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segunda-feira, 30 de julho de 2018

A velha Alfama e os novos fadistas

Havia uma dita esquerda que tomou o poder em 2015, aproveitando a composição da Assembleia da República e inspirada, por certo, em experiências de países nórdicos. O Partido Socialista embora chamuscado por suspeitas de alguns dos seus mais altos representantes tinha como almofadas éticas o Bloco de Esquerda e o reputado Partido Comunista Português. A era socrática foi taticamente relegada para um plano onde o PS era um dois que tinha tido a habilidade de se decompor colocando os seus suspeitos de má gestão governativa num um que se debatia com os tribunais da opinião pública por um lado e por outro enfrentava  o peso da Justiça do quarto órgão de soberania: os Tribunais.  O outro um,  é o um do PS de António Costa. O tal que tem duas almofadas de grande mérito ético-político e que aos costumes da tradição disse nada. Quer dizer, tinha, pois o que se passou com a pretensa especulação imobiliária  originada por um alto  bloquista com grandes  responsabilidades no Partido que dá pelo nome de Bloco de Esquerda, vai contribuir para destruir o status quo que dava pelo nome de geringonça. A geringonça morreu. Robles matou-a! O Partido Comunista já ajuizou a situação e pela voz de Jerónimo de Sousa disse do BE o que costumavam os comunistas dizer no tempo do PREC aos extremistas imberbes. Com uma direção como esta se encontra, o BE sujeita-se a ficar a falar sozinho no hemiciclo e na rua. Para o PCP nada de acordos que isso pode afetar o seu eleitorado. A direção do BE num momento de  pânico deixou de raciocinar e numa de grupo ético após uma má ação fechou-se em concha. Nem Francisco Louçã, nem Catarina Martins, nem a Mariana Mortágua se aperceberam do que aí vinha. A comunicação social não vai deixar de vasculhar tudo e todos os intervenientes do negócio Casa dos Robles. Naturalmente os manos não estão sozinhos nas facilidades com que o negócio se fez; o que vai  levantar suspeitas que originarão, certamente, investigações policiais. O senhor Robles acabará por ter de responder perante a Comissão de Inquérito Parlamentar. Outros o foram por muito menos. Que espetáculo teremos quando a diligente Mortágua questionar o seu companheiro de tanta luta contra os patos-bravos que enxamearam ministérios e edilidades e que se pavoneiam com os seus topo de gama e palacetes por esse país fora? O PS ainda não percebeu a parte que lhe vai tocar do efeito Casa dos Robles. Não entendeu  e só vai ter consciência disso quando o eleitorado o punir em sondagens. Catarina Martins foi sempre uma voz sólida mas por mais que quisesse descolar do PS viu-se sempre a ter de o apoiar porque as suas políticas eram impraticáveis e só como  infiltrada poderia obter algumas vitórias. Isto é, vitórias do PS que chamou suas. Agora com o apoio à bronca do senhor Robles e mana ela perdeu toda  a credibilidade. E isso é mau para o partido. Virá para  as arruadas com o bombo? Acho que não devido a que o barulho do bombo iria despertar as mentes dos que se sentiram enganados. Virá o Bloco para a rua sem bombo? Catarina sem bombo? Não estou a ver! Catarina Martins e Mariana Mortágua deviam pôr os seus cargos políticos à disposição? Deviam?, porém, o BE ficaria nu de todo. Sem estrelas de primeira grandeza qualquer partido esfuma-se. Depois há aquela coisa de o senhor Robles não pensar em demitir-se e logo a dona Catarina abençoou-o na postura. Claro que o arcebispo de Mitilene também o abençoou, mas esse anda por aí e já se deixou disso. Disso de política ativa de cúpula. O PSD de Rio (há outro) começou a tomar fôlego na Madeira. Rio anda a estudar a tática de Anibal Barca para conquistar a sua Roma. Com o PCP para um lado, com o BE para o outro, com o PS mais sozinho que o Leão da Metro, Rio sem grande esforço assume-se como o próximo inquilino de São Bento. Parece que estão todos a trabalhar para ele. Mesmo os adversários... Até se contabilizar o rombo que a Casa dos Robles fez no mundo político continental - que isso das ilhas é outra conversa - é natural que o eleitorado pare para pensar. O eleitorado português parar para pensar? Há sempre uma primeira vez para tudo...

