sábado, 15 de outubro de 2011

a cada político a sua verdade





"calma, calma. depois de mim virá quem mais mentirá. sim! sim! mentirá"

o vidente salazar





certo dia, a vidente lúcia de fátima disse para salazar: "vós, meu amado primeiro ministro, também ides ser contemplado com a visão sagrada. a santa virgem segredou-me que te ia aparecer à meia-noite. a virgem disse também que era bom que te deitasses sozinho por causa dos ciúmes da dona maria, tua governanta." salazar, de facto, assistiu maravilhado à descida do céu de uma senhora toda vestida de branco que lhe entrara pela janela do quarto. a princípio julgou tratar-se de uma brincadeira do cardeal cerejeira. mas não, era uma virgem celestial (ele confirmou mais tarde). disse ela para ele: a partir de hoje tu serás o mais sábio de todos os videntes. a pide - que estava sempre atenta e que se encontrava debaixo da cama do nojento velho descarado para fêmeas - gravou as palavras délficas. clique na seta para ouvir uma das muitas previsões do filho da dona maria do resgate de santa comba dão.

o grande chupa do capitalismo



"garanto que até o sangue vos vou vender. vou chupá-los a todos. seus idiotas!"

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

da oficina de teatro de lucílio valdez - centro cultural do alto minho



para ilustrar o texto abaixo servi-me deste trabalho do centro cultural do alto minho. obrigado!


manuelmelobento

se gil vicente fosse vivo



farsa: o raspar da fazenda




(argumento)




a falta de dinheiro no país que foi à india, no passado século xv, para levar a palavra da santa madre igreja e trazer na volta - nos porões das caravelas - droga para vender à europa fez com que pedro passos coelho tivesse vendido todos os palácios onde se estabeleciam os ministérios. como o dinheiro da venda só deu para pagar as dívidas, os ministérios passaram a actuar ao ar livre. porém, sempre que havia conselho de ministros, passos coelho mandava o relvas negociar o arrendamento de uma tenda aos ciganos do largo da feira da ladra. estes, arrendavam a tenda mas exigiam uma fiança. foi por isso que a custódia de belém foi vista a ser leiloada pela sotheby´s, em londres.




(reunião ministerial na tenda)




passos - está frio. quem me passa o licor beirão?


relvas - chamando viegas (que fica à porta da tenda por ser só secretário da cultura), traz meia de licor!


viegas - não esquecer que tudo aqui é a pré-pagamento. fiado só amanhã.


(passos ouvindo a conversa, começa a procurar nos bolsos)




passos - (dirige-se a relvas) toma lá dois euros e paga a esse lírico o licor.


relvas - (trazendo o copo "meio cheio") toma lá!


passos - que é lá isso! o copo está meio vazio!


relvas - ele disse que já estão incluídos os 23%.


vitor gaspar - ah, assim é que é falar! (para viegas) passa para cá o iva.


(viegas sai da barraca e vai procurar arranjar trocados para fazer contas com o ministro das finanças, mas dá de caras com um tipo alto vestido de preto que vem do ccb e que lhe aperta o pescoço)




viegas - socorro! acudam, é o da mona lisa!




vitor gaspar - lá se vai o iva.




homem de preto - (ainda abanando o pescoço do da cultura) onde está esse vitor raspar que é para lhe fazer o mesmo.




ministra teixeira da justiça - ai que horror! quem trouxe para aqui (aponta para o lençol que está sobre a relva e que substitui o tampo da mesa do conselho) um ratinho?


ministra assunção cristas - é um coelho de criação para lançar no alentejo.


paulo portas - (que ri descontroladamente) vitor raspar! vitor raspar!


ministro crato da educação - aquele senhor (o da mona lisa) deveria ser reavaliado no seu português. não é raspar é gaspar. digam isso a ele, isto se ele quiser concorrer a um lugar no ensino.


macedo das polícias - di-lo tu que eu tenho os agentes em greve.


ministra teixeira da cruz - quantas caixas de multibanco esta semana?


ministro miguel macedo das polícias - doze


ministro paulo macedo da saúde - (para o ministro álvaro) passa para cá o dinheiro da aposta. eu não te dizia que a média de assaltos às caixas do multibanco era de doze por semana.


