quinta-feira, 1 de março de 2012

nasci na porra de um regime de ordem religiosa militar

esta foto é de 1945. ponta delgada-açores.
em casa de meus pais só faltava marchar e rezar fora do horário oficial das rezas.
meu pai foi militar português até aos meus sete anos de idade. minha mãe foi sempre muito religiosa. era sobrinha do ouvidor da matriz da cidade onde nasci. um padreca que escreveu uma coisas e parece que era maçónico. descoberta feita por um antigo director de um órgão de comunicação social casado com uma parente de minha mãe. fui obrigado a rezar ainda antes de ser essência e o sartre andar a papaguear existência longe da frança. e, também, a chupar com o deus dos judeus que se ocidentalizou e veio descaradamente substituir os velhos deuses celtas de boa memória pois eram pródigos na libertinagem. ai que bom! mal comparando, era uma espécie de ordem religiosa e militar o meu ambiente doméstico. de manhã, rezava-se em casa (mais tarde acumulava-se na escola e não eram consideradas horas extras o tempo das rezas. era o pacote da altura). à noite, outra vez de joelhos em frente ao minúsculo altar onde pontificava a sagrada família entre outros objectos que levavam muitos beijos. só mais tarde é que vim a perceber onde estava o sagrado: o pai do filho não era pai dele. só a mãe era de verdade mãe. o filho era deus e filho deste ao mesmo tempo. a mãe não podia dormir com o que se dizia ser pai da criança porque - imaginem - ela era virgem. muita bofetada levei porque nunca consegui entender este atentado à logica do sexto e sétimos anos do secundário esticados pelos anos de filosofia da faculdade cheio de grandes pensadores fidelistas. era cada fédon que leccionava a disciplina que mais parecia ter acabado de sair da mitológica caverna do que de um convento. como vestiam à civil só mais tarde vim a saber tratar-se de intermediários directos do divino. até hoje estou por perceber como é que um pobre diabo meio louco (mas também visionário) e que gostava muito de mulheres conseguiu ressuscitar e subir muito para cima da torre do galileo. ah, estava a esquecer que ele é deus (reconhecido 4 séculos depois pelos notários de trento). tá bem, sendo assim, pode voar de graça. voltemos aos anos quarenta do século passado. não sei como, não entrámos na segunda guerra. eu creio que não havia dinheiro e o mestre doutor salazar aproveitou em seu favor o facto de se apregoar ter sido ele quem nos livrou daquele horror. mas mesmo assim enviou trinta mil homens para os açores. era tropa por tudo que era sítio. eu ainda me lembro de ver soldados e cavalos. meu pai montava uma égua castanha muito nervosa. se calhar era dos nervos e por ter medo de ir enfrentar o grande exército alemão. foda-se! escapámos de boa. e a pobre grécia que foi invadida pelas botas do hitler e que claudicou violada como uma fêmea com cio?... claro que muitos homens de fora nos açores ia dar merda. e deu. o português bem falante, magro/moreno de dieta forçada e elegante contrastava com o açoriano de são miguel que era a puxar para o baixo e vivo à base de inhame, amido, couve aferventada e pouco dado a faladuras. também, diga-se que o regionalismo dos coriscos não ajuda muito pró engate. falamos um português com boca de francês quando faz sexo oral. quer dizer: percebe-se muito pouco aquele tipo de grunhido antropomórfico. as mulheres açorianas são sensíveis a uma boa prosápia. são também filhas do deus. bem, crias foram muitas o que renovou imenso o sangue dos ilhéus. houve pancadaria de criar bicho por causa dos ciúmes indígenas. uma vez ia acontecendo mortes. lembro-me de ter ouvido uns tiros e meu pai ter-me dito que um alferes tinha sido ferido. a arma disparou-se. bem, e ainda o solnado não dissertara sobre a guerra. o tesão além de ser uma coisa divina tem muita força. alturas houve em que se esperou uma invasão germânica. luzes