ano do curso, a TAP passaria a voar apenas para as últimas possessões atlânticas, no Santuário de Fátima os milagres suceder-se-iam aos magotes, os pobres passariam a dirgir-se aos ricos de chapéu na mão, o Calcitrin passaria a ser vendido a prestações,  etc... enfim, espero que não matem a economia... e tudo por uma questão de sobrevivência e de moral. Isto é, ser corrupto ou mesmo bandido de crimes em que não haja derramamento de sangue é do interesse público. Querem que volte a repetir? 

quarta-feira, 2 de maio de 2018

O PS já está a arder enquanto Rio já tem palanquim de onde fala às massas

Ainda Rui Rio não tinha acabado de dizer que queria saber quem são  os cinquenta magníficos que conseguiram pôr a Caixa Geral dos Depósitos ou Banco do Estado de gatas  quando lhe  caiu no colo vindo  do céu o "Caso Pinho".  A Justiça Portuguesa está prestes a colocar o Partido Socialista  nas ruas da amargura tendo em conta o que saltou para a praça pública e que não tem volta a dar. Embora ainda não tenha havido uma prova física cabal que sirva para acusar e condenar o antigo primeiro ministro José Sócrates, o banqueiro Ricardo Salgado, o agora ex-ministro da Economia e outros figurantes, já caçados nas redes da opinião pública e não só, tudo indica que quem vai ser julgado e levado a tribunal é o Partido Socialista. Sintoma desse perigo iminente são as palavras assustadas de uma socialista de relevo, a senhora  Ana Gomes (creio que deputada no estrangeiro) que quer ver o PS limpo, expurgado e liberto de gente que se serviu do partido para meter ao bolso dinheiro dos contribuintes através de vários esquemas ilegais e que a Justiça persegue com furor alexandrino. Por mais que António Costa fuja a este clima de suspeição já o Partido que lidera não tem por onde se esconder e escapar. Semana após semana os "escândalos-socialistas" têm vindo a lume cirurgica. e democraticamente como que a obedecer a uma estratégia subtil. Recentemente os deputados socialistas foram alvo de uma sindicância abrangendo dinheiros de viagens recebidos de uma forma pouco ética. Também se meteu no mesmo saco questões de residência  e subsídios atribuídos irregularmente. O Partido Socialista está a ferro e fogo. Tem apanhado por todos os lados. O milagre Costa é de realçar nesta conjuntura. O Largo do Rato está a arder e nem é preciso Rui Rio atirar-lhe com mais gasolina porque segundo dizem há lá nas masmorras do palacete combustível de reserva suficiente que dá para continuar com o incêndio onde estão a arder coisas do Arco da Velha. Ao mesmo tempo que o PS está a arder ainda sem Costa, Rui Rio soma e segue. Imagem reforçada e discurso emparelhado com o sentir geral é o que está a dar.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Rui Rio isolado e a falar sozinho?

