quarta-feira, 16 de março de 2011

A GRANDE REVIRAVOLTA POLÍTICA COM CAVACO A DIRIGIR




tudo estava organizado ao pormenor da parte da estratégia do líder do ps. só que sócrates esqueceu-se de uma possível jogada dos adversários que pode deitar tudo a perder. sócrates procura levar o psd à parede caso este não aprove as medidas apresentadas a frau merkel no próximo debate parlamentar. o eleitorado nunca iria perdoar aos social-democratas o aumentar ainda mais a crise. acontece que sócrates não previu o seguinte cenário: cavaco recebe os líderes dos dois principais partidos e logo em seguida dissolve o parlamento. isto é, não deixa que o pec IV vá à discussão sequer. assim liberta o psd - seu partido - da figura do mau da fita. faz o que o irmão do professor daniel sampaio fez a santana e a portas que por sinal eram maioria parlamentar. cavaco, comparando com aquele, tem muito mais moral, uma vez que o ps é minoritário em são bento e só tem feito asneira sobre asneira, na perspectiva da direita, claro. com este comportamento ficaria o psd liberto para ir a eleições com a auréola de salvador. fará isso cavaco? eu penso que sim. tanto que aposto a minha roupa de inverno em como cavaco vai ser o homem de quem se falará nos próximos dias. mais, um líder fraco como passos sairá reforçadíssimo. e, pronto. estamos como estávamos. e, não é tão bom?

manuelmelobento

SÓCRATES ENTALOU O PSD




não posso deixar de não estar admirado com a situação do clima em portugal. a temperatura ainda não chegou aos 22 graus para poder ir a banhos. bem, logo a seguir, e porque estou sem sono, vou entreter-me com o que se passa com a política. isto é, desde a primeira vez que o psd recuou que o ps de sócrates não o deixa sair das cordas. uma espécie de chantagem interminável. e para o psd sobreviver - pensaram os seus maiores - deveria esperar melhores oportunidades para afastar o ps. erro fatal para passos coelho. depois de ontem, sócrates entalou o psd. como o fez? dizem os comentadores que sócrates dissera ou ele ou o fmi. nada disso: o que ele disse foi, comigo está tudo controlado. os portugueses terão ao fim do mês os seus vencimentos garantidos, as suas reformas e pensões asseguradas embora com uns pequenos cortes. quanto à saúde e educação, não somos ricos temos de apertar. a malta compreende. estudar não é tudo e é ver os doutores desempregados. a malta prefere fazer estes sacrifícios a não ter o seu no bolso. o pm aposta no individualismo lusitano. esta parte foi muito bem entendida. até pela oposição que prefere receber os seus honorários a assobiar para o ar à espera que os pategos dos eleitores os confirmem novamente. o que é um grande risco. bem, mas não foi só isso que disse sócrates. ele disse que o fmi e o caos estarão definitivamente unificados. até agora o homem tem razão. o psd não tem soluções. sócrates esvaziou a social-democracia. quem é que quer o psd no governo e o seu companheiro fmi e as suas exigências ainda maiores do que as que estão a vigorar? o português não quer isso. isto quer dizer que no parlamento o psd vai aprovar tudo o que sócrates combinou com merkel (sócrates é um sedutor e não sei, não sei se). é o que a malta quer. o psd corre o risco de desaparecer. tanto assim é que o ilustre santana lopes já anda a criar um novo partido. farejou e bem o seu estertor. se a proposta socialista não passar, sócrates sabe que não tem condições para governar. mas espanto dos espantos disse: eu sou um lutador. não volto as costas à luta. estarei novamente a disputar o poder nas próximas eleições (implícito, claro). nesta altura a oposição sentiu um frio pela espinha acima. digam o que disserem a situação é clara. até o professor-comentador rebelo de sousa afirmou: os partidos têm de se entender. de outro modo será uma desgraça. claro. se o psd não fizer o que o ps quer é isso mesmo. quem afinal estará preparado para levar portugal ao fundo? tudo leva a crer que é o psd e o seu desejado - já o afirmaram - fundo monetário internacional. e assim sendo, viva sócrates, o português. bem, mas os social-democratas não são tão estúpidos assim como querem dar a entender. arranjando um líder carismático talvez dêem a volta ao texto. aguardemos, oremos e esperemos que a nossa padroeira não nos volte as costas.