álvaro da economia - (para passos) já tenho uma certa fome.


passos - vou dar a palavra ao raspas (totos riram muito) e depois vamos todos para casa que quero ver o portugal/dinamarca.


assunção cistas - ena pá! viva o luxo!


passos - herdei-a! tá! (para vitor gaspar) professor gaspar raspar tudo a que temos direito. tem a palavra.


gaspar - quando eu era pequenino brincava muito com o meu primo irmão louçã. era assim: íamos os dois roubar moedas de prata ao cofre do nosso avô. ele pegava no dinheiro e ponha-se a distribuir pelos pobres que encontrava no caminho de casa. eu fazia uma covinha no quintal e guardava lá as moedas de prata.


assunção cristas ministra da agricultura - porquê numa cova?


raspar - eu cuidava que havia de lá crescer uma árvore de patacas?


álvaro da economia - e cresceu?


passos - (para raspar) então?


raspar - vou terminar, visto não nos entendermos quanto ao que é relevante só vos quero avisar que temos de criar pobres neste país.


ministra da justiça - queremos uma criada de quarto ou mesmo uma cozinheira e não se encontra. com o colega! de acordo.


paulo portas - havemos de chegar lá, mas eu prometi aumento de pensão aos mais desprotegidos...


ministro da segurança social - impossível! é contra as normas da troika. demito-me!


passos - calma meus senhores. paulo portas falava metaforicamente. (para portas) não é assim, colega?


paulo portas - (tomando a palavra) há muito que o cds-pp tem tido muito dó dos que nada têm. e está no seu programa ajudá-los. mas, primeiro, faço notar que temos que empobrecer os portugueses. reduzi-los à verdadeira pobreza. à pobreza cristã. só assim ganharão o bilhete para o céu. portanto (volta-se para o ministro da segurança) compreendeu muito mal as minhas palavras.


ministro da segurança (que é muito magro) - assim é outra conversa. além do mais, os portugueses estão muito gordos.


teixeira da cruz - devem ficar todos como o colega. mas acho difícil. por mais dieta que eu faça não perco nem um grama. serão precisos muitos meses para os habituar a comer menos. é que se não têm dinheiro para o peixinho ou carne voltam-se para as batatas e as couves. e comem que nem alarves. o que eles querem é quantidade.


raspar das finanças - já sei. vou lançar um imposto muito alto sobre as batatas e as couves. e acaba-se com a conversa.


teixeira da cruz - o colega não pode esquecer os nabos e as cebolas...


paulo portas - os alhos e o grão.


passos - (lambendo o bordo do copo) estão a esquecer o arroz, os ovos, a fruta. caramba! tenho eu de supervisionar tudo.


assunção e teixeira da cruz - ai de vocês se aumentam os impostos sobre as novas coleções do outono.


passos - acaba por aqui. tenho de apanhar o autocarro. adeus, até ao próximo aumento.




(e acordei. tinha começado a ler um livrito com as farpas de gil vicente e peguei no sono com a pança cheia com uma sopa de couves aferventadas e com muitas batatas ainda livres do último imposto. era para ser um pesadelo...)


terça-feira, 11 de outubro de 2011

que manigâncias tem carlos césar à mesa do jantar?







