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sexta-feira, 16 de março de 2018

Kautsky, Dominique Strauss kahn, Hugo Chavez da Venezuela, José Sócrates

Sonhei com Kautsky. Para o que me havia de dar. O que tenho eu com um dos fundadores da social-democracia? Eis o diálogo que mantive com este filósofo, "íntimo" de Karl Marx, no meu terceiro sono de idoso:
Kautsky:
Sabes qual é o mais inteligente político português  após o 25 de abril de 1974?
- Eu:
Talvez o general Spínola (sempre a sonhar)
Kautsky:
És mesmo estúpido! Ouve, que eu não tenho muito tempo.
Eu - Diz lá!
Kautsky:
Quando em 1957 foi criada a CEE pelo Tratado de Roma...
Eu - Morreste em 1938 como podes falar de coisas que aconteceram 19 anos depois?
Kautsky:
És mesmo estúpido, eu sou um fantasma inteligente e estudioso. Ouve e cala-te. A CEE nasce com o objetivo de combater o poderio económico dos Estados Unidos e não o que se ensina nas escolas. Os americanos entretidos a dar caça aos comunistas motivados  pela voz de  um tal senador  McCarthy, morto em1957, não estavam inclinados para saber  o que se estava a passar na Europa. Julgaram a Europa um saco de gatos que não se entendiam e que estavam cerca de umas boas centenas de anos a brigar entre si. Cada "povo" falava o seu próprio linguajar. Para mais, os europeus não possuíam petróleo, o que os tornava dependentes da América.
Eu - E o que tenho eu a ver com isso?
Kautsky:
És mesmo estúpido! Ouve e cala-te. Quando a América se apercebe que a Europa se encaminha para a unidade económica e política zanga-se. O FMI começa a olhar a Europa e a voltar o traseiro para os EUA. A Europa cresce  reunindo nações ou espécie disso controladas pelos alemães acolitados pelos lacaios franceses. 
Eu - Diz-me qualquer coisa sobre Portugal que eu estou aqui estou a acordar.
Kautsky:
És mesmo estúpido! Ouve e cala-te. Portugal quando entra para o clube europeu muito disfarçado de espanhol.
Eu - Eh pá...
Kautsky:
És mesmo estúpido! Ouve e cala-te. O teu país saca o que pode e começa a dar-se bem. Essa Europa rica olhava para os portugueses como os portugueses olham os ciganos. (Atenção, só estou a comparar. Não sou racista e nada tenho contra os ciganos) Quando deram por si já vocês os tinham enrabado. Vocês com quase um milénio de anos a servir ingleses, espanhóis e franceses aprenderam os seus fracos e foram História fora sobrevivendo. Tornaram-se sábios, melhor dizendo, mestres na arte do comer fiado . Aquilo é que foi comerciar povos de África como se tratasse de mercadoria. Bem,  neste momento o que interessa é  olhar para o que quase ia acontecendo recentemente. se não tivessem matado o Hugo Chavez, limpado o sarampo ao Dominique Strauss Kahn e entalado o ex-primeiro-ministro José Sócrates, vocês portugueses seriam uma espécie de novos senhores da Baixa Europa 
Eu - No Paraíso há álcool? 
Kautsky:
És mesmo estúpido! Ouve e cala-te. O FMI com Strauss Kahn a olhar o lado social do capital, o Hugo Chavez senhor do quarto país mais rico em petróleo e o José Sócrates a infiltrar-se na Venezuela...
Eu - José Sócrates!!!
Kautsky:
És mesmo estúpido! Ouve e cala-te. José Sócrates é o primeiro político europeu do sul a obter uma maioria socialista. Faz dele um alvo dos americanos porque ao permitir que a Venezuela, antiamericana, encontre mercado europeu para o seu petróleo  torna-a  longe da tutela dos americanos. Sócrates é a favor da libertação dos povos sulamericanos a quem a América subjuga à força.  Sócrates vê o furo económico que a política internacional  oferece aos portugueses e alia-se a Chavez. "
Eu - Ah, ah! Em troca do petróleo levas o "magalhães".
Kautsky:
És mesmo estúpido! Ouve e cala-te. Sabes, por exemplo, o que significa Sines, estúpido? O "magalhães" era para disfarçar. A União Europeia através de Portugal viria a beneficiar com esta união entre vocês e o petróleo venezuelano. Portugal como intermediário encheria a mula, obviamente. Percebe-se que tanto Chavez, Strauss e Sócrates não passam de alvos a abater pelos seus adversários diretos: os americanos. Assim, o Presidente do FMI, futuro candidato socialista à Presidência da República Francesa, por se fazer a uma criada de quarto num hotel de Nova York foi algemado e preso em condições humilhantes. Toda a cena difundida pelo mundo inteiro de manhã à tarde e à noite. Logo, fim da tendência que conduziria o capital  do FMI para o bem estar social porque mataram o seu promotor. Depois, Chavez, voz libertadora de povos subjugados, um socialista e homem de esquerda, que respirava saúde mental e física, acaba por morrer inesperada e estranhamente. Maduro, seu sucessor, esclarece que a morte dele se deveu a ter sido assassinado. Finalmente Sócrates é preso numa encenação à americana, coisa nunca vista entre nós. Uns morrem fisicamente enquanto outros morrem politicamente É preso durante quase um ano. Até parecia que se esperava que tudo amainasse para o expulsar da prisão de Évora. Depois é solto vivo e tudo volta ao normal. Isto é, não mexas com os interesses da América senão levas tau-tau. 
Eu - Não acredito numa única palavra tua. Eu gosto da América do Jess James, da Marilyn Monroe, do James Dean, do Dean Martin, do Cassius Clay...
Kautsky:
És mesmo estúpido! Essa América já não existe! Bem, adeus, cá te espero.
Eu - Porra! 

