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sexta-feira, 6 de abril de 2018

A Cultura e a padinha do costume e o inocente Poeta Ficcionista Luís Castro Mendes

O Teatro espicha, a Música atrofia, a Dança espreme-se, as Livrarias afogam-se, Os Jornais liofilizam-se, as Revistas  esboroam-se,   a Pintura apadrinha-se, a Escultura esmifra. Refiro-me a áreas de Cultura como sendo a rigorosa raiz de desenvolvimento. Outros aspetos culturais como sejam revistas do coração, jornais de escândalos, etc.não são para aqui chamados dado que são derivados comerciais a que não faltam as clientelas pagantes. As despesas para a CULTURA que o Estado tem obrigação de cobrir não podem estar nas mãos decisórias de políticos cuja orientação obedece a diretórios partidarizados e cuja finalidade é ganhar eleições.  Trocando por miúdos, isto é, ou se "cultiva" um povo secularmente imbecializado  ou se entrega o mesmo povo às garras exploratórias dos grandes grupos empresariais  que assentaram arraiais entre nós e que aos poucos dominam os governantes que escolhemos (enganados ou não) através do voto livremente expresso nas urnas. Não há outra solução, ou regressamos à Folha de Parra, vestimenta cultural atrófica que se manteve nos nossos "corpos" até abril 1974, ou nos revoltamos - através dos meios pacíficos que estão ao nosso alcance - contra a analfabetização  que este e outros governos nos impuseram em cumplicidade com gente que só entende de economia de lucro. O atual Ministro da Cultura não tem estaleca para enfrentar o próximo desaire intelectual  que se adivinha.  Deve pôr  o  cargo à disposição do Primeiro-Ministro António Costa se o governo não lhe oferecer as condições necessárias  para acudir à putativa morte do Mundo da Arte Português sob pena de vir a fazer o papel que a inocente Constança Urbano de Sousa teve perante o Portugal ardido. Como ela, o senhor Luís Castro Mendes vai pagar a fatura da ignorância ingénita nacional e tudo porque estavam no local errado e na hora errada dos acontecimentos

