sábado, 11 de setembro de 2010

CARLOS CRUZ ABSOLVIDO




Algumas personagens têm tido mais sorte do que outras. Carlos Cruz é uma delas. Foi julgado (condenado e absolvido) na Praça Pública e na Praça Pública se defendeu.

Os julgamentos na Praça Pública têm juízes, procuradores, advogados de defesa, testemunhas abonatórias e de acusação, assistência, apupos e aplausos. Procuradores da República, Órgãos de Polícia Criminal, Juízes de Intrução, vestígios, indícios e produção de provas não faltaram para, conjugados, o incriminarem. Até ao intervalo desta peça aristofânica pós-traumática, o apresentador maior de Portugal (facto nunca desmentido pois ainda o chamam de Senhor Televisão) foi acusado, culpado e sentenciado). As provas incriminatórias eram tão fortes que se mantiveram. Como resultado: a condenação. Esteve ali, esteve acolá, disseram. Fez isto, aquilo e aquela outra, disseram. E disseram, disseram e disseram tanta coisa sempre dizendo. Os testemunhos em Portugal fazem fé em tribunal e não sem antes haverem passado pela fase de inquérito onde são organizados levam à condenação sem apelo nem agravo. Como não podia deixar de ser, não havia possível escapatória para Carlos Cruz!

2ª Parte da Peça

( A primeira parte desta peça é permanentemente acompanhada pelos "mídia". São eles que colocam na travessa das apetências do interesse público"os dados" que vão recolhendo)

"Carlos Cruz" é material de procura, compra e venda. E agora? Agora, ei-los - aprisionados pelos próprios meios - a ceder - não tinham outro remédio - a Carlos Cruz o espaço a que tinha direito.

E vai daí, Carlos Cruz desmonta aos olhos de todos - ajudado muito naturalmente por dois monstros sagrados do foro - a peça acusatória pedrinha por pedrinha.

Carlos Cruz demonstra que não tem o dom da ubiquidade (Não é Deus que se saiba), quando o acusam de estar ali ele prova - mas prova mesmo - estar acolá. Ah, esteve acolá! Acolá não, eis as provas! Portanto, não esteve acolá! Fez isto, acusam! Quem fez estava acompanhado. Muito bem, mas as companhias entraram em contradição. Foi em "Março", diz um. Foi em "Abril", diz a outra testemunha. Dúvida instalada. O processo testemunhal base do edifício penal português entra em pré-colapso. Beneficia o acusado é uma questão de " in dubio pro reo". E agora, com a dúvida instalada em vez de beneficiar o réu, beneficiam os acusadores. Não faz sentido. Cruz aproveita a seu favor. Quem não o faria? Cruz prova que as casas onde foi acusado de estar eram cenários adaptados para encaixarem com as acusações. Declarações dos construtores ilibam Carlos Cruz. E agora?

Carlos Cruz em frente às câmaras fez o que tinha a fazer: defendeu-se. E defendeu-se bem. Diga-se em abono do que foi dito que a ser julgado com as mesmas armas com que foi acusado se torna absolvido.

Nota - Como existe outro julgamento (com outros actores) e ainda não nos foi permitido lê-lo como sentença não acho bem pronunciar-me.
mmb

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

ANA MADUREIRA NO CORREDOR ASSOCIAÇÃO CULTURAL

Em exposição no
CORREDOR ASSOCIAÇÃO CULTURAL , Rua Guilherme Poças/Ponta Delgada :
"O vago soluço dos seres complicados" de ANA MADUREIRA
"...Deve falar-se da luta por uma nova cultura, isto é, por uma vida moral nova que não pode deixar de estar intimamente ligada a uma nova e clara percepção da verdade da vida até que esta intuição se converta num modo original de sentir e de encarar a realidade, intimamente conatural com as probabilidades artísticas e a possibilidade da arte para actuar."
in
GRAMSCi, António
a formação dos intelectuais
Colecção 70/1972
trad. Serafim Ferreira