segunda-feira, 23 de julho de 2018

A Cambalhota, a Geringonça e os aFIFAS

Começo pelo último: mas a que grandes paneleiros da FIFA está o futebol entregue. O que eu chorei de tanto rir, foi quando o senhor Trump, alto, forte e branco quebrou o protocolo quando ia atropelando a velhinha que foi sogra de Lady Di, numa cerimónia lá para os lados da Velha Albion. A dona Isabel Segunda, com a proveta idade de 92 anos devia deixar  de trabalhar. Deixe essas tarefas  para o seu filho Carlos  - que vai fazer 70 anos sem nunca  ter tido o prazer de  trabalhar. À espera que morra estão as funerárias  e as televisões que já compraram os direitos de imagem. Que carreta levará sua Majestade? O príncipe Filipe irá primeiro que ela? Os apostadores já estão no terreno. O que eu chorei de tanto rir ao relacionar o cumprimento do nosso Presidente (todo dobrado à servível e a beijar-lhe a mão) com o relaxamento e descontração do Chefe Oval (nos EUA houve um chefe índio, de nome Búfalo Sentado, que tinha mais maneiras em cerimónias de escalpe a brancos...). Os aFIFAS se calhar queriam que as câmaras de televisão mostrassem os traseiros dos jogadores. Acho que a Sociedade Gay (que eu respeito) devia correr das suas fileiras com esse tipo de panascas que dão má nome a diferentes orientações sexuais a que todos têm direito a aceder conforme a sua consciência ou desejo. A Geringonça afinal não vai dar nenhuma cambalhota. O que se passa com o PS, o BE e o PCP é o mesmo que se passa com a Função de Onda. Sabe-se (sabem os cientistas que eu não estava lá) que sem se meter o bedelho, nela onda, que ela é composta por onda e partícula. Quando é observada, é o Diabo, pois só damos conta da existência da partícula ou da amplitude e não ambas ao mesmo tempo. Eh pá, podem ler o Luís Alcácer, que este moço explica tudo direitinho (1). Quer dizer, o Triunvirato que nos governa anda em parte incerta mas tão depressa os seus componentes são chamados a opinar é o Diabo do senhor cientista Alcácer. O senhor Centeno não entra com cacau para os professores, por exemplo, porque isso mexia com as miudezas do Orçamento. Mas que porra!, logo a seguir berram o senhor Jerónimo de Sousa e a dona Catarina Martins que não e não. Quer dizer, não dá direito a cambalhota. Cada um por si. É a tal Função de Onda. Olha, olha, onde está o senhor António Costa quando os dois são medidos pelas suas intervenções? Que responda o senhor Schrodinger mais o seu Gato. Está vivo ou morto, que é o mesmo que dizer que está em moeda ao ar. Só quando cai é que sabemos se é cara-Costa ou coroa-Jerónimo-Catarina. Aguardemos as próximas eleições e até lá contentemo-nos com as sondagens. Também quem não quer dar cambalhota são os parceiros da direita. A dona Cristas foge (para a direita) a sete pés do senhor Rio, que coitado anda à espera de uma grande encomenda de DUM DUM para desinfetar as residentes carraças que teimam viver  na ilustre casa de Sá Carneiro. Dá a ideia que há dois partidos social-democratas. Um que está na grande Casa do Povo, onde os eleitos se parecem com as lapas quando a maré está baixa, o outro é como quem diz:  circula num comboio do tipo privado. Mais uma Função de Onda? Não sei, não estava lá. O que se disse nesta estação do ano aloucada é quase o mesmo do que se disse (disseram) o ano passado. Também não exageremos, que os incêndios estão mais calmos e ainda ninguém se queimou.

(1) - Luís Alcácer, O Diabo no Mundo Quântico, Gradiva-2013

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Período de férias

Até dia 24 de Julho .