quarta-feira, 4 de abril de 2018

O turismo matou aquele Portugal tradicional

O enorme afluxo turístico que o país ultimamente enfrenta deve-se a uma série de condicionalismos não totalmente explicados. Houve os que disseram que as "guerras árabes" proporcionaram a vinda de muita gente oriunda de toda a parte do planeta que não quis arriscar levar com uma bomba ou com um bombardeamento aliado (ocidental) nessas zonas. É de considerar! Uma coisa estranha aconteceu e que é de arrepiar. Eu explico como posso e posso pouco. No tempo do Estado Novo, o bondoso ditador Salazar resolveu a crise habitacional não permitindo que os senhorios aumentassem as rendas. Por outro lado, e para garantia daqueles exploradores o escudo (moeda portuguesa) não desvalorizava. Mantinha-se como uma das moedas mais fortes do mundo. Nada de inflação! Por exemplo, em Campo  de Ourique-Lisboa, na década de sessenta, um simples apartamento de duas assoalhadas minúsculas custava a um terceiro oficial de Finanças (para comparação real) quase dois terços do seu vencimento mensal. (1.110$00).  Se fosse casado e a mulher não trabalhasse, restava-lhe apenas 640$00 para todas as despesas. Era vê-los elegantes a tomar a sua bica de pé ao balcão. Baixos mas esguios. As mulheres também não eram como as de agora. Mais magras, mais naturais e mais apetitosas (cuidado com as piropoleiras do BE ). Com a Revolução dos Cravos e com a inflação galopante, os senhorios, impedidos de aumentar as rendas, passaram de escroques a vítimas. Enquanto os inquilinos subiam para o tal estatuto da nova classe média nacional (com a novidade de poderem usufruir de pequeno-almoço, almoço, jantar e ceia porque praticamente pagavam quantias ridículas de renda) os senhorios empobreciam. E o Turismo, onde fica nesta mixórdia de palavras? Em Lisboa salazarista, os que tomavam de arrendamento  casas com preços exorbitantes acabavam por as  subarrendar. Isto é, "aluga-se quarto". Não era raro haver famílias convivendo com estranhos dentro dos seus lares. Casas havia com dois ou três hóspedes. A lei permitia. Eram os "turistas"! Não havia outros. Bem, na Linha de Cascais sempre se encontravam nobreza real fugidia, Grandes de Espanha e outros. Deixem-me contar uma cena de que fui testemunha. Em 1961, quando vim fazer exame a Belas Artes (chumbei, claro!) estava eu a "viajar" de elétrico lá para os lados do Largo do Rato quando a máquina parou. O que foi? Eu costumo gozar com os meus leitores (muito poucos) mas desta vez é a sério. Uma loira, talvez sueca - usando uns calções muito curtos (shorts) que deixavam ver aquela parte que ainda é madrepérola quase na fronteira da penugem púbica - atravessava  aquele espaço descuidadamente. Tudo normal. Só que o maquinista, com cara de cascalho, achou que aquele ser extraterritorial  era digno de uma miradinha. Elétrico parado, sim senhor. Eu que não tinha cara de cascalho mas sim de saloio, também gostei. E quando ela, sempre a mover-se sem rebolar mas com um regular andar espaçado entre cochas,  que nem um pêndulo, se pôs de costas para os basbaques, é que eu me apercebi da diferença entre um regime democrático e uma ditadura. Que é que isto quer dizer? Quer dizer que fiquei cheio de tesão e fui parar à Eva Dois que era logo ali a uns trezentos e tal metros e custava apenas  30 paus. Turistas eram poucos. Hoje, já não é assim! Os senhorios estão outra vez por cima e vai dai toca a expulsar os inquilinos para meterem em suas casas os turistas tal qual aqueles faziam com o dinheiro dos hóspedes para poderem viver desafogadamente. Falta dizer aquilo que não se lê nem se ouve nos telejornais: a sul de Espanha o Turismo está a abarrotar. É essa a razão de estamos a beneficiar com o facto de sermos o Portugal Hispânico. É isto que os governos portugueses têm de analisar com cuidado. O vender Portugal turístico lá fora não foi fruto de esforço nosso. Aproveitámos a boleia. Nem tudo  que tenha origem espanhola é mau. Quando a onda turística assentar o pó qual corgo algarvio estival - depois das bestas o calcarem  - como vamos enfrentar um desvio de rotas, que é o que costuma acontecer a este negócio internacional? Será que o nosso Turismo está nas mãos dos espanhóis? Não se acha estranho que o turista que nos visita tenha muito pouco para ver? Ninguém vem visitar um país que tem para oferecer na sua primeira capital o Mosteiro dos Jerónimos e na Capital do Norte a Torre dos Clérigos! (e pouco mais...) Não são os pasteis de Belém nem as Francesinhas que os atraem como moscas. Precisamos com a máxima urgência de descobrir as causas reais desta invasão. Será um ato temporário ou temos pela frente um continuar de um turismo amante da velha e carcomida Lusitânia e da arte submarina do Côa? As nossas praias, as melhores da Europa, não se apresentam  recheadas de montanhas de turistas a não ser a zona do Algarve e mesmo assim não houve aumento de turismo. O Turismo internacional que não o inglês dirige-se às costas da Espanha. Estude-se, por exemplo, o que se passa em Benidorme. Mais vale prevenir. Não temos vocação para a cultura de prevenção e um dia vamos pagar a fatura, lá isso vamos!

quinta-feira, 29 de março de 2018

Portugal: um Estado Policial substitui um Estado Militar?