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

JUIZ RANGEL - O CHARME DA ALTA




O Juiz Rangel

Não é que deu uma tacada bem forte no executivo. Falava numa estação televisiva, hoje dia 9. Pertence a um Órgão de Soberania! Critica outro Órgão de Soberania. O mesmo Juiz que na passada segunda-feira se "indispos" com o bastonário da Ordem dos Advogados por este ter dito coisas racionais num tom impróprio - eu também acho que Marinho Pinto devia ser mais maneiroso. Talvez utilizando como o sr. Juiz o charme da alta burguesia, naquele muito pertinente. O Juiz fez uma observação negativa de cariz político em público. Não sabendo qual a sua filiação, de certo não será rosa. Sem querer posicionou-se políticamente e, perdoe o meu raciocínio, dispos-se publicamente numa área partidária (qualquer que não a visada). É elementar, caro doutor. Esta não é a altura própria para uma assunção política - tudo é política - tão clara. Dirão os leitores que como só estava em causa uma crítica ao partido do governo seria lógico que a crítica não se alargava a mais quatro facções ainda existentes. Tudo bem, e por que não? Não é isto que está em causa! O que está em causa é uma atitude de cariz político que traz consigo uma postura antagónica entre os que representam esta República ao mais alto nível. Na minha opinião não passa de um erro. Muito grande, acrescento.

mmb

domingo, 5 de setembro de 2010

LANÇAR CÉSAR PARA APARAR ALEGRE






César, socialista dos Açores é, hoje, um dos poucos políticos que escapou à sanha circense da comunicação social. Isto é, ao tempo que ele governa a RAA, aquela nada tem a apontar-lhe a não ser sucessos sucessivos. O mesmo já não dizem os adversários políticos, porém, isso até é salutar num sistema democrático (ainda não muito recomendável). Há tempos, quando César ganhou pela primeira vez as eleições legislativas regionais, julguei-o mal pois comparei-o a outras personagens que com o andar dos tempos demonstrariam não terem a inteligência nem a apetência para líderes. César seria naquela altura a mente mais salutar dos quantos, de bicos nos pés, queriam autoproporem-se como actores e fazedores de futuros. Beatos e pagãos ao estilo das ilhas de bruma fechadas até ao mar, os seus competidores mais não tinha do que um visão parcelar do que era a vida público-política. César abriu os horizontes sociais muito mais do que Mota Amaral. É bom que se diga que Mota Amaral governou os Açores numa altura em que até os seus "amigos" da direita cristã lhe criavam todo o tipo de obstáculos. Por uma birra ou coisa mais séria, o líder social-democrata abandonou a meio a "sua" obra e escondeu-se na capital. Onde lhe atribuiram um cargo que é uma espécie de Óscar de fim decarreira para quem o esquife se prepara para receber com flores e circunstância. Deixou órfãos toda uma caterva de descabeçados, que habituados a não terem ideias se foram desmanchando pelas paróquias e pelas romarias. Mota Amaral tinha um número dois - Américo Viveiros - que num golpe de mágica se apossara de uns quantos órgãos de comunicação social. Uma espécie de Balsemão, mas de outras origens. Vi nele uma alternativa à chefia de Mota Amaral. Quer se goste dele ou dele se tenha reservas era natural que viesse a liderar o PSD/Regional. A Igreja e ele são uma espécie de compadres de sacristia o que lhe fornecia uma capa carmim pró suave beatificação ao gosto dos indígenas votantes. Mas, Natalino Viveiros perdeu-se. E perdeu-se por não ter optado por colocar o serviço público como primeira grandeza a alcançar. Olhou demasiado para si mesmo. E adeus! Muito tempo depois, os laranjas organizando-se refizeram-se à volta de Berta Cabral. Porém, perderam precioso tempo com a reformulação das hostes e estripanço das tricas internas.