apagadas! os faróis dos carros tinham uma espécie de papel higiénico furado para não serem detectados pela aviação inimiga. agora assim considerada pois sabe-se que o sacana do salazar era todo germanófilo e foi obrigado a apoiar as democracias. sabia o velho sábio que a democracia correria com ele do poder e que a igreja levaria um chuto no cu como no tempo do carrasco afonso costa, o inimigo número um dos grevistas e da igreja de roma por cá estabelecida. porém, os aliados que não deixavam de ser uns bons filhos de puta tendo à cabeça o bêbedo e impotente do churchill permitiram e auxiliaram que a ditadura fascista permanecesse e perseguisse todos os democratas portugueses por seu próprio interesse: não queriam que houvesse desestabilização política na europa. e, assim, deixaram que os fascistas permanecessem no poder oprimindo o povo. eh pá, foda-se! até a guarda nacional republicana fazia fogo de bala contra camponeses que reclamavam ganhar mais um escudo por dia para poderem matar a fome. têm no seu curriculum a morte de mulheres grávidas. chefiavam - essas forças de repressão - militares que tinham escapado à guerra. portugal foi, em certo sentido, uma espécie de síria novilatina. imagine-se o que os aliados deixaram que aqui se fizesse: um rapaz estudante num café deu vivas à liberdade. apanhou 3 anos de cadeia. é mentira? pois leiam quais os motivos pelos quais fora criada a amnistia internacional e vão ver este caso na sua origem. bem, vou tentar dar a volta ao texto pois está difícil uma vez que optei por este tipo de descrição (a)domesticada. depois da segundo guerra houve muita fome por todo o portugal, açores incluídos. rapou-se muita fome por esssas aldeias. as famílias dos portugueses eram muito numerosas. eles faziam sexo sem planeamento porque a padralhada lhes metia na cabeça que iam para o inferno se só procurassem prazer. havia que procriar mão-de-obra para o cultivo da terra que não lhes pertencia. a maioria não retirava com o fruto do seu trabalho escravo (o suor era de sol a sol) proventos que desse para alimentar as crias. era tanta a maldade e ganância dos que tudo tinham e possuiam que metia dó. até 1974 a vida foi dura para quem nada tinha. o futuro era coisa desconhecida. também, quem queria pensá-lo com a barriga vazia no presente. termino já. um dia um desgraçado foi roubar à noite bananas para alimentar dez mamíferos. não voltou nunca mais a casa. levou com balázio. sem poder roubar, sem trabalho e sem poder emigrar que vida da porra. não podiam emigrar porque os donos das terras exigiam ao poder político mão-de-obra barata não permitindo que fossem viajar (?) com passaporte. por outro lado não tinham trabalho. o desespero era tanto para emigrar que uns até construíam barquitos (manuel ferreira, o barco e o sonho) e atiravam-se mar adentro ensombrando os feitos de cabrais, gamas e dias. quase trinta dias no meio do mar à espera de uma salvação ou milagre, no seu dizer. outros. e isto é mais grave. tive conhecimento do que se passava ainda não há muito tempo através do historiador professor rainer daenhardt director do museu luso-alemão. (a minha ignorância...) a 15 kilómetros de onde moro existe um local que se chama ponta da galera. o que se passava aqui? os micaelenses desesperados pela falta de trabalho e pela fome atiravam-se mar dentro e a nado procuravam ser repescados pelos grandes navios que se dirigiam para a américa. calculavam o tempo que aqueles passariam pela ponta da galera e toca a mergulhar. os que conseguiam ser vistos salvavam-se. os outros? bem, conclua o leitor. dedico este texto a um filósofo de esquerda com quem tenho divagado burguesmente questões de que todos têm responsabilidade.
afonso gonçalves: daqui um abraço.
a temperatura está a 18 graus e o sol descaradamente a bater-se às miúdas na tentativa de as descascar muito antes do verão.
varett