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Margarida Augusta Pétala detesta Vasco Pulido Valente


A criada Vicência ao telefone:

- Ó Menino, venha depressa que a Tia está hoje de todo.
- Mas o que é que se passa, senhora Vicência?
- Só lhe posso dizer que ela estava a assistir a um programa de televisão quando começou com tremores e a falar alto, repetindo vezes  sem fim a palavra intriguista. Depois, virou-se para a sua garrafa preferida e, pronto. Ai Menino, que vida é esta a minha!
- Tenha calma que vou dar um salto até aí depois de tomar o meu cafezinho.
- Deus o ouça meu rico Menino.
Mas que merda, pensei eu. A velha já fez testamento deixando tudo para a Igreja e é a mim que me vêm chatear. Os vinténs que lhe saco nem  dão para uma massagem das rabudas que se fazem anunciar no CM.

A Tia Margarida Augusta Pétala encontrava-se estirada na sua causeuse, herança do Padre Clemente, confessor caseiro e homem tido como fazedor  de milagres mentais. Curara uma das suas parentes que ficando tão contente por ele lhe garantir o Céu, lhe passou o sofá  e uma série de ações de banco. O Pai da Tia Margarida Augusta comprou-o à irmã solteira que vivia na Rua da Madalena. A Tia Margarida Augusta adorava aquele móvel porque intuía que nele o Padre Clemente e a parente chegada, enfim, comiam-se. 

- Olá Tia Margarida Antónia Augusta Pétala (a Tia adorava ser tratada assim porque isso a elevava de classe. Para ela tratava-se de uma antecâmara da aristocracia de bairro e para mim valia-me um envelope com espessura).
- (Em voz alta) Aquele intriguista pôs-me doida!
-Mas...
- Nem mas nem meio mas. Bem dizia o Padre Manuel Antunes em surdina que ele não devia ter cursado Filosofia, mas sim História das Intrigas e quando soube que ele tinha ido para Inglaterra doutorar-se em História ficou muito preocupado.
- De quem está a Tia Margarida Augusta a falar?
- Daquele que usa o nome artístico de Vasco Pulido Valente...
- AH! O Padre Antunes disse isto?
-Sim, e justificava que esse Vasco não tinha saída como filósofo porque não sabia o suficiente de Grego nem sabia interpretar os Clássicos dado que não  sabia também interpretar pensamentos profundos. Apresentava carência deles. 
- Trata-se de um grande cronista.
- Só escreve intrigas condimentadas com factos históricos. Fala mal de tudo e de todos, chegando a falar mal dele mesmo. 