Todos os partidos e demais gente séria, ouvido o tiro de partida, deixaram-se ficar para trás. O único que se pôs a galgar o tapete e saltar as barreiras foi o recente eleito Presidente Social-Democrata Rui Rio. Rio deu por si sozinho quando chegou à meta. O que se passou? Já houve vários  tiros de partida que não deram em nada. O último diz respeito aos dinheiros desviados ou roubados da Caixa Geral dos Depósitos. Este assunto é demasiado importante porque se trata de dinheiros públicos, logo nosso. Ecos desse arranque nas pessoas dos empatas ao arranque à Rio?  "País de bananas governado por sacanas" foi a boca de dom Carlos I, antes de ter sido assassinado no Terreiro do Paço, tem para aí mais de cem anos. Bananas porque o que os políticos prometem, dizem e fazem é coisa que não queremos saber nem sequer nos passa pela cabeça chamá-los a capítulo. Depois, temos aprendido muito sobre a sacanagem de comportamentos dos nossos políticos. Muitos deles estão na política para enriquecer, tratar da vidinha, fazer da política uma profissão duradoira, assegurar o bem estar de familiares impingindo-os nos diversos setores estatais, etc. Rio, pelo tempo que já "gastou" na atividade  política, pode ser considerado um profissional. Apesar disso, é tido como homem sério. Eu acredito nisso porque ao querer punir os culpados pelo rombo a que foram sujeitos os dinheiros do Povo Português só demonstra fibra e carácter. O que aconteceu aos dinheiros públicos, uma vez provadas as falcatruas, pode dar origem ao desmoronar deste regime que está a cair de podre. Sintoma obviamente notado nos organismos do Estado que deviam ser  considerados sagrados tanto para os políticos como para o povo.. Milhares de portugueses perderam o emprego e os seus bens por causa de trafulhices económicas que estão a ser "estudadas" ao ralenti por inspetores de polícia, magistrados e juízes. A questão da Caixa está fora do alcance da Justiça e da Press por alguma razão. Acho que não se trata de um ex qualquer coisa, mas sim de dezenas e dezenas de figurões que se enformaram num organismo poderoso cujos tentáculos são capazes de chegar a todo o sítio. Gente grada demasiado comprometida está com medo de ser apanhada com a boca na botija? Gente que está escondida em partidos e os influenciam a ponto de mandar parar as investigações que denunciam crimes públicos? Os magistrados estão dormindo ou já não lêem as denúncias bem expressas nos órgãos de comunicação social sobre tal atentado ao Estado de Direito? Se corre alguma investigação secreta, já me desculpo e calo. Acontece que há atas das reuniões dos tais conselhos de administração que podem ser consultadas e que não podem ser excluídas de qualquer investigação. Onde estão as "folhas" secretas com a descriminação de todas as "deslocações de fundos". Quem as guarda comete obstruçã à Justiça?  Depois há que seguir o percurso do dinheiro que é coisa fácil nos dias de hoje. Apesar de levar o seu tempo os inspetores chegam lá ao sítio certo, mais a mais ajudados por leis internacionais que apoiam o ataque à fuga de capitais, corrupção, etc. Será que o Estado Português através do seu banco meteu dinheiro em offshores? Será que a Caixa e a sua administração usou as offshores sem que o Estado Português tivesse conhecimento de tais comportamentos? São perguntas que qualquer português tem o direito de fazer já que são constituídos contribuintes muitas vezes contra a sua própria vontade. Será que Rui Rio já desistiu de uma das suas mais importantes bandeiras ou causas? A aproximação ao PS o que quer dizer nas entrelinhas? Rio ainda não foi totalmente aceite no PSD como seu presidente. Ainda ontem o seu líder de bancada expressou-se contra a sua orientação política. Rio para levar avante o seu projeto para Portugal tem de imitar Dom João I. Foi eleito Rei de Portugal por unanimidade. Como é que o conseguiu? Olhe, os membros amicíssimos  das três classes sociais  que o elegeram foram escolhidos a dedo  pelo seu fiel amigo dr. João das Regras.  Depois tornou-se o indiscutível eleito-Rei.  Ou Rio corre com os adversários internos calando-os (expulsando-os) para sempre ou sujeita-se a desaforos constantes que estão a levar ao desmonte  do que Sá Carneiro, Cavaco Silva e Durão Barroso construíram e que  caracteriza a social-democracia portuguesa. Se não atuar com génio e garra não passará de uma imitação de António José Seguro sujeito a um qualquer empurrão que o enviará de comboio para o Porto em segunda classe. Força Rio! 

NB:  A velha nobreza fugiu para Castela e dom João apressou-se a criar uma nova. A chamada nobreza cagada. Cagada ou não foi com ela que a Dinastia de Avis se aguentou até 1580.