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

a banca, o tráfico, a bola e a padralhada estão isentas do rigor da dupla gaspar/passos

hoje, lá estivemos parados no tempo outra vez. e tudo porquê? o senhor ministro das finanças entendeu fazer folga ao trabalho para falar directamente ao povo. povo trabalhador? não, que este está ainda a trabalhar. falou para o resto: os chulos, os reformados, os baixistas na doença, os idosos, os desempregados (um milhão ou à volta disso) e todos os golpistas que nos ajudam a empurrar para a desgraça. medidas de rigor para este e para aquele. note-se que as medidas regularizadoras só recaem nos trabalhadores e reformados (os que trabalharam e descontaram mensalmente o que lhes era imposto pelo estado-pessoa-de-bem). à economia paralela que faz girar ilegalmente biliões de euros para a bolsa dos mafiosos e aparentados, aquela boca esteve sempre calada. numa sociedade democrática como a que se quer impor entre nós, ainda falta afrontar uns quantos privilegiados que não só não pagam impostos como usufruem dos benefícios daqueles que os pagam. é na saúde, na educação e na segurança social. estes privilegiados são poderosos e perigosos. quem se meter com eles leva no toutiço. falemos dos que mais terror nos amedontram: a banca com duas escritas, a igreja que descaradamente e legalmente não paga impostos e o futebol. a banca como é internacionalizada passa a ser algo de abstracto que acaba por dirigir países. o dinheiro só está disponível numa percentagem discreta onde o estado a medo retira uns trocos. não é de admirar pois o estado está infiltrado de agentes e mafiosos da mesma banca. no que diz respeito à igreja? não se sabe que verbas manipula, que propriedades possuí, em que negócios está envolvida (alguns são negócios escuros). a igreja não paga impostos e se os paga ela é que os recolhe para seu benefício. onde há muito dinheiro há padreca a chefiar. se a massaroca atinge verbas escandalosas o que era da responsabilidade do padreca passa a bispo ou abade. verbas de biliões (repetir biliões) de euros são entregues pelo estado à sucursal da igreja de roma para esta "orientar e tomar conta" das áreas de acção social (prestação de serviços de apoio a crianças esfomeadas, velhinhos sem lugar para morrer, famílias miseráveis. quer dizer, o estado foge das suas responsabilidades sociais para com a nação entregando a outros a solução dos problemas. a igreja ganha à custa do estado de estatuto caritativo e adquire imenso poder face aos mitos medonhos que povoam as cabeças dos pobres imbecis. por último e por que não vou meter-me com a restante mafia da droga e do tráfico de armas porque não sei onde começa e aonde acaba, pois sabemos que portugal já vendeu armas a países esquisitos e a partidários de genocídio. fica para outra vez quando investigar mais qualquer coisa. é claro que se pode referir aquilo que a comunicação expõe quando as polícias se apropriam de casas, carros, droga, iates e milhões que pertenciam aos traficantes e passam directamente para o estado ou instituições a este afectas... bem, o futebol. ai, ai que aqui até o presidente joão jardim ia levando pela cara, bochechas e nariz, ele que é o poder absoluto da madeira confirmado pelo voto do povo. nada a contestar! quis ele mexer no futebol. bem, se não foge matávam-no. em portugal, ninguém se atreve a arriscar a vida para se meter naquele labirinto de todas as tropelias. alinhemos apenas a trafulhice que foi a construção de campos de futebol que ainda estão por pagar apesar de as dívidas terem o aval do estado o qual tem às costas centenas milhões de euros que o povo tem de pagar. o dinheiro no futebol gira às escondidas, tal como acontece com as enormes verbas da igreja, da banca e do tráfico de armas e droga. o ministro mais o seu chefe de fila querem limpar o país do esterco mas falta-lhes os tomates para enfrentar tais gigantes. ou então, bem deixo o inferir da questão aos leitores.
ps: nada tem a ver uma coisa com a outra. mas, a verdade é que, hoje, dou razão ao luíz pacheco quando mandou uma mensagem aos jovens. disse ele: puta que os pariu. os velhos em portugal são menos protegidos que os animais do zoológico de sete rios e tudo devido a que quando eram jovens marimbaram-se para os velhos do seu tempo. velhos, novos e governos de todo o mundo humano que vão para a puta que os pariu. obrigado luíz.
varett