manuelmelobento

terça-feira, 15 de março de 2011

O FALAR E CONVENCER DO PRIMEIRO-MINISTRO

finalmente... o pimeiro-ministro dirigiu-se ao poveco. apesar de ter alguns minúsculos estudos sobre ideologia e ortoépia fui enrolado outra vez. já sei, ele fala e eu compro. melhor, vou na cantiga. enquanto não houver melhor demóstenes lusitano é escusado pensar ganhar a este homem. quando ele fala - quer em são bento, quer nas têvês - o melhor é fugir. nem rasputine levava melhor as freiras para a cama depois de ter passado a noite a consolar a czarina. o que é certo é que os adversários estão sujeitos à sua incontestada ditadura mediática. o líder parlamentar do psd mete dó. está na mão dos social-democratas acabar de uma vez por todas com o socratismo lusitano. por que não o fazem? simplesmente com medo de desaparecerem nas caixas das urnas. dizem eles que sócrates está a levar o país para o caos e para a ruína. e depois dizem que para não desestabilizar o país não o querem derrubar. então, segundo a lógica natural, aqueles queridos querem a ruína do país e portanto a manutenção de sócrates no poder, até que caia de podre. eh pá, vão-se lavar com sabão azul e branco, ao menos. o que eu não compreendo é a diferença entre desestabilizar e arruinar o país. bem, só se eles querem dizer que preferem um país inclinado como um barco em plena tempestade do que no fundo. ah, porra! já entendi o psd. até que enfim. que estúpido que eu sou. levei tempo a perceber. não mais ouvirei sócrates. bem só hoje. é que ele vai dar logo à noite uma entrevista. ai que bom que vai ser. mas juro que nunca mais.
manuelmelobento