Para não a contrariar, o que podia significar envelope vazio, deixei-a vomitar os ódios todos que nutria ao senhor professor doutor.
- Percebes agora, porque ele não tentou doutorar-se em Filosofia. Não percebia patavina! Fugiu de Platão como o outro do chouriço. Disse que o António Costa era uma espécie de diretor-geral. Ele que foi um obediente e precário deputado e que tendo tempo para se revoltar em São Bento saiu de lá com o rabo entre as pernas e calado que nem uma múmia. Só berra nas colunas dos jornais. Chegou a secretário de Estado de Sá Carneiro. Nem uma letra sequer acrescentou ao alfabeto. Apoiou Mário Soares. Colaborou com o Papiro Engomado...
- Papiro Engomado?
- Sim, o Paulinho das Feiras quando dirigia o Independente! Ninguém escapa àquela boca pantanosa. O que ele disse do Sócrates lusitano. Que tinha chegado a primeiro-ministro por ser bonito e ser comentador de televisão. Ele mentiu acerca do José Sócrates porque esqueceu o percurso político dele. Dentro do PS ele foi um ganhador até chegar a deputado onde se distinguiu. Foi secretário de Estado. Depois ministro e finalmente primeiro-ministro. Mais, atingiu pela primeira vez uma maioria absoluta socialista coisa que só Cavaco Silva tinha conseguido no PSD. Ele tem inveja do percurso do Sócrates. Sócrates é um belo homem ao passo que o intriguista Pulido mais parece um manuscrito fossilizado que fuma como uma velha da tabaca rodeado de livros amarelos. O inventor da geringonça que foi para Oxford  à custa da Fundação Calouste Gulbenkian, a fundação dos apadrinhados, afilhados e outros rendeiros, passa a vida a ver televisão para poder escrever crónicas onde mistura a sua língua viperina com os romances de Eça de Queiroz. 
-Uf, Tia Margarina...
- Cala-te e ouve! Queres comparar a oralidade de José Sócrates com os gagueios desse Manuscrito Fossilizado? Que raio de historiador é ele que se atreve a falar da Polónia sem ter estudado a fundo a sua história e o genocídio a que foi sujeita devido aos crimes da Wehrmacht e dos assassinatos ordenados por Estaline.  Os polacos ficaram reduzidos em certos momentos da sua História a uma classe única. Tanto alemães como russos decapitaram as elites políticas e militares. 
- Olhe Tia Margarida Augusta, acabei de comprar o último livro dele...
- Cala-te! Esse livro foi escrito no século passado. "O Fundo da Gaveta" serviu para ele cobrir dois anos em que se refugiou longe das colunas dos jornais onde "brilha" pelo desprezo que despeja sobre os seus concidadãos. Ele disse tanta asneira na entrevista que concedeu ao delicadinho Vitor Gonçalves que até me fez pensar que ele estava a fazer a digestão. Falou da união do povo português. De uma nação que tem novecentos anos. Que eu saiba desde Afonso Henriques que a "nação portuguesa" está dividida e em pé de guerra. O grupo desse rei "brigava" com o grupo da mãe. Mais tarde o grupo do Mestre de Avis contra o grupo da filha legítima de dom Fernando. O grupo dos portugueses que apoiavam Filipe II de Espanha contra o grupo do dom António. Saltando pois não tenho aqui nenhum compêndio à mão, as guerras civis entre o grupo de Dom Miguel e o grupo dos liberais (desde 1808 até 1851 que os portugueses se andaram a matar uns aos outros). Depois, acho eu, as lutas entre monárquicos e republicanos que durou até 1926. Depois, a ditadura militar do Estado Novo que uniu à força todos os lusitanos e os Heróis do Mar. Em 1976, Portugal era dois. Com o dinheiro da União, o país voltou à praia. E neste momento temos os que assaltaram os dinheiros do Estado contra os novos pobres. Naquela cabeça, que cheira a papiro encardido, Portugal é uma nação unida. Que raio de doutoramento em História tirou ele na terra dos casamentos reais! Olha, se queres saber mais coisas íntimas dele, telefona para aquela senhora que tem tudo na ponta da língua...
- Quem?
- A dona Filomena Mónica!  Olha para o que ela disse dele no seu "Bilhete de Identidade" e que o irritou tanto. Havia mais coisas para dizer contra aquele homem que me tira do sério. Mas deixo isso para os socialistas. Só te digo que quem diz como ele disse : "...sou muito mau com pessoas e nunca teria progredido num partido." só pode ser levado a sério quando o propuserem para o Panteão dos almoços e jantaradas. 

sábado, 16 de junho de 2018

Só na América os europeus que "ainda" não eram americanos dizimaram 500 nações índias. Quantos crimes nas nossas consciências?


E Portugal? Vou deixar para o fim... 