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

evitemos o sangue e as lágrimas

a ministra cristas da agricultura parece que não está a bater bem da torre de control. para quem conhece o território português sabe que a boca dela é mais um marco abstracto no sentido de querer pôr a terra a dar, produzir, melhor dizendo. existem propriedades registadas em nome da dona urraca de borgonha que viveu no tempo de afonso henriques. os seus descendentes e não só ainda utilizam o direito consuetudinário. faça a ministra uma visita ao instituto geográfico e cadastral e inteire-se sobre a matéria. quanto aos baldios? ninguém sabe onde começam e onde acabam, não esquecer a voracidade com que as câmaras , muitas vezes, se apropriaram de centenas e centenas de hectares para as juntar ao seu património de negócios (o que deu lugar à institucionalização "legal" da corrupção). no que diz respeito à concretização e execução de heranças, então é de fugir. são centenas e centenas de hectares de boa terra que estão indivisíveis e em contencioso. falemos claro sobre a propriedade privada que o partido da ministra e de paulo portas tanto prezam. "a propriedade é inviolável" e não é nenhum roubo como dizia prouhdon.! nenhuma lei poderá ter exequibilidade se no nosso regime político forem aplicadas leis do tipo sesmarias (que aliás foi para inglês ver, ao tempo). e porquê? primeiro: para haver alteração da sua posse só os tribunais o poderão fazer, sob pena de o governo estar a cometer o crime de apropriação ilegal. ora, o país é um verdadeiro retalho de propriedades, salvaguardando - claro está - as grandes e pobres propriedades alentejanas. entupia a justiça só com a discussão do cultivo das silvas... e o que não está cultivado, hoje, é porque efectivamente dá prejuízo a sua exploração (dá para matar a fome a quem trabalha a terra e só e quando chove). não se está a ver o estado sem fundos estar a fazer uma reforma que custa um dinheirão para a realizar para depois pedir dinheiro para pôr a render aquilo que estava condenado economicamente. a não ser que se introduza novamente o esclavagismo encapotado. o primeiro-ministro tem na sua cabeça essa reforma a preços baratinhos. não disse ele, numa das suas tiradas à merceeiro que o país tem de empobrecer até à realidade? salazar era um rural, e passos? não estou a ver as novas gerações a cavar as terras inóspitas com computadores e smartphones. algumas famílias já voltaram à terra. mas isso não passa de um plano familiar e muito restrito. os portugueses não têm cabeça nem cultura para kibutz; segundo: se o estado anda à caça de impostos, não estou a vê-lo a colher tomates ou cebolinho para depois realizar capital para as despesas públicas já que o dinheiro levou sumiço; terceiro: olhai os lírios dos campos e verificareis que a nossa agricultura não produz (nem nunca produziu) para colmatar as necessidades do país. (cavaco-presidente quer que os jovens voltem à terra. pois, lá estávamos caídos na falta de escolas (foram milhares fechadas..) para os filhos dos novos agricultores, transportes, serviços de saúde, habitação para aqueles que iriam prestar ajuda no sector terciário, etc. nem vale apenas ir por aí. é uma questão de loucos!!!)... a verdade tem de ser dita: este povo caíu nas garras de capitalistas sem moral. não há outra solução para o povo se este não se revoltar para poder sobreviver. e temos de mudar de mentalidade der por onde der. os que nos governam têm de representar o interesse nacional e nunca resolver o problema de uns quantos mafiosos que se apropriaram das nossas riquezas. para começar devíamos renegociar a nossa dívida. por cada euro que devemos só poderemos realmente pagar 55%. os restantes 45% é para perdoar. aliás representam os juros com que nos estão a esfolar. esta medida não é nenhuma invenção, ela já foi implementada por kirchner na argentina. não temos outra solução, e isto antes que a sociedade portuguesa se volte de pernas para o ar com com sangue, lágrimas e sem suor.
varett