sexta-feira, 11 de março de 2011

HOMENS DE ESTADO? OU FUNCIONÁRIOS ESTATAIS




Logo após a destruição do Estado Novo, não se vislumbrou nenhum português ao nível de estadista, excepção feita a Cunhal e a Freitas do Amaral. Mário Soares, Melo Antunes, Sá Carneiro e até mesmo os republicanos que coabitaram com o antigo regime não passavam de uns líricos oposicionistas da primeira divisão. O resto da maralha tinha poucos conhecimentos. Cunhal trazia a visão de um Portugal à la Moscovo. Estruturado pelas massas trabalhadoras tendo como cabeça um partido comunista a dirigir uma economia planificada. Não conseguiu impor tal regime porque a malta que ficou no país enquanto ele cursava o Estado totalitário na antiga URSS não dava uma para a caixa. E o povo explorado nunca se virou para tal aventesma anti-Cristo e anti-Fátima que era e é o seu pão espiritual e ideológico. Freitas do Amaral poder-se-ia de apelidar de sábio que não ficávamos a dever nada a ninguém. Ele conhecia e bem por dentro e por fora o que fora o Estado português no tempo de Salazar. Daí que vê-lo, sendo então democrata-cristão creditado e sediado em Lisboa, a defender teses do estilo contra os novos e ignorantes esquerdistas e levá-los à parede foi um instante. Lembro-me do baile que ele deu na RTP a adversários o que foi confirmado pelos media. Esta bosta difusora que surgiu logo após o cheiro dos cravos histéricos até disse dele o seguinte: um homem sem razão que ganhou o debate. Só que Freitas entendia, na altura, que ser-se estadista (e até o foi - por pouco tempo - após o 25 de Abril de 74) era defender teses de um país que já não existia. Anos depois, percebeu que também podia ser democrata à la Mário Soares. Mais à frente explicarei esta questão. Mário Soares, o chamado pai desta democracia, repito desta democracia, era (está vivo e ainda bem) um teórico burguês liberal que aprendera nos países ricos como viver em democracia de voto e onde se poderia ver em cinemas a foda no cu de Marlon Brando à Schneider. O mesmo é dizer certa liberdade de expressão. Só que Soares - que nada percebia de economia portuguesa por a não a ter estudado - não lhe deu para comparar países democratas que vendiam e exportavam muito para fora como a França, a Alemanha, Luxemburgo, etc. Se tivesse feito tal raciocínio teria chegado à conclusão que Portugal só poderia começar a mudar arejando o marcelismo reformador, isto é, acabar com certos poderes da polícia política (ainda a temos) e permitir à comunicação muito mais espaço de manobra, para se poder discutir publicamente as independências das colónias e outros temas quentes. Quando Soares se apercebeu da bronca, empurrou-nos para a Europa dos ricos sabendo que daí poderiam advir muitas esmolas para poderem arcar com as loucuras do novo Portugal "democrático". Esqueceu-se que a entrada para o clube das guerras e invasões era muito cara. Está-se a ver, melhor, viu-se. De Melo Antunes nada se lhe pode exigir quanto à dimensão de estadista. Ele próprio quando se apercebeu da grande bronca dos cravos fugiu a sete pés quando o convidaram para primeiro-ministro. Ele sabia que não estava à altura e para fazer a figura do companheiro Vasco não dava, tal era o seu entendimento do ridículo. Quanto a Sá Carneiro, bem o homem cresceu contra tudo e todos. Parecia o De la Mancha. Nascido no Estado Novo, tal qual o Fernando Dacosta, a sua cabeça não estava preparada para governar sacanas e analfabetos cuja arma era o voto sectário de várias tendências - na altura pró-esquerda da moda. Imaginem o que lhe deu para fazer em plena euforia histérica sino-soviética: nomear um antigo chefe de uma prisão como candidato à presidência da República. Eh pá, de longe o Cavaco e as suas asneiradas. Passemos para os dias de hoje, ou aproximadamente. Quem poderia ser considerado estadista nos dias de hoje? Olhemos para os nossos políticos sem ideias preconcebidas. Louçã? Bom, o que ele fez nos últimos dias merece respeito. Apercebeu-se ou foi levado a perceber que este governo actua contra os trabalhadores. Moção de censura. Nada mais lógico! Perdeu mal dadas as circunstâncias a que o país atravessa no campo do oportunismo. Não sendo um estadista é uma referência intelectual do país. Passos Coelho? Bem, passemos adiante. Sócrates? Neste momento, não tendo explicado ao povo que ele governa o lodaçal onde estamos metidos devido... a termos nascido portugueses, perdeu credibilidade. Nós precisamos saber das razões da pancada que estamos a levar nos nossos dinheirinhos. Porra, Sócrates, vai às televisões e explica-nos a razão desta miséria. "Tu" aparecias sempre que te enxovalhavam. A vida dos portugueses não será mais importante? Mais, se estamos na miséria, porra, por que razão uma quantidade inconcebível de chulos ainda estão a viver à tripa forra com os dinheiros dos contribuintes? Pensei errado sobre o primeiro-ministro. O homem tem de prestar contas ao povo. Ele não se dá conta disso? Estadista? Porra. Jerónimo de Sousa deve estar a tapar algum lugar para sair algum coelho na altura própria. É o submundo da política dos clandestinos. Paulo Portas? A meu ver tem um programa de Estado, pois apresenta sempre directivas ou levanta questões de Estado. Porém, falha quando, como homem de direita, se torna cúmplice de jogadas que estão a degradar o país que ele tem na manga e no pensamento. É, nos dias de hoje, o líder legítimo da direita. Mas só isso não basta. Precisamos de uma força partidária que assuma um líder que aponte um caminho, mas que não dialogue neste modelo. Dialogar e tergiversar é o que fazem os nossos políticos e bem. São muito inteligentes, reconhece-se. Mas só isso não serve.