A Bíblia, uma espécie de Código Sexo-Sócio-Penal proveniente de experiências religiosas, políticas, sociais, económicas, psicológicas, etc, de uns tantos pastores nómadas, habitantes de desertos orientais que sofreram vislumbres mitológicos distintos dos do consumo da época e que saltou  para a Europa e arredores sendo adotada por esta  à falta de melhores respostas sobre as amarguras e profundezas humanas. Tem barbas com milhares de anos que até custa somar. Ele era profetas adivinhadores (uma espécie de bruxos de Fafe mas com compridas barbas), ele era um recolhido em açafate nas águas do Nilo  e que veio a manter uma conta-corrente com um deus único criado à medida das suas necessidades para espanto das gentes e que com ele mantinha um gabinete de  consulta para tudo e mais qualquer coisa. Ah, até emanava dos céus receitas de cozinha, amores e etc. Nessa Bíblia pode ler-se que quando o deus se zangava mandava aniquilar inimigos a torto e a direito. Nessa Bíblia, considerado Livro Sagrado, já se falava em escravatura. No Génesis (parte dela), Abraão ter-se-ia servido sexualmente de uma escrava da própria mulher. Quer dizer os nossos códigos de conduta e de "justiça" vêm desde há muito estruturados pelos ditos dos sábios do deserto há muito escritos em papiros. Matar e escravizar tornara-se um hábito. Todos os povos que se organizaram por meio de guerras (haverá outros?) acabaram por se habituar a matar e a escravizar gentes. Nem mesmo com as conversas suaves de um outro profeta que apelava ao amor, os povos europeus se  submeteram às suas orientações de vida. Refiro Jesus chamado o Cristo. Homem bom e com um sentido muito diferente dos seus patrícios. Tão bom e justo que acabou por o colocarem num altar catapultado em divindade. Foi assassinado por judeus que não gostaram de o ouvir. Quer dizer, por onde quer que me vire é só mortos e mais mortos, umas vezes por ganância outras por sobrevivência. Só que, e aqui é que a porca furou o pico, matar e escravizar tornou-se numa espécie de prática moral. Vejamos o atual exemplo americano. Basta ver as séries que os americanos fazem sobre a sua própria e atual História para percebermos que os seus maiores cometeram e cometem tantos crimes de homicídio quantos cabelos de barba tinha dom João de Castro lá para os lados do século XVI. Ele é mandar matar tudo que mexa em certos territórios em que o amor por eles seja duvidoso, mesmo que o alvo  esteja acompanhado  com crianças e mulheres indefesas. Matar a sangue-frio, diga-se em abono da verdade. Em nome de quê? Já não sei. São os próprios americanos que exploram as causas. A maioria das causas é construída por interesses duvidosos. Matam enquanto a Sociedade das Nações (hoje, ONU) faz versos. Convém esclarecer que os americanos nos crimes históricos que cometem sobre a humanidade de uma certa região são acompanhados pelos seus cúmplices europeus. Como são os mais conhecidos são eles que arcam com as culpas. E os europeus? Bem, também a História não os poupa. Milhares de anos a matar e a escravizar e a comercializar africanos. Alemães e belgas foram de uma grande bestialidade chegando a praticar genocídio oficial. Existem reportagens fotográficas dos seus "feitos". Franceses, espanhóis e portugueses embora não praticassem o genocídio oficial têm nos seus curricula milhares de mortos e escravidão ferocíssima  sobre toda a espécie de povos que foram encontrando, mormente os africanos. Estes foram as suas maiores vítimas. Os árabes estão inocentes destes crimes de escravidão? Não, não estão! Foram também eles fornecedores de mão-de-obra escrava. E quando em guerras foram vencidos também se  tornavam escravos. Quer dizer, não nos podemos voltar para qualquer ponto cardeal sem esbarrarmos com o impensável. Alguns portugueses estão preocupados com a realização de um futuro Museu das Descobertas. Sim, é de estarmos bastante preocupados porque heróis cantados nas creches  e escolas e mesmo em universidades passariam de um momento para o outro lado. O lado dos maus. Continuar a "estudar" a nossa História tão recheada de boas interpretações ou procurar mostrar a outra face? São esses "criminosos" e seus feitos a quem chamámos egrégios avós e que construíram o Portugal dos compêndios é que devemos transmitir aos nossos descendentes? Façamos como os americanos: Segurança Nacional. fica tudo em família. Isto é, os mortos e os vivos. A SIC apresentou em madrugadas seguidas um programa realizado por americanos que dava pelo nome de House of Cards. Confesso que em algumas cenas eu perdi-me a rir. O Presidente dos Estados Unidos contrariado pela sua Secretária de Estado em assuntos muito delicados para ele e que o poderiam levá-lo a demitir-se, pura e simplesmente empurra-a pelas escadas abaixo esperando que a poderosa  mulher morresse da queda. Antes, em capítulos anteriores, ele mata com as próprias mãos um dos seus conselheiros para a Segurança.  Embebeda-o e depois intoxica-o. Também a mulher do Presidente catapultada para a Vice-Presidência e que dorme com o amante na Casa Branca num quarto à parte,também comete um assassinato na pessoa do mesmo. E por que o faz? Porque o amante vai escrever um livro biográfico onde iria relatar os homicídios do marido. Esta série não é realizada por iranianos. Esta série é da responsabilidade de americanos. É ficção? Sim, deve ser. Porém, eu ainda tenho presente na memória o video real que mostra o assassinato ao vivo de Bin Laden por uma força de fuzileiros. A ordem para matar veio diretamente da Sala Oval. Bin Laden é morto estando na cama a ler um livro. Não consegui saber se se tratava de O Alcorão. Era uma atenuante para o crime? Não sei! Não estava lá. Só sei que deviam levá-lo a julgamento como o fizeram aos genocidas nazis em Nuremberga. Se fosse em Portugal, respeitar-se-ia a presunção de inocência. Eis porque somos muito mais civilizados (penso eu). Se cometemos crimes no passado remoto ou menos remoto que ainda paira sobre as nossas cabeças, devemos ou não mostrá-lo ao Mundo através de um Museu que trataria (em verdade e rigor por princípio) a morte, a escravatura e a nossa participação nelas em cumplicidade com alemães, ingleses, franceses, belgas, americanos (da América independente), indianos, espanhóis? Um Museu do tipo psicanálise ou uma farpa permanente na consciência nacional? Espero já não andar por cá porque isso  chatear-me-ia a molécula que é como diziam no meu tempo os que fugiam às aulas daqueles chatos que sentados nas mesas do magister dixit pregavam, pregavam e pregavam sobre espadas enormes nas mãos de homens medonhos a quem Jesus Cristo abençoava com os dedos em V e enfaixado em nuvem  branca. 