sábado, 25 de fevereiro de 2012

varett ao telefone: os açores devem estar preparados para usarem moeda própria


paulo rehouve:
já é quase assente que portugal deverá sair da zona euro. que poderá acontecer?
varett:
um possível golpe de estado. do género à portuguesa. entraremos num período de terrível carestia só comparável à do tempo de salazar. as regiões autónomas, principalmente a dos açores, deviam pensar criar moeda própria, digo novamente à imagem do nosso passado. a economia dos açores não aguentará muitos mais solavancos. ou os açores estarão numa situação de território independente devendo negociar directamente com a união europeia ou vai haver perturbação social com características muito diferentes das que surgiram logo após o 25 de abril. a sociedade açoriana, na altura, não estava preparada para um tal salto. e se este estilo de regime até hoje sobreviveu isso ficou a dever-se exclusivamente à transformação da sua economia semifeudal para uma região piloto socialista protegida pela intervenção musculada do poder central. aliás, o poder central utilizou as forças armadas para amedrontar a classe média e alta da altura, chegando mesmo a prender civis em estilo máfia de leste, para impor novas regras à sociedade, um todo nada retrógrada.
paulo rehouve:
está a pensar numa possível independência dos açores?
varett:
eh pá, com o tipo de colonialismo cristão que portugal aplica por aqui e com a massa imbecilizada atávica e ideossincrática dos açorianos, a coisa entrará numa agonia prolongada com muita emigração pelo meio (se for possível), muito choro e muito ranho. os açorianos ainda vivem no tempo do mito. as elites do pensamento estão desfazadas dos interesses da restante população. são cobardes perante o atrofiamento das liberdades culturais e não só. a independência dos açores só se fará do exterior para dentro e só no caso de uma grande potência a apoiar. os eua já estiveram para aí virados, mas isso foi chão que deu uvas. os estados unidos estão satisfeitos com a mais que possível desagregação da europa, logo não terão interesse em voltar à posição anti-comunista tão abençoada pelas gentes destas ilhas. atenção, que em são miguel as pessoas passam a violentas quando lhes falta a paparoca. neste momento é a única realidade política a ter em conta para quem quiser continuar a governar-nos indirectamente.
paulo rehouve:
a questão fica, pois, adiada. e que papel prevê para as forças armadas nos tempos que se avizinham?
varett:
os políticos civilistas que cresceram como cactos neste deserto - onde pontificam as maiores nulidades da europa, com provas dadas - remeteram-nas para um canto. só pensaram na europa e descuraram-nas porque o tempo em que elas eram a coluna vertebral da nação estaria enterrado. agora, com a nossa possível expulsão da união por má figura, lá estão eles a repescá-las. e se o fazem é porque com umas forças armadas portugueses ao velho estilo (com dignidade e orgulho pátrio) o poder político vai beneficiar desta grande segurança. quem poderá defender esta corja (a palavra é do camilo) da vontade popular? é este o motivo por que os políticos já estão a beijar na boca e no rabo os ilustres representantes das forças armadas. e eles (os militares), sem outra solução a não ser esta, vão cair novamente no falso amor (deles políticos) . até se irritarem de novo...
paulo rehouve:
o governo português vai novamente conceder um empréstimo de 300 milhões de euros ao criminoso bpn. não acha que a troika devia intervir no sentido de salvaguardar o estado?
varett:
quem "deu" a ordem ao governo português para que o financiamento fosse feito àquela organização criminosa (criminosa porque está a contas com a justiça e os seus gestores estão presos ou fugidos) foi a própria troika. e isto deve-se ao facto de os grandes financeiros só ganharem dinheiro quando este circula. ora a troika representa os interesses daqueles. as dívidas dos estados acabam sempre por ser regularizadas. a questão é esperar. quando moçambique se tornou independente portugal ficou a arder com as dívidas, custos e compromissos de cabora bassa. porém, passados alguns anos a coisa procurou regularizar-se da parte do governo de maputo. o capital tem muitas regras e até faz milagres.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

o que tem voltaire com são miguel? nada, obviamente

do meu diário com pretensões:
"o malheureux mortels! ò terre déplorable!" voltaire, in poeme sur désastre de lisbonne (primeiro verso). a data deste poema ( segundo a edição a paris, de l'imprimerie de la fonderie stéréotypes de pierre didot l'ainé, et de firmin didot - 1800 ) é de 1737. fizeram-me confusão as datas. o desastre (o terramoto) teve lugar em 1755. o texto segundo a edição é anterior. bruxo! deve ter havido algum erro de impressão ou pior de tudo o poema retrata uma lisboa com pessoas detestáveis, miseráveis e mais coisas muito antes do desastre ter acontecido. fiz uma leitura sem dicionário o que quer dizer que não percebo o francês suficiente para traduzir voltaire. deixa para lá, se calhar vou voltar a ele. mais tarde, claro. bem, ao contrário de teófilo braga que dizia serem os açores uma terra habitável se não fosse habitada. um brincalhão que apesar de ter nascido em terras coriscas, esta lhe era adversa. para mim, que também por cá nasci (açores) a terra é boa mas só para a agricultura dado que a muita humidade ataca os idosos (como eu, evidente). no que diz respeito às gentes... bem. aqui há uns anos atrás falando com um sacerdote católico, este relatou-me um caso interessante sob a perspectiva do esclavagismo. juntou o sacerdote algumas fiéis para lhe transmitir uma sua aspiração. minhas bondosas senhoras, e se cedêssemos as tardes de domingo às "nossas" criadas para elas darem o seu passeio ou até irem a uma matiné no cliseu micaelense? bem, a coisa ficou feia (não digo preta senão algum integracionista ainda me acusa de racista) para o lado do justiceiro religioso. até de comunista foi acusado. é verdade, estávamos em pleno período do salazarismo e era muito perigoso falar em igualdade fora do pecado. dava prisão pois era considerado um atentado à segurança do estado. voltemos a voltaire. não é que este comunista vai escrever um poema (do mesmo livro que citei) com o título: "acerca da igualdade das condições". a data deste poema é de 1734 e muito antes da revolução francesa. quer dizer que duzentos anos depois do embrião de uma chamada de consciência para o com o semelhante, a justiça social açoriana/portuguesa não tinha mãe nem pai. é que, a escravatura, apesar de abolida pela lei, fazia arraial entre nós ditos cristãos. no que diz respeito às antigas criadas elas não tinham horário de trabalho. auferiam uma miséria mensal e muitas delas trabalhavam para poderem comer dado que nas aldeias (freguesias nos açores) de onde vinham não havia nada para matar a fome. os pais cediam as filhas como mercadoria. mas nada que se comparasse com o que faziam os indianos nas longínquas regiões da terra dos vedas...
varett