PS: Talvez, na manif de amanhã surja o demiurgo, pois de desejados estamos fartos.

manuelmelobento

quarta-feira, 9 de março de 2011

CAVACO IRÁ À MANIFESTAÇÃO DO DIA 12?

cavaco discursou. eu estou farto de ouvir repetições e comentários sobre aquela enfermidade democrática. meus senhores... estas reticências significam palavrões. ora um presidente que faz de primeiro opositor a um governo que tal como ele foi eleito. por bananas de eleitores, como é óbvio. não devia no dia da tomada de posse provocar companheiros da miséria geral de que todos os actores são cúmplices. cavaco encheu o país de monstros rodoviários e de pirâmides (ccb) e o inimigo (governo) quer brincar aos combóios (tgv). claro que fizeram mais do que isto, mas este blogue não é para falar bem. se fosse assim estava a pedir um subsídio para as minhas borgas. parecia que no discurso o senhor cavaco estava a delirar de grande erudição e paternalismo. não disse uma única coisa que apontasse para uma saída da crise. pudera ele não sabe! diga senhor cavaco como é que o senhor faria para travar os despedimentos? como faria para pagar a mensalidade da compra da casa estando desempregado? poderia avançar com uma séria de dificuldades, mas só queria que resolvesse estas duas. é o soçucionas. não a temos. só os empresários podem criar emprego. para isso têm de se lhes arranjar condições. e se isso acontecesse o estado social ia ao ar. e a maioria dos políticos causadores desta (hipotética) miséria para todos (?) teria de fugir para o brasil tal qual quando na época dos capitães descabeçados os empresários se puseram na alheta para não serem decapitados. não farei mais comentários - se isto é a algum. vou terminar muito nervoso. cavaco quer que a juventude se manifeste. fez até apelo para que a malta se integre na próxima manif do dia 12. agora é que eu não saio de casa. com setenta anos, isso é que era bom! até as freiras irão fazer fila para se dizerem presente ao apelo do chefe da direita nacional. toda a gente vai aproveitar para se mostrar. e os rapazes da luta - o último fenómeno produzido pela ideologia do tiririca - se deus não acode ainda os veremos deputados em são bento. merecem. só a letra que arrasta as multidões de portugueses demonstra a quão alto é o resultado do investimento em milhares de escolas e centenas de universidades. eh pá, belisquem-me para eu acordar ou então digam-me qual o projecto da manif. se é para correr com todos os políticos e amigos dos políticos que estão encaixados nas caixas fortes, eu direi presente. se é para vitoriar cavaco que já se colou a ela. paciência, mas não pode ser. substituir os políticos, mas com cavaco incluido. tudo bem! presente! que raio, até a música é manipulada. o zeca afonso falava em vampiros que comiam tudo. e estes? ir atrás do zeca será a mesma coisa que ir atrás de ferraris? a juventude quer empregos e dinheiro para charros, mas quem os irá proporcionar? digam-me que é para eu ficar descansado. será que o psd vai salvar a malta? mas como? com decretos? é preciso dizer aos portugueses a verdade. do modo como as coisas estão não há solução nos próximos cinco anos. nem cavaco nem o psd poderão fazer senão demagogia. é isso que nos espera. sócrates e ps estão na mesma posição. só que o actual primeiro-ministro já não está a regular muito bem da tola. no caso dele, era já amanhã que me demitia. que cavaco e os passos que resolvam a desgraça que está feita, pois já afirmaram que sabem como é. tacho é tacho e aqueles queridos não o largam. é que o 25 de abril criou essa gente e ela julga-se o estado em si.
manuelmelobento