sábado, 14 de abril de 2018

O politicídio de António José Seguro e suas consequências nacionais

António José Seguro foi, após a queda do socialismo à portuguesa em junho de 2011, uma espécie de espiche a ser utilizado  num tonel esburacado.  Perante o desnorte dos socialistas, no recontro com o renovado, juvenil e vencedor Partido Social Democrata, chefiado pelo sofisticado Pedro Passos Coelho, homem de palavra escorreita-burguesa e de uma finura de trato nunca utilizada por anteriores líderes partidários, usualmente dados a exageros de linguagem e de comportamentos, ninguém dos nomes sonantes do PS se predispôs a encabeçá-lo no putativo deserto que esperava a elite socialista.  Todos recolhidos que nem crias de chita por medo a leões das proximidades que aí vinha tempo para queimar aspirantes à cadeira do poder. O esperançoso Seguro - a quem coube substituir José Sócrates por via de eleições internas -  foi-se queimando a lume brando e numa de Javé (YHWH) acautelado ia dizendo: qual é a pressa em quererem-me estorricado qual bacorinho da Mealhada?  A partir de certa altura e perante a ineficácia da direção do Partido Socialista (que diga-se pouco poderia ter feito mercê da maioria parlamentar da direita PSD/CDS), os Grandes do Rato, cheios de saudades da cadeira do poder e da necessidade de orientar e dominar os dinheiros públicos, deram início a uma campanha que tinha por objetivo  infantilizar António José Seguro pois queriam-no mais mordedor. Quem, na altura, estaria apto a derrubar o seu último eleito Secretário Geral e dar início ao combate político senior? António Costa nem mais! Estava a fazer um ótimo trabalho na pluripartidária Câmara de Lisboa. Era uma espécie de Dom João II, mas sem adagas. Costa era o único cérebro a dar a cara por um PS sequioso de estatuto que não o de oposição. O PS na oposição coça-se muito. É muita comichão para peles tão delicadas. Aquele monarca tratou ele mesmo da saúde do cunhado de uma forma violenta. Tudo em nome da centralização do poder e do Estado - que ainda o não era (julgo eu que não estava lá). Costa sente ou empurram-no para se fazer sentir PP (Príncipe Perfeito). Onde está o seu Diogo (Duque de Viseu)? E num golpe à la Gardère, corrijo, enfia-lhe  um bate-papo atordoador e lá foi Seguro pregar para a universidade dos políticos. Disse-me a  Tia Margarida Antónia, que adora falar mal, que foi a partir daí e até hoje a única vitória  obtida por António Costa. E que a  seguir ao politicídio de Seguro  nunca mais ganhou nada. De facto não precisa ganhar seja o que for pois é tudo lucro. Nunca um líder político esteve tão sozinho de responsabilidades quanto Costa. Está ali a ver a moda passar e a distribuir azares a este e àquele. Dividir para reinar! Todos os que o rodeiam não passam de assessores. Centeno é o seu principal assessor. É o ilusionista  das finanças. Vieira da Silva das esmolas. O assessor dos incêndios que foi substituir a senhora dona Urbano tem cá uma  lata enferrujada  de todo o tamanho. É tecnicamente um bombeiro ao serviço das palavras quentes. Incêndios, o que é isso? O Presidente Marcelo, embora ainda não se tenha tornado assessor, é o espelho de que tudo vai bem no governo.  Costa deixou Marcelo ser uma espécie de vice-primeiro-ministro ambulante. Quem vê um vê o outro. O prof. Marcelo não para. É uma espécie de Mário Soares viajante. Está aqui está a cavalgar a tartaruga das Seychelles. Leva a simpatia portuguesa para todo o mundo. Onde está? Ontem, diziam-me que se encontrava no Egito. Com as pirâmides   ao fundo, qual Napoleão ei-lo numa de querer arqueólogos nacionais a escavacar as areias do Vale dos Reis. Portugal está a crescer, e Costa? Neste momento foge do Bloco que o está a chatear por causa de uns dinheiros que ele não quer distribuir. Só falta a Costa deixar o PCP a berrar sozinho para se pôr ao lado de Marcelo, ambos soltos cheios de afetos para dar. É que as eleições estão aí estão à porta. Mas Marcelo não tem nada a ver com elas! Mas tem Costa e nada como uma campanha barata à custa de uma colagem a Marcelo. É só sorrir a seu lado que os votos saberão onde entrar. 

domingo, 8 de abril de 2018

O Português é Hispânico; espanhol? (1)