Com este grande vazio de oposição, César teve tempo para criar uma espécie de Estado Novo-Social Regional . A Justiça, as Forças da Ordem, a Corrupção, o Desemprego, a Imagem dos Dirigentes, as Relações com a Igreja, o Compadrio, as Obras Públicas, os Abusos do Poder, etc., tudo isto está controlado por César de tal modo que se pode dizer que a Região é um exemplo em comparação com outros. Como é que César chegou a este ponto alto numa altura em que a imagem dos políticos é aquilo que todos nós sabemos? O que sei e estou apto a referi-lo, é que quando alguém mete o pé na poça leva um bilhete de ida sem volta que se vislumbre. Sai, simplesmente. Para governar e bem nada como uma opinião pública cordata, obediente e pouco reivindicativa. E há que dizê-lo: reivindicar o quê num país no estado em que está?

Sócrates, o mais chamuscado chefe de governo dos últimos 110 anos (10 anos mais para incluir João Franco) sabe que precisa como de pão para a boca de um socialista que resista às invectivas de certa comunicação social que se apraz em queimar tudo e todos - o mercado democrático assim o exige. A política de terra queimada contra esta esquerda portuguesa tem vindo a cimentar o carisma de Cavaco Silva - não se sabe onde o foi buscar (só se é por nunca abrir a boca) - permitindo prever-se uma derrota em grande estilo dos socialistas. Assim, sem outra alternativa para quebrar a descida das intenções de voto nas presidenciais e com Alegre entregue a deambulações mitológicas no universo dos Direitos, Liberdades e Garantias, Sócrates começa a empurrar César para torná-lo no escudo protector pós-presidenciais. Tudo leva a crer que Cavaco ganhe as eleições. Em seguida cai o governo e a consequente saída de Sócrates. O PS sem chefes carismáticos e impolutos - repito impolutos - precisará de mais um líder a prazo para se poder impor no deserto que se avizinha. Só César está nessas condições! César está para Sócrates como o Padre Cruz esteve para Salazar. É que enquanto o santinho viajava pelo país abençoando galinhas, perús de Natal, esta e aquela velhinha, Salazar lá ia governando também abençoado. Cairá César na esparrela? Para já ele diz que não.

manuelmelobento







quarta-feira, 1 de setembro de 2010

JUSTIÇA - PEÇO JUSTIÇA

Antes de ter ido para férias, pedi a entidades abstractas que levassem o prof. Carlos Queiroz a tribunal. Mais, que o condenassem. Assim, parece ser o que está ou vai acontecer ao seleccionador nacional. Fiquei muito satisfeito. Só espero que não demore muito para o fuzilarem. Já agora, peço também às mesmas entidades abstractas o favor de criarem o cargo de Ministro do Futebol para premear o actual secretário do Desporto. O homem merece.
Portugal é um país de asnos. O futebol é um desporto belíssimo quando jogado por equipas formadas por gente que gosta de pular, meter a cabeça à bola a fim de ela entrar numa baliza, e etc. Depois do jogo ter terminado ala tomar banho e beber uns púcaros. Isto é o que eu pensava que o futebol era. Quando deixei de jogar (brincar) e passei a ir assistir a jogos é que percebi que também eu era um grande asno. Gritava, chamava nomes feios a quem não pertencia ao meu clube. Até cheguei a chamar gatuno ao árbitro. Acabava o jogo e lá estava eu a comentá-lo e a exaltar-me com as minhas próprias análises quando em confronto com outros doentes. Pára, pára! Parei para pensar e pronto. Cheguei à conclusão que aquela actividade tinha de ter um certo espaço. Pelo menos a violência verbal também a ela se conjugava. Mas, nem meio mas, aquilo é assim. Por isso - e outras coisas mais - é que se trata de um fenómeno difícil de explicar. Não posso estar mais em desacordo com o que estão a fazer ao Prof. Queiroz. Assisti aos jogos e apercebi-me que os nossos jogadores - talvez dos melhores do mundo - borraram a pintura de uma selecção que tinha uma postura de dignidade voltada para o exterior e que tinha o dedo indiscutível do professor. Não jogaram à altura do que deles se esperava. No jogo crucial não foram felizes. Será isto o fim do mundo? Não, não será. Só os asnos da bola (alguns) querem arranjar um bode expiatório para pagar os coices mal dados numa bola. Só gente incapaz de preparar o futuro não se apercebe que é preciso corrigir os erros com os mesmos que erraram. Não proceder assim dá azo a que se recomece do princípio à escala zero.
Nota final 1:
o professor empregou termos futebolísticos - pouco dignos no salão das senhoras Sousas - que afectaram as meninas do controlo das drogas? Nada mais simples! Aplique-se a lei. Multa, prisão remível? Tudo bem. O professor impediu que se cheirasse o chichi dos atletas? Rua! Olho da rua! Não foi isso que aconteceu! E então? Então, ora bolas a questão para alguns é quererem fugir ao que combinaram contratualmente, isto é, nada de cacau para o seleccionador. O professor tem uma imagem a defender e cacau a receber. É o outro lado da questão.
Nota final 2:
Temos jogos de apuramento da selecção com o seleccionador suspenso! Bem, vão-se lixar.
Nota final 3:
Sinto-me tão bem neste papel importantíssimo de comentador da bola. Uau!!!!!!!!!!!!!!!
mmb