segunda-feira, 11 de junho de 2018

O "10 de Junho" em São Miguel com pouca festa e muita marcha

Que as Forças Armadas precisam de recuperar o antigo prestígio, nada mais correto tendo em conta o envolvimento de muitos responsáveis da democracia portuguesa nos negócios do Estado que desprestigiam a Nação e que estão sob a mira da Justiça. Porque os políticos honestos não conseguem reformar o Estado por via dos escabrosos compromissos partidários, é hora de termos uma instituição centenariamente credível (quase milenária) a quem recorrer física e psicologicamente. Que serviço  prestaram as Forças Armadas (e bem apetrechadas) ontem em Ponta Delgada? Numa época de Paz e Turismo, paradas militares à Kim Jong-un? Não faz sentido. "Nós escolhemos a Paz e não a Força", disse Marcelo, o Presidente beijoqueiro rodeado de fardas em marcha machista, cruzadores, contratorpedeiros, couraçados, aviões da Força Aérea (*). As Forças Armadas são mais úteis no território continental. É no Terreiro do Paço que elas deviam desfilar e onde "Os Comandos" mais outras forças especiais de respeito deviam dar os seus tenebrosos urros patrióticos. Porque é aqui, no continente que o País terá de enfrentar os inimigos internos de Portugal que o estão entregando aos poucos ao capital estrangeiro através  de uma sangria incontrolável da riqueza criada por todos. É aqui, no território europeu, que as Forças Armadas devem permanecer no seu todo. Bastava uma Banda de Música Militar bem composta, abraços, beijos marcelistas e muito fogo de artifício para que os micaelenses fiquem bastante satisfeitos e mornaçosos. Com tantos contingentes militares há que dar uma explicação política, até porque se sabe que existem independentistas nos Açores, mormente em São Miguel, o que seria tomado como caricato  aviso de força. Para os micaelenses, empregados e/ou subsidiados e de barriga cheia, bastam dez Guardas Republicanos em estádio de pré-reforma para os conter de qualquer tipo de espirro. Os verdadeiros separatistas partiram, há que tempos, para as terras do Tio Sam. Alguns ainda vivos outros nem tanto. E onde vivem esses separatistas na América? Em New Bedford, Fall River e arredores!  Porque, então, em Providence (longe como o raio dos aglomerados suspeitos açorianos)  foi o governo de políticos (já sem as Forças Armadas para os enfeitar e fortalecer-lhes o respeito perdido por outros) botar faladura de saudade e outras lamechices com que insistem em unir os portugueses e seus descendentes? Receio de que lhes borrassem a pintura? Creio que sim! Com certeza, que com estes dois cenários muito bem controlados  tudo iria correr pelo melhor.  Até porque foi criado no Estado de Massachusetts o famoso "Comité 75" pró-separatista onde estão incluídas as cidades de New Bedford e Fall River e outras inclinações. Providence, onde os políticos portugueses foram em embaixada da ex-Raça e de boa vontade, pertence a outro Estado, o de Rhode Island. A percentagem dos portugueses e seus descendentes é aqui muito baixa. Compreende-se os pruridos dos altos dirigentes. Enfrentar os problemas? Nada disso! Controlá-los isso sim. Ou OK como lá se diz. Dos Estados Unidos chegam-nos imagens de Marcelo, beijos e selfies. Foi muito diferente da austeridade com que percorreu as antigas vias de Ponta Delgada. Muito à antiga, contraído em pé num aberto gipe militar, nada de selfies; momento  sério demais para esses devaneios. Pelo contrário, o momento deve ser de alegria e descontração para nos unir e não nos pôr em sentido. A CIA deu um jeitinho? Ela mete-se em tudo...