Com o fim do nacionalismo oficial do Estado Novo, acabou uma certa fraseologia muito circunscrita à nossa realidade imperial, herança  dos antepassados,  comerciantes-aventureiros, sedentos de tesouros, de marfim, especiarias, escravos, etc.  Ficámos reduzidos - depois de perdidas dezenas de milhar de quilómetros quadrados de possessões  - a uma faixa ocidental da Península Ibérica ou Hispânica. O que é isso de iberismo? Pergunta perigosa e muito vigiada outrora pela Polícia Política. Agora já a podemos formular. Quer dizer muitas coisas, por exemplo, a fusão de todos os Estados  ibéricos  a todos os níveis. Salvo seja! Porém, havia e há quem por esta opção abra a mão. Como eu nasci em  plena vigência do Estado Novo, e por este fui infetado, doer-me-ia muito ver-me fundido a Espanha. Salvo seja! Mas, já agora que vivemos em democracia surgida depois da bandalheira dos esquerdistas paridos pela Revolução dos Cravos que terminou no 25 de Novembro de 1975, falar pode-se. (Bandalhos que entravam dentro das casas de civis a altas horas da noite para os prender...) Bem, não é por aí que quero ir, mas sim pela questão de livremente levantar questões de todas as maneiras e feitios. Na Península Ibérica existem várias nações. Entre elas a Nação Portuguesa. a Nação Catalã, a Nação Andaluza, a Nação Basca, a Nação Castelhana, a Nação Galega... Um livro escrito pelo antigo Presidente Mário Soares, falava explicitamente em cinco nações. Destas nações aqui referidas, "parece-me" que há duas que são países independentes: Portugal e Castela ou Espanha. A Espanha subjugou todas as outras nações umas vezes a bem, outras a mal e outras através de casamentos reais. No entanto, estas nações possuem uma assembleia legislativa e um governo próprio. Cantoria própria e bandeirinha.  A Única que fixei foi a da Catalunha. Por acaso bonita. Esses nacionais votam e elegem os seus representantes. Tal qual como nós, só que, calma aí, não são países independentes na medida em que não têm representação internacional. A sua diplomacia é engendrada pelo Governo Central. Não há Ministro dos Negócios Estrangeiros. Não têm também Forças Armadas. Nós sim, mas claro já não podemos declarar guerra a possíveis inimigos porque agora quem manda na gente é a UE. Por exemplo, hoje, soubemos que um soldado nosso foi ferido no Cu de Judas (coisas do Lobo Antunes, escritor). Calma, que segundo o Presidente da Nação Portuguesa, ele está bem de saúde. Não passou de um susto! Uf, ainda bem! Quer dizer, ao contrário das outras nações quem manda cá dentro somos nós! Nada de engasgos. Claro, por exemplo, no que diz respeito a fornecimento de  águas, são os espanhóis que nos dizem como nos devemos comportar. Por exemplo, na questão da energia nuclear são eles que põem e dispõem. Claro que a compramos a eles! Qualquer coisa de restos químicos (lixo tóxico?) próximo da fronteira - em que eles não nos ligaram patavina - ficaram onde eles o determinaram. Até para entrarmos na União Europeia tivemos de ir de mão dada com eles. Senão estávamos ainda na lista de espera.  Na questão da Catalunha, a nossa diplomacia portou-se à altura dos rastejantes. Pudera, não? Nós crescemos em diversos setores económicos, a Espanha também. Melhor dizendo, nós crescemos quando ela cresce. O contrário é o mesmo e mais forte. Estaremos perigosamente hispânicos? É por isso que no grosso do mundo nos confundem, que julgam que isto aqui  é Espanha. E o nosso Ronaldo que é o que é hoje Portugal; imagem para o Mundo? Coloquem-se duas fotos lado a lado. Uma representa o mapa de Portugal. A outra Ronaldo. Até a freira mais virgem gritaria: Ronaldo/Real Madrid.   Joga no Real Madrid! Madrid capital de Espanha. Eh pá, isto é tudo Espanha!!! Real Madrid-Ronaldo ganham tudo! Upa! E a nossa política contra o que fazem aos animais? Que maldade é essa de picar touros? O Partido dos Animais nada pode coitado. Terá de esperar que acabem as touradas em Espanha... Claro que nós do nosso quintal vemos o mundo ao contrário dos outros.  E pior do que tudo nos tornámos imitadores de um real cada vez mais longe. Se tivéssemos uma cultura sólida não caminhávamos na corda bamba. Que fazer? Potenciarmos a capacidade para denunciar a mediocridade e expulsá-la através dos meios ao nosso alcance. E quanto à  inveja característica ingénita do ruralismo ancestral? Eh pá, já é tempo de a Igreja dar uma mãozinha.

(1) - in Dicionário Priberam: hispânico. adj. Relativo à Hispânia; espanhol. Cons. net.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

A Cultura e a padinha do costume e o inocente Poeta Ficcionista Luís Castro Mendes

O Teatro espicha, a Música atrofia, a Dança espreme-se, as Livrarias afogam-se, Os Jornais liofilizam-se, as Revistas  esboroam-se,   a Pintura apadrinha-se, a Escultura esmifra. Refiro-me a áreas de Cultura como sendo a rigorosa raiz de desenvolvimento. Outros aspetos culturais como sejam revistas do coração, jornais de escândalos, etc.não são para aqui chamados dado que são derivados comerciais a que não faltam as clientelas pagantes. As despesas para a CULTURA que o Estado tem obrigação de cobrir não podem estar nas mãos decisórias de políticos cuja orientação obedece a diretórios partidarizados e cuja finalidade é ganhar eleições.  Trocando por miúdos, isto é, ou se "cultiva" um povo secularmente imbecializado  ou se entrega o mesmo povo às garras exploratórias dos grandes grupos empresariais  que assentaram arraiais entre nós e que aos poucos dominam os governantes que escolhemos (enganados ou não) através do voto livremente expresso nas urnas. Não há outra solução, ou regressamos à Folha de Parra, vestimenta cultural atrófica que se manteve nos nossos "corpos" até abril 1974, ou nos revoltamos - através dos meios pacíficos que estão ao nosso alcance - contra a analfabetização  que este e outros governos nos impuseram em cumplicidade com gente que só entende de economia de lucro. O atual Ministro da Cultura não tem estaleca para enfrentar o próximo desaire intelectual  que se adivinha.  Deve pôr  o  cargo à disposição do Primeiro-Ministro António Costa se o governo não lhe oferecer as condições necessárias  para acudir à putativa morte do Mundo da Arte Português sob pena de vir a fazer o papel que a inocente Constança Urbano de Sousa teve perante o Portugal ardido. Como ela, o senhor Luís Castro Mendes vai pagar a fatura da ignorância ingénita nacional e tudo porque estavam no local errado e na hora errada dos acontecimentos