A instituição militar não é tida hoje como sendo a estrutura fundamental onde assenta o poder do atual regime democrático que começou a desenhar-se em 25 de novembro de 1975, acabada que foi a loucura da  extrema-esquerda, saída do "25 de abril de 1974". Com o advento da democracia logo se impôs a doutrina política dos civilistas que não descansaram enquanto não encaminharam as Forças Armadas para os quartéis. Depois, tudo fizeram para as descaracterizar. Forças Armadas e Pátria eram símbolos inseparáveis. Hoje, já não é assim. O conceito de Pátria esfumou-se e no que respeita às Forças Armadas é vê-las  a chegar ou  a partir em missões para os vários cenários de guerra fomentados por imperialismos nossos aliados. Partem em defesa da Pátria dizem os políticos que elegemos. As Forças Armadas fora do território não se intrometem nem incomodam  nos negócios do Estado...  Com que intenção?  Será ofuscá-las? Lavar--lhes o respeito e a boa  cara que  lhes são próprias? Impedir que representem o que de mais nobre temos como alma nacional?  Os elementos que as compõem têm uma formação específica superior - a defesa da Pátria faz parte do seu ser. Hoje, quase  nada sabemos delas a não o que a informação veiculada - pelos OCS - nos dá a conhecer. Ultimamente, as notícias não são nada abonatórias, diga-se. Até parece a prestação de um serviço que se apresenta como a querer dar continuidade à política civilista imposta - diria eu - por sociedades secretas que muito se destaparam  após  a queda do Estado Novo. Enfraquecer as Forças Armadas é enfraquecer o Estado. Qualquer regime, desde os autoritários aos democráticos, necessita de força armada para servir de guarda-costas. A solução está nos livros. Isto é, reforçar forças policiais criadas especialmente para manter  os seus patrões no poder usando para tal métodos repressivos,  se necessário. São forças de repressão social. São preparadas para apoiar determinações políticas que vão contra a vontade popular quando esta se pronuncia.  São forças que não estão ao serviço da Pátria. Mas apesar de tudo há as de prevenção para o que der e vier. Note-se que não estão preparadas nem vocacionadas para nos defender de invasões estrangeiras, por exemplo. Perseguem criminosos estrangeiros, claro. Mas isso é outra conversa que não cabe aqui. Não sabemos o que seria se toda ou parte das Forças Armadas, ao pressentir  que a Pátria se encontrava em más mãos e em perigo,  resolvesse intervir musculadamente.  Estou a ver as "forças armadas dos civilistas" a atuar. Foi para isso que também foram preparadas? Digo eu que não estava lá.


segunda-feira, 26 de março de 2018

Separatismo português, o próximo combate de Espanha?

Os compêndios histórico-políticos dão conta de que a partir  do século XII demos início a uma luta armada de emancipação contra Castela dita Espanha. Qualquer vitória contra os espanhóis acrescentava à força com que  os espadeirávamos  a genialidade  da elegia epopeica dos nossos mais expressivos poetas. Não me quero estender muito, é só para reavivar a memória das gentes... O nosso primeiro Rei revoltou-se contra o primo Afonso VII, outro neto de seu avô,  que herdara por direito divino a coroa de Castela e outras terras. A partir daí, foi um nunca mais parar. Dom Afonso Henriques, é dele que falamos, era um sortudo. Para tornar-se senhor de Lisboa foi só preciso que os Cruzados (uma espécie de romeiros sangrentos)  tivessem desalojado