quarta-feira, 14 de março de 2018

Se és político, magistrado (juiz ou procurador) corres o risco de ficares com o rabo de fora sobretudo na praça pública


Costumo ver uma série que passa na SIC Radical  designada de BOSS. Passa alta noite, logo deve ser  vista por pouca gente. Os temas giram à volta de como um Mayor de Chicago gere os negócios camarários. São tantas as vigarices, a alta corrupção, assassinatos por encomenda e devassa da vida privada que eu até há pouco tempo julgava que aquilo era muito à americana, isto é, fantasioso o quanto baste para que fosse bem vendida no mercado da especialidade. Se um candidato político dá uma queca fora do casamento, está lixado. O opositor manda segui-lo e quer que sejam registados fotograficamente todos os passos. As fotos dos atos sexuais impróprios ou as escutas  são guardadas para mais tarde serem utilizados em momentos oportunos com o fito para destruir a imagem do adversário. Fica o desgraçado fora da corrida ou se insiste perde eleições. Em Portugal, à exceção  de coisas sexuais e de assassinatos de inimigos políticos (em tempos mataram o general Delgado a mando de não se sabe bem se foi do Mayor Salazar e mais tarde já em democracia a queda do avião de Sá Carneiro com ele dentro que  dizem ter sido uma encomenda. Aleives!) usam-se métodos parecidos. Damos conta de uma enorme salgalhada de informações atiradas sobre pessoas que são políticos ou foram. Só lhes restam os ossos tal é a sanha com que as notícias surgem da pé para a mão. Alguém imaginava que o super juiz Carlos Alexandre tinha pedido emprestado 10.000 euros (o que ele confirmou em sede de julgamento) a um ex-procurador do Ministério Público acusado (ainda não condenado) de estar metido em trafulhices que o levaram a prisão preventiva que depois passou a prisão domiciliária. Mas como é? Como é que se soube deste empréstimo que um Juiz de Direito recebeu de um amigo agora suspeito de crime gravoso que manchará a Justiça Portuguesa se se vier a provar que de facto o procurador do Ministério Público borrou a pintura ? Como é que um acordo de cavalheiros feito nos interior dos seus lares salta para a praça pública? Isto, penso eu, deve ter  como finalidade degradar ainda mais a imagem da Justiça Portuguesa. Imaginemos, se até os juízes têm a sua vida reservada e privada em dossiers esquisitos como não estaremos todos nós nesses mesmos dossiers? Quem está a recolher dados íntimos e pessoais de meio mundo? Isso não se faz a um cristão! É que ninguém escapa neste esfrangalhar da vida de uma pessoa que num dia é respeitável e temido para no outro ser motivo de gozo ou escárnio. Ainda os OCS não tinham acabado de publicar as palavras  do juiz Carlos Alexandre como testemunha de defesa do magistrado acusado de corrupção já estava na praça pública uma outra descoberta que visava mentiras de um adjuvante de Rui Rio. Meteram o nariz em tudo. Até em cartas escritas à mão e que estavam guardadas foram fotografadas e viajaram pelas televisões. Que vida é esta? Que a Santa Irmã Lúcia (que está sendo esquecida) nos valha e vele por nós nesta sangria de vidas. Para terminar: se és importante cuida-te pois andam atrás de ti e não é para te assediarem, mas sim para te lixarem, perdão foderem. 


sábado, 10 de março de 2018

Quanta da floresta portuguesa vai arder no próximo ano? Haverá vítimas mortais?