terça-feira, 20 de julho de 2010

O QUERIDO SENHOR PADRE

O Arcebispo muda o pe. Lopes. Elas e eles histéricos revoltam-se. Uma fiel paroquiana ameaça ir fazer queixa ao Padre Santo que vive em Roma. Querem o padre no seu lugar. Aí é que ele faz falta. Eu que até nem sequer sou ateu - são coisas de humanos - fico parvo. Sim, sou demasiado ignorante para poder perceber o fenómeno em Portugal. Este é o meu país em pleno século XXI. Depois de uma revolução ou espécie que correu com um grupo poderoso que ao longo de quase 50 anos escravizou, estupidificou e paganizou um povo ingénuo verificar-se uma cena destas dá para pensar. Melhor, chorar. Para que serviu os milhões gastos na cultura e na educação? Para nada! Ninguém é culpado. Os fascistas ou espécie não são culpados. Contra a natureza nada a fazer. Melhor, provocar o aborto. Para quê se ele aí está em toda a força. Oh, como eu gostaria de ser pagão para poder gritar pelo meu padre. Ámen!

mmb

sexta-feira, 2 de julho de 2010

QUEIROZ: CULPADO! ENFORQUEM-NO!


Interrompo este período de férias ad mortem para denunciar o seguinte:
foi encontrado o culpado de todas as nossas desgraças.
Eduardo - o mamífero voador - defende à primeira o tiro do espanhol. Na recarga, a bola quase batia na barra transversal. Foram dois centímetros e sete milímetros de barra alta. Golo da Espanha. O tempo corre e Portugal não recupera. A bola escorrega entre as pernas do Ronaldo e foge do bota-golo. Cris vai para ali! Carlos, assim não ganhamos! Perdemos. Cento e dois comentadores acusam Queiroz de não saber nada de futebol. O professor tem tudo apontado. Recebe relatórios dos médicos, dos massagistas sobre o estado dos jogadores. Actua cientificamente. Não serve!
A minha opinião que também sou treinador de sofá, eis as razões por que perdemos:
1 - porque razão não foram em peregrinação a Fátima antes de partirem para África?;
2 - porque razão não ensinaram o Ronaldo a cantar o Hino Nacional?;
3 - porque razão Carlos Queiroz não mandou medir a altura da barra?;
4 - porque razão não houve vinho tinto em profusão nas refeições dos heróis?;
5 - porque razão não houve acompanhantes de luxo para os jogadores descarregarem o potencial
sexual acumulado pelo retiro impensável no século XIX?;
6 - porque razão os jogadores não votaram secretamente a formação da equipa?

Resumindo: foram apenas dois centímetros e sete milímetros que transformaram o panorama desportivo num desastre nacional. Levem Queiroz à barra do tribunal. Aproveitem agora que a Casa Pia está no fim.
mmb