os que nela mandavam. Também recebia apoios de gente de toda a espécie. Um grande ladrão e assassino  de nome Geraldes (apelido o Sem Pavor) deu-lhe uma mãozinha. Isto é, depois de saquear cidades em poder dos muçulmanos entregava-as para Afonso as governar. Afonso e camarilha portaram-se muito mal contra a própria família e esse comportamento foi adotado - sem outra solução - pela população agora dita portuguesa. Bem, venceu o separatismo. E hoje, à luz de uma História externa à nossa - esta que defende o direito de sermos continuadamente independentes - não passamos de um povo que se tornou nação separatista. Em 1640, aquando da (nova) restauração da independência que colocou no trono português um duque de Bragança, ao mesmo tempo a Catalunha  envolvia-se numa guerra contra Castela que durou 12 anos. Duas nações envolvidas numa luta contra o invasor espanhol? Ou os castelhanos vinham "buscar o que era seu?". Interpretem como quiserem. Agora, não podemos, em termos de política externa, deixar de nos pronunciar perante o atual conflito que opõe antigos parceiros separatistas à Espanha. E isto, porque Espanha mantém presos nas suas masmorras pessoas que estão incriminadas apenas por delito de opinião e manifestação. Os atuais catalães não utilizaram armas para defender o seu direito à autodeterminação. A Espanha não é uma nação que respeita as leis que regem os Estados de Direito Democrático. Como procede a nossa diplomacia? Não temos políticos à altura de perceber a armadilha que é o apoiar o atual Governo fascista espanhol. O Presidente da Nação Catalã, eleito pelo voto popular, é hoje um foragido apanhado e detido pela polícia alemã nesta Europa unida. Na década de quarenta do século passado, os alemães entregaram a Franco o líder independentista catalão que se encontrava fugido das tropas fascistas. O governo de Franco assassinou-o. Que faria esse ditador fascista ao nosso Dom Afonso Henriques? Responda quem saiba. Ao estarmos ao lado do atual governo espanhol estamos a dar a entender que estaremos à vez de sermos aglutinados pela Espanha. Riem-se seus basbaques! É que agora não temos os ingleses para correr com os espanhóis. A Rússia de Putin tomou a Crimeia que também fazia parte da Ucrânia livre. E depois? Depois, toca a calar que a Rússia é tão poderosa quanto os EUA. A Espanha invadiu com tropas especiais a região autónoma da Catalunha. E depois? Calados que nem ratos que a Espanha é muito forte com os fracos deste lado. A nossa diplomacia nem que sim nem sopas. Está de pernas abertas. Temos mais que fazer! O nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros, por exemplo, esmera-se a responder às ofensas da senhora dona Filomena Mónaco (por acaso uma resposta de nível humor académico) e a acompanhar o nosso Madre Teresa dos Afetos por tudo que é passível de ser televisionado. E se a filha mais velha de Filipe VI de Castela-Espanha "resolve" casar com o filho do nosso duque de Bragança putativo herdeiro da Coroa portuguesa? Voltávamos a ser separatistas? Em termos monárquicos, claro, não vá o Diabo tecê-las. Se a Espanha conseguir obter uma vitória total sobre a Catalunha é muito provável que depois se volte para Portugal e invoque direitos antigos. Os mesmos direitos antigos que a História outorga. Quer dizer, se os nossos chefes políticos estiverem para além da fronteira berrarão: Viva Espanha! Tão depressa passem para cá: Viva Portugal! Viva Ronaldo! 