Dos três milhões e duzentos mil hectares que o país possui de floresta, arderam no ano transato cerca de duzentos mil. Por pouco não ardia dez por cento do nosso parque florestal. As associações humanitárias, as empresas adstritas contratualizadas  a cargo da fiscalização da Proteção Civil, os nossos abnegados Bombeiros Portugueses, e outras instituições anónimas, etc, todos prestaram um enorme serviço às vítimas. Vimos através de  boas reportagens televisivas como o fogo se torna imparável. Nem na América a força do fogo florestal obedece aos poderosos instrumentos e meios  de combate aos incêndios de que os americanos se servem nessa luta. Nem também o Canadá, outro poderoso país em termos económicos, consegue debelar o mal com os instrumentos que possui. O fogo não dá hipóteses. Estes dois países, por exemplo, possuem planos prévios de emergência no escoamento e salvamento das populações que poderão hipoteticamente vir a ser afetadas. Não foi o nosso caso. Não passava pela cabeça dos responsáveis políticos e dos homens que tinham responsabilidades de combate aos fogos que  populares pudessem perecer horrorosamente por causa dos incêndios que todos os anos nos atormentam. Pensaram, naturalmente, digo eu, que o povo habituado a carências e "especializado-experienciado" em incêndios não se ia deixar queimar, (todos os anos quem mais dá a cara pela luta contra o fogo são os populares, logo, deviam ter experiência para não serem apanhados pelas labaredas...). Aquilo é um tal pegar em baldes de água. Coisa pouca, pelos vistos, para se defenderem, pois a devastação de floresta e pomares é uma realidade. Somos confrontados todos os anos com esse inferno. O que veio alterar o modo de encarar o que se passou em 2017 foi a feitura de uma legislação do tipo placebo. Sabemos que qualquer  intervenção a nível de oralidade política, que possa vir a ser materializada no terreno, não vai resolver para já os fogos que sistematicamente têm lugar nos verões. Pode vir a dar frutos mas num futuro a médio prazo. Legislaram para mortos ou ausentes. Legislaram para donos de terras anónimos. Dentro desta confusão, algumas Juntas de Freguesia entraram em ebulição porque aparecer no boneco a podar laranjeiras pode dar votos... Criticar é fácil! É o que eu estou a fazer. O que não podemos deixar de questionar é se de facto os responsáveis políticos,  (agora) muito bem  falantes, possuem em estudo um plano de fuga e evacuação que permita salvar vidas que estarão expostas às intempéries e catástrofes, como foi o caso de muitos portugueses de todas as idades vítimas do sistema (ou maneira de ser à portuguesa). Morreu-se ao passar por  estradas que estavam envolvidas  nas duas margens por chamas assassinas. Morreu-se por fugir e morreu-se por ter ficado em casa. Assim que houver um foco de incêndio detetado deve o Estado de imediato informar as populações circundantes para que estas se ponham a salvo. As populações têm de ser avisadas mesmo que haja possibilidade de pânico. Pode dar bronca se não se estiver nessa atitude. Mais vale fugir em pânico do que morrer à leitão.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Haverá populações a sofrer de efeitos cancerígenos devido a resíduos tóxicos produzidos por cinco mil empresas químicas a operar em Portugal?

Existem em Portugal dois tipos de resíduos-lixos tóxicos. Um dá a cara externamente, o outro  "reside" em locais secretos. O português "normal" não sabe nada sobre o assunto. Está-se nas tintas; bebe pouca água que o vinho é que alimenta. Por este país fora encontram-se espalhados meios de produção cuja exequibilidade e expansão produzem resíduos que envenenam lençóis freáticos que por sua vez servem milhares de portugueses. Grandes empresas têm sido apanhadas a cometer crimes ambientais (que é isso questionam os parolos e de entre eles gente com responsabilidades políticas) sem que sejam chamadas à justiça para que se lhes sejam aplicadas medidas de coação. Este tipo de crime deve ser muito mais penalizado visto que é feito com premeditação. Está em causa a Saúde Pública. Os responsáveis pelo acompanhamento deste organismo não passaram nem passam de uns domésticos mais interessados em mandar vacinar velhotes e velhotas para que o orçamento dos hospitais não descambe para o vermelho. Bastaria perguntar-lhes se sabem onde os produtos tóxicos são encafuados ou despejados no país para ficarmos a saber que eles ou elas são o espelho da pobreza mental da nossa ignorância. Até mais ver parece que não deixam de ter alguma razão. Isto é, aguardam sempre diretivas do estrangeiro, pois é daí que nos vem o progresso e outras lojas de ocasião. Em Portugal, por exemplo, sabe-se que empresas alemãs tiveram o monopólio de extração de minério (hematite de ferro). Haverá fiscalização nelas e noutras que pertencem a estrangeiros? São cerca de cinco mil... Haverá algum organismo que supervisione essas atividades capaz de as impedir de prosseguir sem rei nem roque em possíveis crimes ambientais? Que percentagem comem os portugueses desse lixo tóxico que anda por aí nas nossas comidas e bebidas como um fantasma de opereta do tipo Parque Mayer? Onde estão publicados os estudos (com tanta universidade por aí...) sobre os efeitos da  exploração da indústria química na saúde das populações? Não os há! Por enquanto não passam de tentativas de ensaio de cariz pessoal com sentimentalismos  de culpa à mistura. 

sábado, 20 de janeiro de 2018

Capitalismo democrático é bacano?