será pato? bom, vamos entrar na cabeça do actual primeiro-ministro dos açores, perdão, presidente do executivo que é como se designam os que nos orientam politicamente. como é que surge césar (o socialista) no palácio de santana? - que é onde se acoitam os grandes chefes depois dos descendentes do marquês jácome correia o terem vendido já depois do 25 de abril, o que quer dizer que morar num palácio em tempo de assaltos dos comunas ao capital poderia pôr em perigo vidas e haveres. ora, antes de césar (descendente de homens de estirpe de esquerda) quem vivia da parte da tarde na grande casa era o dr joão bosco de mota amaral. quer dizer, joão bosco trabalhava/despachava as coisas da causa pública naquele parasidíaco eden, que no passado acoitara o luxo e luxúria. como joão bosco é um homem religioso, estou em crer que tenha encomendado uma benzedura ao padreca de serviço da área da sua paróquia para apagar qualquer mancha hedonista e não só. historicamente devo informar que o rei dom carlos pernoitou lá em casa quando visitou as ilhas e, talvez por isso, o senhor dom jácome tivesse sido catapultado ao marquesado. no tempo em que o partido socialista se arrastava pelas urnas com uns elegantes 22%, quem mandava nos açores era o ppd que era assim que a malta chamava ao partido do actual primeiro-ministro português. quer dizer e quem mandava nele era o dr joão bosco. este apesar de ser social-democrata não governava no modelo agitado do dr alberto joão. toda a gente sabe que joão bosco é um homem bem. senhor de uma invejável inteligência (foi o melhor aluno de todos os tempos e se na faculdade teve menos nota que o professor marcelo foi porque no continente não tinha nenhum tio ministro). havia de ser agora! eu fui seu conterrâneo no liceu antero de quental. foi daí que comecei a admirá-lo ao saber da qualidade dos neurónios que possuía. calma que já chego a césar! qualquer eleição nos açores tinha sempre um vencedor: joão bosco! no tempo deste, o estado - por intermédio do governo regional de bosco - socializou tudo. eu explico. desde as fábricas do tabaco, cerveja, do álcool, dos transportes aéreos, marítimos e terrestres, da banca (o banco micaelense era um feudo de bosco), seguros (onde joão colocava a dirigir alguns imbecis que o adoravam como um semi-deus), deu ao povo casas, terrenos onde alguns podiam construir à vontade pois o seu governo fornecia tudo desde o cimento à telha), houve casas para todos os gostos:engenheiros, médicos e alguns economistas apareceram escanchados em boas casas que depois venderam arrecadando bons lucros, aos lavradores deu bosco cheques com boas maquias, às pobrezinhas agradecidas coube - em alguns casos - uma boa casa de banho (o povo açoriano em algumas zonas cagava no mato. hoje, se não estou em erro, essas cenas já eram), havia casas comerciais a quem o governo regional pagava os vencimentos dos seus empregados. com a criação de secretarias regionais, joão bosco empregou milhares de açorianos com habilitações que roçavam a antiga quarta classe do salazar e que se preparavam para emigrar para a américa e canadá. escolas e mais escolas foram construídas em tudo que era freguesia. eram tantas as escolas que alguns professores nem tinham o quinto ano dos liceus como habilitação, houve auxiliares de educação que eram analfabetas, a igreja católica fartou-se de mamar à custa da bondade do ppd de mota amaral. só a sé de angra comeu milhões. e tudo para quê? para a missa do galo, está claro. duas grandes empresas regionais de grande peso económico tinham uma espécie de sociedade com o governo. era assim: saíam do governo e iam para a "casa bensaúde" e da "casa bensaúde" eram colocados no governo. nada de estranho, em portugal é a mesma coisa. a outra empresa era a "nicolau de sousa lima". também fornecia e recebia elementos de e para a composição governamental. no que diz respeito aos deputados regionais do ppd, nem queiram saber. na rússia depois do 17 de outubro houve polícias que chegaram a generais. no governo de joão bosco empregaditos de balcão chegaram até onde o professor medina carreira nunca chegaria sem cunhas. bem, falta aqui a parte que diz respeito à feroz alta burguesia açoriana. começou a entesar (ficar sem dinheiro) e para os calar, joão bosco repartiu parte do poder a eles para poderem comer e calar. os padrecas também comeram e bem. não havia ermida que não tivesse recebido umas verbas para obras e outras benfeitorias. joão bosco promoveu muitos medíocres que transformou em guarda pretoriana. os jornais, a televisão e a rádio estavam dominados pelo seu governo. ele os sustentava e como retorno aquela trimerda pagava em censura. chegou a haver casas em que só o gato não trabalhava para o estado. se isto não é um regime socialista digam lá. já quase no fim do seu reinado surgiu um escritor que criou um jornal privado e que não comia do estado e que esbranquiçou alguns cabelos ao ditoso e místico chefe açoriano. não vem ao caso estar a explicar mais sobre este assunto. bolas, nunca mais chego ao carlos césar. claro, havia muitos que estavam de fora deste paraíso. eram os da oposição que não tinham tachos correspondentes aos seus representativos 22%. eis senão quando, joão bosco anuncia que vai deixar o governo. não sei das razões. um homem como joão bosco não tinha só gente limpa à sua volta. muitos oportunistas