(*) - Não me apercebi da presença dos submarinos que foram comprados na Alemanha.

PS: Por favor não provoquem o Mr. Trump. É que com a guerra comercial que se adivinha entre a União Europeia e a América ele é capaz de se "meter" nos Açores.


terça-feira, 29 de maio de 2018

AH, que prazer de morrer: abre as pernas querida Eutanásia

Estou perto dos oitenta anos. Segundo o cardápio das funerárias eu estarei à vez. E não é que um dia destes recebo um telefonema  esquisito de um agente daquelas empresas a perguntar se eu não queria fidelizar-me num sistema de pague agora aos bochechos e morra depois sem estar a chatear a família depois. Não obrigado! Só que depois pus-me a pensar, e por que não? Passar-lhes dinheiro para as mãos? Não vou nessa porque se a funerária falisse lá ficava eu de rabo ao léu numa praia qualquer. Ainda se fosse a Praia dos Cães (isto é para dar um certo cunho de cultura...) Bem, então comecei a separar uns trocos para poder custear o meu próprio enterramento. Eu sei que como fui funcionário público terei direito a um subsídio de funeral. Com estes empresários que nos governam, foda-se! Sei lá se quando me faltar o ar não tenham arranjado mais uma lei para me comerem aquilo que resta de um direito que tinha adquirido e que era o de morrer bem, pois "levava" comigo seis vezes o valor da reforma. Belos tempos de morrer que já não voltam mais.  Bem, vamos mas é a coisas práticas antes que morra de uma apoplexia como qualquer cónego cosido e cozido pelo nosso querido e superior Eça. Ora deixa cá ver. Vou começar por transcrever um pequeno trecho de "O Crime do Padre Amaro". Meu intróito: o sacana do pároco Amaro Vieira estava já muito guloso em relação à Amelinha, moça bonitota e apetecível como qualquer rapariga do Cancioneiro Açoriano: 

Toda a moça que é bonita
que ela chora que ela grita
nunca houvera de nascer.
É como a maçã madura
da quinta do padre cura
todos a querem comer.

Nesta história é o pároco que a come ou é comido e depois lá mais para diante acaba ela por morrer mas não por causa da Eutanásia. Tratou-se de um aborto, penso eu que ainda não (re)cheguei ao fim e a memória já está seca como a areia dos desertos. 
Vamos então ao Eça (Ed. Porto Editora - ISBN 978-972-0-04963-6):

"... Recordou o seu pé, o bocadinho da meia que vira quando ela saltava as lamas na quinta, e essa curiosidade inflamada subia pela curva da perna até ao seio, percorrendo belezas que suspirava..." 