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

o prisioneiro de belém

o presidente eleito pelo povo através do sufrágio universal está numa situação que eu não desejaria nem ao senhor jorge sampaio que detesto desde que ele começou a ter pena dos pobres e era da esquerda no tempo do saudoso e muito querido ditador antónio de oliveira salazar (salazar por parte da mãe). a situação é caracterizada por o representante do povo ter pronunciado uma frase assassina. foi logo julgado sumariamente pelos critérios que abundam por todo o país: "coitadinho, toma lá um tostão para te ajudar a pagar a renda da casa". "não é para a renda da casa, meu palerma, responde um ourives de benfica assaltado recentemente." "então, para que quer ele dinheiro?" "para as despesas domésticas, dado que ele está teso." "a dona maria que arrange um emprego, atira a vendedora de jornais, recuperando de uma navalhada no estômago dada por europeus no passado domingo, quando fechava o quiosque na hora do almoço". "eh pá, nem tanto. a senhora dona maria não ia agora trabalhar, ficava muito feio. o nosso país não tem por hábito mandar as mulheres trabalhar." "esta agora, isso era antigamente. as mulheres já estão a dar no duro. não lhe caía o cu das calcinhas se ela fosse esfregar o chão como eu que já o faço desde a minha primeira classe." assim falou a pensionista que há dezassete anos apanhou um panariço na praia de algés quando os esgotos ainda faziam parte das férias dos da linha de baixo. de repente, dois jornalistas estagiários aproximan-se do grupo de jurados e perguntam-lhes se eles podem prestar declarações sobre as finanças do senhor presidente. "temos muita pena do casal de belém e estamos muito preocupados com a sua situação financeira. já se sabe que os dois não comem como a gente que se amanha com qualquer pedaço de pão com queijo." eme, ele quando era rapaz não nadava em dinheiro e a coisa apertava para o lado do pai que até vendia gasolina para compensar alguma fominha" "ele era magrito, mas não era de fome!" "malá, então de que era?" "dieta!" "no tempo do bondoso ditador ninguém fazia dieta. o que a gente passava era fome. e da negra." "eu que o diga, que levei muita porrada para não comer." "o cavaco levou porrada por ir ao chicharro?" "eh pá, onde isto já vai!" "ele veste muito bem. está sempre impecavelmente vestido e isso custa dinheiro." "querias ter um presidente roto?" "claro, assim justificava a choradeira que ele faz por ganhar uma miséria."... cavaco, que devia ter pedido a demissão quando lucrou muito dinheiro com o bpn que está a contas (o banco) com a justiça pelos piores motivos: está prisioneiro no casulo que criou à sua volta. nada que disser impedirá de o pensarmos como um mentiroso ( o senhor presidente ganha muito mais do que a quantia que apregoou). nunca, o ainda presidente se dispos a esclarecer o quanto arrecada todos os meses em virtude da acumulação das suas reformas e/ou ordenados (que não devem estar por pagar (#). penso que cavaco deve estar a preparar-se para lidar com a memória muito curta do imbecilizado povo português. se é isso, dou-lhe razão. se o povo quer, por que razão havemos de contrariá-lo (a ele povo)?
(#) - dizem-me que não acumula por ter uma alta reforma de uma das suas muitas actividades. fica aqui a rectificação e o meu pedido de desculpas.
varett
ps:
varett é um pseudónimo e está devidamente identificado. basta ler mais abaixo no blogue quando o pseudónimo desaparece para ser substituído pelo nome do autor. ah, como eu gostaria de ser reconhecido só como varett. até já tenho uma foto a condizer tal é o gostar em si de mi.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