quinta-feira, 3 de março de 2011

ESTE PAÍS NÃO TEM VERGONHA DOS SEUS CRIMES




Antes de começar a falar mal das instituições que combatem o crime, devo confessar que há quase quarenta anos fui preso em acção e depois levado para Lisboa onde fui interrogado pela PJ. Para além do crime de que era acusado indiciaram-me uns outros tantos tais como o desaparecimento de muitos quilos de pólvora. Senhor inspector - disse eu - isso é tudo mentira. Mas se o senhor quer que eu confesse comece a bater-me. Quando eu não puder aguentar a porrada, naturalmente que confessarei tudo o que quiser mais a história de Portugal. O inspector respondeu-me da seguinte maneira: não usamos estes métodos. Então, senhor inspector - retorqui - encontramo-nos no Tribunal. Voltei para Caxias são que nem um pêro. Não tenho nada a apontar à PJ a não ser quando anos mais tarde esta estava a fazer a reconstituição de um assassinato de que fora vítima um familiar meu e ela mais parecia um grupo de bons rapazes que não tendo arranjado emprego numa boa pastelaria tinha optado por pertencer a órgãos de investigação criminal. Uns nabos nada mais. Hoje, a PJ está cheia de advogados que se tornaram polícias Fui colega de alguns numa pós-graduação. A minha opinião é de que são necessários muitos mais cursos e anos até que aquela polícia venha a ter a capacidade e personalidade que adquiriu no passado. Bem, vamos aos factos. Numa manhã desta semana, no programa do Manuel Luís Goucha, o bastonário da Ordem dos Advogados afirmou na cara de Portugal que havia uma mulher do povo que tinha sido acusada de ter assassinado a filha não havendo provas. A menina chama-se Joana e tinha desaparecido. A PJ usou métodos de tortura medieval e sob os quais ela teria confessado que a tinha matado. A mulher em causa de nome Leonor Cipriano está presa injustamente há anos faltando-lhe ainda cumprir uma série deles. O corpo da menina nunca foi encontrado e a prisão e condenação foi feita baseada - como afirmou o bastonário - nunca confissão à base de pancada e grande violência. Sejamos homens e falemos à homem (isto quer dizer, falemos claro sem estar a excluir quem não se assuma como tal, é mais o único modo que tenho para expressar o que quero escrever). Somos todos cúmplices da acusação que fez o dr. Marinho Pinto. Polícias, magistrados do MP, juízes de instrução, juízes do colectivo, o homem da rua, todos mas todos somos culpados pelo que a "justiça portuguesa" fez à pobre Leonor Cipriano. Calamo-nos que nem bosta de cobardes. Não exigimos que se reveja o caso. Não piamos. Deixamos uma inocente a apodrecer na cadeia. Ninguém do alto abre a boca para não interferir no curso da justiça. Filhos das ervas, pois quando toca à actuação da PJ em casos que mete políticos e corrupção, políticos e pedofilia e etc, aparecem no proscénio uns tantos porta-vozes a clamar por justiça e a acusarem os maus métodos das polícias. Há grandes ladrões com responsabilidades políticas que depois de condenados se passeiam entre nós fazendo-se de vítimas e etc. Ainda há pouco tempo um modelo confessou a morte de um cronista e num repente se montou uma onda de apoio ao assassino. Os jornais - que são uma amostra vergonhosa daquilo a que chegámos - gastaram rios de tinta sobre o assunto. À pobre mulher a quem o bastonário Marinho ilibou publicamente, nem uma palavra. Parece que estamos na Idade Média. É preciso lá de vez em quando matar uma bruxa do povo para saciar a nossa bestialidade. Demonstrar um erro judicial que recai sobre uma pobre mulher do povo não interessa à malta e não dá lucro a ninguém. Essa é a razão por que ela há-de apodrecer na cadeia. Quando era miúdo aconteceu que numa rixa um homem foi morto à facada. O homem com quem este estava a trocar uns socos foi acusado e condenado a vinte anos de prisão. Dez anos após estar a apodrecer na cadeia foi libertado porque o verdadeiro faquista confessou ao padre antes de morrer que tinha sido o autor do crime. O Estado pagou-lhe uma indemnização de vinte contos e mandou-o para a terra. Recordo-o como se fosse hoje. Um homem com dignidade e de poucas falas. Parecia um cowboy dos antigos filmes americanos, daqueles que nunca usam truques baixos quando lutam. Deu em beber e numa noite deitou-se no meio da estrada a dormir. Morreu atropelado.