devem ter feito merda e ele pôs-se a andar para não ser arrastado no lameiro que depois veio a dar de si nos tribunais. saíu o chefe e logo apareceram candidatos para o substituir. foi o fim da hegemonia social-democrata. surgiu como candidato - de entre outros - natalino de viveiros, mas faltou-lhe a excelência para ocupar o lugar deixado por mota amaral. e, de desbotadura em desbotadura acabaram os social-democratas por abrir portas ao mais cotado adversário político: o partido socialista. o partido socialista tinha tido até à chegada de césar ao seu topo/líder uma série de pessoas. umas, uns santinhos, outro um cagão. quando césar começou a mostrar-se em paralelo com outros socialistas deu-se o óbvio: césar não só era o líder esperado como estava preparado para mudar o destino de todos açorianos, o que incluía os não socialistas. demonstrar que ele seria um líder açoriano acima das pequenas raivazinhas e perseguições foi-lhe fácil. bastou em duas ou três vezes que se apresentou ao grande público cometer a proeza de pronunciar um discurso lavado, humanizado, culturalmente assumido num contexto onde os beatos eram colocados no seu devido lugar: sacristias. se césar não fosse um homem moderno e culturalmente actualizado no processo histórico das ideologias, o partido socialista não sairia da cepa torta. é a sina dos socialistas ilhéus que mantém os olhos fechados para compreenderem a sociedade que os rodeia. mota amaral criou o estado (pequeno) regional socialista. não sendo socialista mas sim idealista e quase beato (eu até gosto pessoalmente de mota amaral, mas lá beato é ele) não fazia sentido entregar a um direitista o seu rico trabalhinho (de entre muita tarefa reduziu os fascistas das ilhas a um pequeno pasto onde os domesticou). o eleitorado e a populaça aperceberam-se do perigo do aparecimento da direita revanchista e olharam para a esquerda e viram o excelente césar. ouviram-no e tal como aconteceu a são joão baptista no deserto que comeu gafanhotos com sabor a marisco (era santo, fazia milagres, porra) entenderam que mais à esquerda não podia ser. césar milagreiro só tinha que pôr a carruagem a andar sincronizada. ele é que era o socialista humanista e mais ninguém. estúpidos, isto não é um gafanhoto! parece, mas é lagosta. este exemplo está péssimo. paciência, não tenho outro à mão. uma vez eleito, césar - que conhecia os dossiers regionais por dentro e por fora - impôs um desenvolvimento harmónico e sobretudo justo. rodeou-se de todos os açorianos independentemente de ideologias. percebeu que não tinha que separar mas sim unir. apostou sempre na união açoriana, ele que tinha tido na juventude discursos à banana do tipo de jaime gama e de uma outra cria do mário soares, chegou a gritar ao poder central: aqui nos açores mandam os açorianos. eu o ouvi com estes ouvidos que também ouvem o preço que as profissionais do sexo me pedem para me massajarem. são os mesmos ouvidos que segundo os mortais afirmam que a terra há-de comer. mas césar também cai na armadilha do tempo. e lá se esbateu a excelência de que atrás dizia, explico: não estava nos seus objectivos retirar-se da liderança do governo. por duas razões. ele sai e berta cabral papa o ps nas urnas. não convém à família socialista. segundo, sair porquê se os açorianos estão satisfeifos com a sua governação? isso seria cometer traição a quem nele depositou confiança. está velho? mentira! é novo demais para desistir do seu único vício conhecido: a política. césar caíu numa ratoeira e para sair dela o que faz? ele sabe que a merda do estatuto político é um abesso apadrinhado pelos inimigos da autonomia verdadeira e que ele deseja para o povo. mesmo que o povo o queira de novo, a porra da lei não o permite. ele consultou quem sabe e quem sabe o que o belenensi (o que habita o palácio de belém) faria: impedilo-ia de se candidatar, nem que viajasse de novo da vivenda nova do algarve até aos estúdios da rtp e quejandos. agora, césar? bom, eu diz ele a si próprio: continuo a mandar no partido na região, logo, mandarei no que me substituir (de uma forma discreta, claro). modelo russo! estão a ver? o escolhido foi o gostoso vasco cordeiro. moço bem visto e bem cotado. tem um contra. é pouco conhecido no papel que entra nas urnas. e isso pode ser um verdadeiro obstáculo na luta contra a poderosa drª berta cabral. porquê agora nomear o herdeiro político a anos luz das eleições legislativas? é para césar lançar vasco cordeiro em tudo que é centímetro quadrado regional. e se não me engano chegará ao milímetro. césar vai recuando na medida em que vasco irá avançando até estar no ponto. berta cabral pronuncia um frasesinha e logo em seguida resposta de vasco e não de césar. está bonito o tabuleiro político açoriano. o tempo passou muito depressa. e césar que acusava mota amaral de nunca mais sair de santana está agora navegando nas mesmas marés. é a porca da política, no seu melhor.




manuelmelobento




ps: este texto é escrito deste modo porque não acredito que césar tenha lugar como líder no partido socialista do continente. a não ser que esteja a pensar na presidência da assembleia da república. porra, estar a aturar meninos e ter de estar com o cu sentado tantas horas. é um cargo menor, isto é, se for para estar a passear com motorista e mostrar-se para as revistas cor de rosa já é outra conversa.