"o povo deve combater os grandes financeiros"


paulo rehouve:
depois desta época festivaleira, que lhe parece irá acontecer a portugal?

varett:
o mesmo e mais forte. os portugueses irão morrer nas estradas em viaturas que estarão por pagar, os desempregados continuarão desempregados, as pequenas e médias empresas vão continuar a falir lentamente com alguma ajuda do estado, os militares irão reivindicar mais regalias, as polícias continuarão a não dar conta do recado, os hospitais a esconderem as suas impotências estendendo os doentes nos corredores, as escolas irão despejar saberes a indiferentes, ressalvando todos aqueles que terão lugar nas "repartições" dos papás (dinastias de funcionários públicos como, por exemplo, os soares: bisavô, avô soares, filho joão e netos), a pobreza envergonhada continuará a receber a paparoca em casa enquanto raspa o rabo nos cafés e pastelarias palrando e criticando, os bancos continuarão a roubar aos pobres para distribuir pelos poucos ricos, a igreja apelará - como sempre - ao espírito capitalista-cristão (cobrando a parte que lhe cabe pela sua meritória acção), as prostitutas baixarão a tabela no preço das aberturas e muitas delas aceitarão géneros alimentícios em troca de oralidades, a juventude empregada ou não continuará a drogar-se e a encher as ruelas de vómitos e sexo descapotável, o estado sustentará uma elite de chulos que não descola dos dinheiros públicos, os assaltos a casas particulares aumentará tendo como objectivo já não dinheiro ou ouro mas sim mobílias e outros tarecos, os casais continuarão a procriar apesar de não atingirem a quantidade que o mendicante de belém difundiu, os serviços de segurança social não fiscalizados continuarão a distribuir subsídios por estrangeiros ilegais que habitam em bairros onde já nem entra a polícia, alguns políticos serão maltratados por populações exasperadas tendo alguns deles a possibilidade de ver a morte de muito perto, os grandes financeiros vão dominar a economia arrecadando a maioria da mão-de-obra, os grandes financeiros irão substituir o estado na oferta de emprego (isto se o povo não se revoltar chefiado por elementos da classe média ou alta depauprados de bens e valores), os grandes financeiros irão aliciar as forças militares ou paramilitares e só quando os seus interesses entrarem em rota de colisão com outros vigaristas (quem rouba o povo desta maneira outra designação não merece) da finança, que o descalabro económico levará a uma guerra civil tendo em conta uma série de criminosos que já se instalaram no país e que actuam em células quase invisíveis onde não faltam armas (aquelas que foram roubadas de quartéis e que até hoje foram descobertas, estão no rol), que a constituição portuguesa vai alterar-se ao ponto de a eleição do presidente da república ter lugar no parlamento (numa imitação desbotada do que se passa na terra da dona merkel, que o emprego de futuro é ser segurança, guarda-costas, jagunço e outros motivos de segurança para quem possa pagar ...

paulo rehouve
puf! e quanto ao euro? será que nos iremos manter na zona euro?

varett:
o euro em portugal e na grécia irá manter-se por mais uns tempos?

paulo rehouve:
por mais uns tempos?

varett:
tudo leva a que a alemanha venha a ser de novo vítima de uma guerra. e esta terá como opositores mais credenciados a inglaterra e a frança.

paulo rehouve:
a frança, pois não é ela aliada muito chegada à alemanha?

varett:
só enquanto der para esconder as suas contas públicas e ser amparada por ela e a alemanha tiver necessidade de um parceiro que tenha potencial nuclear uma vez que anda aos papéis nesta área. a frança não tem outro papel que lhe caiba a não ser como amante da alemanha e como tal recebe algum para se manter vivinha.