domingo, 25 de março de 2018

O Portugal remoto e não só em sucalcos de escrita

Teria Portugal  a possibilidade de se transformar numa Suiça nesta baixa Europa? Sim, mas para isso era preciso que houvesse reaparecido uma espécie de sentimento de orgulho económico-nacional. Não o orgulho imperial-colonialista que sempre acompanhou o nosso estado de espírito e que fora durante séculos suportado pelo expansionismo inglês. País de camponeses adstritos à terra dos concelhos rurais  não teria tido possibilidade em meter-se em guerras nem tão pouco armar caravelas com cavaleiros e peões mercenários. Tudo isso custava rios de ouro e de prata que por cá não havia. Os nossos portos serviam para expansões (1415) e foi assim que usando o nosso nome os ingleses (e nós numa boa) meteram 7.500 aventureiros, seus profissionais de guerra, em barcos e partiram para o assalto das cidades ricas dos muçulmanos do norte de África. Nós fomos atrás levados pela imbecilidade. Durante muitos anos os ingleses aperfeiçoaram a arte de roubar  Ceuta foi a primeira vítima com a nossa cumplicidade  e daí para cá foi um tal copiar e  trabalhar por conta dos ingleses. A nossa História é uma montanha de mentiras montadas por subservientes escrevinhadores. Perdoa-se, pois como os seus atuais seguidores  também precisavam de comer e pagar a renda da casa, para além, claro, de terem de sustentar as crias. Tudo analfabeto? Sim, menos a Igreja de Roma a quem cabia dar ordem às coisas já que as duas classes - o povo e os seus senhores - eram de uma pobreza cultural incomensurável. Os senhores não governavam sem a orientação da Igreja, nem o povo saberia como enfrentar seus medos e noites escuras cheia de demónios à ilharga. Repare-se que até na grande França quem  dirigia intelectualmente os franceses foram, até certa altura, cardeais. Salazar não era cardeal. Foi seminarista-teólogo e com esse espírito deu sentido à existência do nacionalismo dos tempos modernos. Isto é um aparte! Se a Igreja e os governantes se tivessem importado com o povo, hoje, poderíamos ser considerados os mais civilizados da Europa. Não prepararam o Povo para viver melhor. Dele só queriam o que poderiam extorquir. Tudo o que o Povo produzia era-lhe retirado e apenas uma pequena parte lhe era concedida para que sobrevivesse e pudesse continuar a produzir. Veja-se o seguinte: a meados do século passado as famílias pobres-povo viviam em espaços tão exíguos que pai, mãe e filhos dormiam numa só divisão e em cima da mesma cama. (disse uma de muitas testemunhas: o senhor comentador-empresário José Júdice (segunda-feira passada in TVI). Como não viveria o Povo na Idade Média? Olha, vejam os filmes do Robin dos Bosques ou leiam "Comunidade" do Luiz Pacheco. Há macacos na Amazónia que dormem melhor do que muito servo da gleba no tempo da Igreja-Nobreza. Isto não passa de um rascunho que me serve para dizer o seguinte: que herança receberam os políticos de hoje no que respeita aos descendentes  desse povo das cavernas? Escondem-na, efetivamente! Para se dar um jeito a este desastre social e para, sobretudo, sacudir a água do capote perante os nossos parceiros comunitários aquilo é que foi construir aos montes escolas e universidades. Como não havia professores para tanta construção houve que desenrascar a situação. Como? Com o expediente à portuguesa: eu te faço professor, tu me fazes doutor, eu te faço doutor e tu me fazes catedrático. Só isso é que é preciso? Eh pá, não podemos fazer estas cenas sem estarmos numa de partido! Ah, ótimo!  E quanto a alunos? Que venham para enchermos as salas de aula. O que saiu daqui desta balbúrdia foi o que se viu. Claro que as antigas instituições universitárias mantiveram o rumo académico que as caracterizou no passado. Salvaram-se estas e criaram-se outras que já nos nossos dias se estão  a emparelhar com unidades estrangeiras  de renome. Se surgem como valores internacionais  isso deveu-se a dinheirinho que veio de fora! Tudo isto não passa de uma gota de água. É por isso que é preciso substituir a atual classe política para renovarmos o nosso "estilo" económico. A agricultura terá de ser reconvertida, mecanizada, atualizada ao nível do que se faz na América. Com isso, acabaríamos com a desertificação do país. Atrás desta motivação era natural que a pequena e a média industrialização pudessem a vir estabelecer-se nas zonas do interior. Portugal é hoje uma faixa no litoral cheia  de cidades e uma mata cheia de árvores no interior que mais não passa de um bosque onde nem o Capuchinho Vermelho quer por lá passar. É uma ideia saloia? Sim, é ver-se o que fazem os países evoluídos dos seus campos. É ver-se o que produzem e em que condições. Tiveram que dar vida ao campo pois sem isso tornavam-se lodaçais. É verdade que há apoios para a produção agrícola mas isso é apenas para arrastar o investimento na área secundária da indústria. Toda a transformação leva tempo, mas teríamos de começar por arrumar a casa. Portugal é hoje quase um Estado policial. Sem fazer muito espalhafato lá vão engrossando as forças paramilitares e policiais. Depois, enchem os tribunais com procuradores e juízes a dar com pau. Os nossos militares estão em vários cenários de guerra. Até parecem os Estados Unidos da América a ocuparem com as suas forças armadas  parte do planeta. Dizem-lhes que estão a defender a Pátria. Que patetice. Os Negócios Estrangeiros estão espalhados por todo o mundo gastando milhões e milhões de euros. Tudo para quê? Faça-se um levantamento à totalidade das despesas estúpidas. Acabe-se com atos de vaidade dos servidores públicos que ainda não perceberam o quanto de ridículos são. Para acabar este vómito: tanta polícia e tanto reforço judicial permite pensar-se que se estão  a preparar órgãos de repressão que atuarão contra as aspirações e movimentações populares. Os políticos temem o quê? Será que este regime se está a identificar  com o de Fulgêncio Batista, onde as grandes empresas estrangeiras ponham e disponham de Cuba, o que deu origem a uma revolta popular. Com um exército de dois milhões de pobres não será tempo de porem as barbas de molho? 