manuelmelobento

quarta-feira, 2 de março de 2011

O ESTADO PORTUGUÊS NÃO É CAVACO, NEM SÓCRATES, NEM PARTIDOS POLÍTICOS

A uma população intelectualmente atrasada seguiu-se-lhe uma enorme vaga de gente instruída. Deveria ter-se observado uma outra espécie de comportamento global. Porém, isso não aconteceu. A Educação estatal procurou acabar com o analfabetismo nacional substituindo-o por uma nova cultura que imponha ao mundo um "homem novo" português. Dar-se um computador a um brutamontes sem o preparar para a sua utilização é um acto pouco inteligente. O que fizeram os governantes ou espécie disso que substituiram os salazaristas que tinham tomado o Estado quando foi preciso alterar a Lei de Bases do Sistema Educativo? Educação para todos! Está muito certo. Mas para educar bem precisa-se de bons educadores. Construiram-se centenas e centenas de estabelecimentos escolares. Faltavam pedagogos muito naturalmente. Os lugares de professores foram ocupados por gente pouco preparada e sem habilitação. Pessoas com o nono ano incompleto - antigo quinto ano dos liceus - chegaram a professores. As antigas universidades, que preparavam com certo rigor e que eram poucas, multiplicaram-se como bolor. E da mesma maneira com que se tapou os buracos no ensino pela falta de professores, as novas universidades arranjaram no tempo de um espirro doutores e sábios para ensinar. Imagine-se: ensinar futuros professores gente tecnica e pedagogicamente incapaz. Resultou deste destempero gerações e gerações de pobres diabos que perderam a noção do valor do desenvolvimento intelectual. Hoje, para substituir os verdadeiros intelectuais, surgiu no horizonte o tipo mediático. Expliquemo-nos. Fulano e fulano aparecem nas televisões e em caixas de notícias de revistas cor de rosa. Já está! Serve. Na semana seguinte nos seus cartões de visita lá está: Mediático/a da Lopes, Silva, Antunes, etc. Professor universitário. Mais, as universidades sentem-se mais prestigiadas com esses mediáticos, pois trazem nome, logo lucro. Mal entraram nas universidades começaram a distribuir doutoramentos à barda aos amigos. Depois agrupam-se como uma cadeia de mercearias. Já me esquecia que esses mediáticos até escrevem livros de grande êxito. Tendo por aliados os seus pares na comunicação social fácil é ver-se verdadeiros abortos catapultados para o mais alto vértice da pirâmide de onde os sábios e os velhos deuses do Olimpo se assentavam - salvo seja. O que aconteceu quando os antigos analfabetos foram obrigados a seguir esta espécie de labirinto de ensino? Aprenderam a ler e tão depressa o fizeram se ajeitaram nos empregos públicos. Coitados, não tinham outra saída. Resultado? Entulharam o Estado e seus serviços. O Estado passou a confundir-se com eles. Para fechar o circuito, o sistema democrático, que exige eleições, obriga-os a eleger os seus representantes. E quem são eles? Funcionários públicos de alta patente e que são escolhidos por repartições públicas que dão pelo nome de partidos. Não existem candidatos fora deste esquema? Existem. Uns são uma espécie de tolinhos bem intencionados, outros empurrados encapotadamente por partidos para baralhar ainda mais os pobres papalvos nos altos momentos da escolha daquilo que antigamente se dizia os nossos maiores. Compreende-se que não é fácil dar a volta a isto. Qualquer vitória sobre esta podridão será uma vitória à Pirro. Amanhemo-nos. A vida passa depressa e como dizia o anarca que fugiu logo atrás dos perseguidos salazaristas: o último que apague a luz.
PS: E o bom tempo que não chega. Queria ver se era dos primeiros a chegar ao Algarve e isso antes que chegue a marabunta pirosa que até tem casa permutada e que entope tudo por onde passa. Safa!
manuelmelobento