Ah, desgraçado! Mas que diabo tem a ver esta história mal contada com a morte assistida? Calma, não sejam estúpidos! Viver é uma coisa que sabemos bem o que é desde que nos entre o ar pelas goelas e pudermos pôr o nosso cérebro a raciocinar. Voltemos ao pé da Amélia. O padre Amaro era um perfeito asno! Coitado. Vai do pé ao seio sem parar na exploração congeminada da cloaca da sua desejada que ficava a meio caminho. Para ele ainda era coisa sagrada ou então nunca vista. Se, nos dias de hoje, Amaro fosse a uma praia das nossas havia de ver os rabos das queridas tapados com um fio elétrico, o que permite deduzir ranhuras ou coisas parecidas. Ora, coisas da vida até podemos inventar porque está ao nosso alcance pensá-las. Na vida temos de tudo. Sobretudo desejos. E quando os alcançamos, ui que coisa boa. Esta cena do padre Amaro, o desnudamento das moças pelo verão, os banquetes congestionáveis, as bebedeiras, as saborosas  relações sexuais fora dos Mandamentos da Lei do senhor Moisés, todas estes classificados são coisas a que nos podemos agarrar pois são coisas da vida. E onde entra aqui a questão da Eutanásia? Primeiro, de que se trata? Mandar um gajo para o Outro Mundo - assistido - sem que ele perca a dignidade? Sem que ele sofra dores atrozes? Sem que ele se borre todo em merda para que  terceiros lhe limpem o buraco expedidor? Um desgraçado que nem possa meter à boca o conduto que lhe permita continuar vivo? Um pobretanas que se esquecera da utilidade de um pénis e que de um momento para o outro começa a ficar admirado por ele projetar, melhor pingar um líquido amarelo a que as avós chamam de chichi quando os netos o despejam  nos seus colos? E quanto às mulheres? Como não tenho clitóris, deixo isso para discurso feminino. Mas continuando: sentado numa cadeira para toda a vida ou sujeito a intubação  numa cama de uma instituição hospitalar ou num lar de  amontoados sem se poder mover? Andar um velho como eu ou um dependente com fraldas todas cagadas à espera que alguém o venha limpar e a sofrer comichão interminável? Estar em casa deitado e só   sem se poder mexer enquanto a família vai trabalhar para trazer o pãozinho para o bucho? Não ter ninguém que o acompanhe no silêncio interrompido pela dor dos gemidos? São tantas as desgraças que um pobre Diabo ou pobre de Cristo está sujeito no fim da vida ou no Inferno das dores que eu digo: matem-me! Matem-me pela alminha dos seus! Espera, espera! Não se arranja por aí uma droga para que antes de partir me possa fazer  confundir a morte com uma boa foda (não tenho outra palavra de momento, pois estou a ver  a morte pela minha frente, não como o pateta do Amaro olhando a perna composta de Amélia, mas como a entrada nos meus lençóis daquele borracho sueco que vi na praia da Manta Rota e que nunca mais saiu da cuca). Estou num hotel a tentar dormir e eis que de repente, ela toda despida de roupa e de preconceitos se deita em V e diz-me despacha-te que há mais gente para morrer. Não gosto de pressas, mas lá vai disto. Matem-me, grito eu com todas as minhas intenções. A todos aqueles que julgam que não se deve contrariar os desígnios de Deus e que se deve chupar o tutano da vida  até à toca; a todos os que preferem viver como um vegetal mal cheiroso; a todos aqueles que optem por viver num Inferno de dores e desconforto; a todos aqueles que sonham de olhos fechados, pois que lhes seja dado o direito de "viver".  Cá por mim, que venha a dona Eutanásia e se possível que ela seja loira, mulata, negra, porém novas e que estejam todas depiladas e despidas, como manda a moda de agora. Passem-me já a pomada (*) e adeus sem pensar  no meu regresso. Aliás, não desejo regressar. Só se fosse para leão no Serengueti. Vá lá...

(*) - Droga que faz confundir a morte com um ato sexual de relevo.