quinta-feira, 22 de março de 2018

o que seria eu sem o meu telemóvel? Um fóssil, claro está!

Em 1998, comprei um celular ainda nem havia rede em Ponta Delgada. Quando se estabeleceram as redes já eu sabia atender as chamadas, ligar para alguém que também tinha adquirido um exemplar. Depois, aprendi a escrever mensagens. Enfim, hoje, a minha vida está nas mãos do meu telemóvel que tem algumas particularidades que o tornam indispensável. Tiro uma foto a mim mesmo (o que faço com muita frequência...) e logo no mesmo instante a posso enviar para alguém. Já cheguei a falar com pessoas olhando para elas no visor. Recebo faturas e tudo o que tenho a pagar. Avisam-me da Fundação  que tenho uma consulta em tal data com o médico especialista. Dezenas de operadores estão permanentemente a chatear-me as moléculas para eu aderir a coisas esplêndidas. Com 77 anos, e as insistências das meninas, sinto-me vivo e importante pois elas não me largam. Ainda se fosse a braguilha, vá lá que vá. Mas tudo bem. Quero saber as horas e é só olhá-lo. Relógio, o que é isso? Como estará o dia, também me  informa a temperatura e a altura das marés. Quero meter o bedelho num site de moças que prestam favores e jeitos sexuais, é  só clicar nas teclas apropriadas. Preço e tudo mais vem apenso. Discursos e intervenções de políticos também estão à mão. Sempre gostei de escrever umas coisitas utilizando canetas. Adorava as canetas de tinta permanente. Um dia, o Eduardo Brum, que era o diretor do Expresso das Nove, onde eu colaborei, disse-me que se me habituasse a escrever no computador, tablete ou mesmo no smartphone que depois não queria outra coisa. Na altura, não acreditei. Hoje, já nem sei o que isso é de usar as canetas. Quer dizer, quando eu bater a bota gostaria de levá-lo comigo. E isto porque de repente  quando eu estiver mais que morto pelo dito do óbito, de repente, dizia eu, posso ter de atender uma chamada. Está, daqui fala o morto que seria eu no caso. Quantas vezes coloquei o meu celular em cima da mesa quando fazia uma refeição no restaurante? Quantas vezes fui piroso sem me dar conta? O raio do aparelho já faz parte do meu ser, daí não o poder dispensar quando me fizerem o favor de me cremarem já que eu nessa altura - calculo - não estar em condições de  locomover-me. Diz-me que telemóvel usas que dir-te-ei quem és. Não é favor nenhum, pois nele estão todos os passos registados que uma pessoa dá; com quem fala ligando ou atendendo a uma chamada, etc. As horas ficam lá registadas. Bem bom que eles não existiam no tempo da PIDE! E aqueles que se distraem e começam a falar de negócios escusos e que depois são tramados pelas forças policiais, judiciais, segurança nacional, etc ? Vão dentro que é uma beleza e tudo se  deve aos telemóveis serem hoje os bufos mais eficientes do mundo moderno. As polícias seguem um desgraçado até ao semicúpio desde que o tenha à mão. Dizem que mesmo desligados estão a emitir sinais que depois são recebidos pelos especialistas informáticos. Às vezes o meu aparelho apresenta certos ruídos que até parece que está à escuta. Se eu fosse algum figurão até que estava bem. No entanto, dizem que todas as nossas conversas  são gravadas mesmo que não passemos de um gato-pingado. Há provas de que mesmo sem autorização do juiz de instrução houve e há digo eu gravações a eito sem controlo. Lembram-se do célebre "caso do Envelope 9"? Que grande sacanice! Há cada espião entre nós que é um louvar a deus (dos judeus e nosso também, mas adaptado) E não é que me afeiçoei aos telemóveis e fui comprando um por ano. Descartáveis não compro porque isso torna suspeito os que os utilizam e  aos olhos dos polícias especialistas é um sintoma nada abonatório. A vida sem telemóvel já não dá gozo. A própria saudade portuguesa sofreu tratos de polé com o seu aparecimento. Morre cabra (doentia-saudade)! Está lá? Sim! És tu querida? Quem é que está aí desse lado a tratar a minha Maria de querida? É o telemóvel, estúpido! Ah, então está tudo bem!





segunda-feira, 19 de março de 2018

Vespasiano, afinal, não tinha amigos

O riismo descarrilou? Parece que teve de substituir o maquinista. E o Guru? Fez a sua  substituição com o comboio sempre em andamento. Como se pode resumir em poucas palavras o momento presente? Lembra-me aquele rapaz que falava mal das colegas. Perseguia-as quando elas estavam a namorar e depois vinha contar tudo o que via  elas fazerem aos namorados. Era um gozo de todo o tamanho. Ele e os amigos riam até às lágrimas das cenas descritas. Não satisfeitos com as gargalhadas ainda por cima mandavam umas bocas provocatórias às miúdas quando por elas passavam. Mas como tudo o que morre é porque nasce, assim, a partir de certa altura, os próprios amigos dele deixaram de rir para ele para começarem a rir dele. E o que aconteceu para que essa reviravolta se desse? O que ele fez às colegas, um amigo copiou-o. Andou a perseguir uma das irmâs do Vespasiano (era o seu nome) que começara a namorar e um dia fotografou-a a fazer sexo oral ao namorado. Que disparate! Não, nada disso! Ela não queria engravidar. Tempos depois a mãe do Vespasiano, aproveitando a ausência do marido em serviço no estrangeiro, começou a encontrar-se com um antigo namorado num hotel de uma Vila Piscatória dos arredores. Em determinada altura, houve um incêndio no quarto ao lado onde se encontrava com o amante e ambos tiveram que fugir em trajes menores. Uma bronca. Os amigos de Vespasiano, mais tarde, tiveram conhecimento das cenas e passaram a rir muito mas já sem ele presente. Moral da história? Sei lá, eu não estava lá.