O mundo capitalizou-se? Desde a palavra até à ação! Desde a unha dos pés até à ponta dos cabelos!  Não há espaço algum neste planeta em que não encontremos o espírito capitalista. Desde a grande América - onde se pratica um capitalismo selvagem, que se caracteriza por espezinhar miseravelmente parte dos seus habitantes enquanto outros vivem de excesso de riqueza, até à Europa onde o capitalismo se familiarizou com os desfavorecidos à custa de guerras civis que tomaram o nome de Guerras Mundiais porque envolveram outros povos que  vieram meter o nariz por cá - tudo tem o selo capitalista. Até os comunistas e socialistas atuais são gente do capital. Não lhe podem fugir, a não ser que queiram ir viver para Marte. Quando alguns intelectuais se aperceberam de movimentos sociais reivindicativos, deram por si a teorizar. Marxismos, socialismos, comunismos, etc., em livro ou em palavra, começaram a fazer ninho nos cérebros humanos. A ideia de Homem Livre é filha dessa "revolução" de mentalidades. Milhares de anos se passaram repassados de exploração selvática do homem pelo homem. Quando os grandes pensadores alteraram o modo de raciocinar quer em termos filosóficos, religiosos, económicos, políticos, etc, (Confúcio, Buda,  Platão, Aristóteles, entre outros)  não houve, por exemplo, da sua parte intenção clara em acabar com a escravatura. Mesmo o cristianismo, até à coisa de uns anos atrás - religião que se diz  coproprietária do slogan amor ao próximo - encarava o esclavagismo como forma natural  de se  estar inserida no processo económico. O capitalismo cresce sem ser preciso ser adubado. Os pobres também se multiplicam sem adubo. O planeta está superpovoado de pobres. Quantos mais pobres houver mais cresce o capitalismo. O capitalismo alimenta a vivência dos pobres porque vive da sua exploração. Para combater o capitalismo não há como controlar a natalidade. O capitalismo olha o homem como produção animal. Quanto mais cabeças mais rico se é. A exploração do homem pelo homem toma formas requintadas. Eis um modelo que tem sempre "clientes": permitir que os "patetas" possam comprar as "nossas" casas para nelas poder habitar pagando em prestações até morrer; possam deslocar-se em viatura própria a pagar com muita margem de tempo também; possam comprar o que necessitam  fiado e a prestações com dinheiro que lhe emprestamos a juro, etc. Em contrapartida tem é que trabalhar sob diversas condições e procriar para que a cadeia do lucro não seja interrompida. Queremos trabalhadores saudáveis... novos e que deem o litro. O capitalismo tem medo do monstro que está a criar? Com certeza, tanto é assim que onde ele reina não faltam forças policiais para que o monstro trabalhe e viva segundo as suas regras. Mal o monstro  se agita, por exemplo, por motivos de carências alimentares lá estão as muitas polícias para o respetivo tratamento. Essas forças estão permanentemente aquarteladas e em quase estado de alerta. Não as entendemos como forças de segurança das populações. Vemo-las como forças de repressão que a qualquer momento caem em cima dos "revoltosos" quer estes sejam uma maioria de mulheres e crianças. O capitalismo é esperto sim senhor. O mais giro de tudo isto é ver os esquerdistas a servi-lo de chapéu na mão. É porque o capitalismo é que gere a agenda. O capitalismo é o oficial do dia. Para terminar este vómito, acho que o capitalismo assim é bom. E já digo porquê. É que, enquanto não houver bombardeamentos o capitalismo até é bacano. Acho eu que não estava lá.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

PORTUGAL TEM DE ENFRENTAR ANGOLA COM A NOVA TRINDADE: CONSCIÊNCIA, CULTURA E JUSTIÇA

Pode-se atar a Política, a Religião, a História de um povo a uma corda e suspendê-los do alto de um penhasco até estarem cozidos da melhor maneira. Só não podemos fazer o mesmo à Cultura. O Povo Angolano de África foi sujeito a todo o tipo de ações repugnáveis da parte de quem o colonizou. Declaro, para já que não cumpri o serviço militar, logo não estive em nenhuma Guerra Colonial. Tive sorte porque na altura da inspeção sofria do coração. Se faço referência a Angola é porque leio e ouço bastantes comentários sobre o que lá se passou, assim como o que lá se passou desde que as nossas caravelas "descobriram" aquela região da costa ocidental do continente africano. "Fomos para as descobertas para levar a palavra de Deus. " Dizia-me a professora de História para quem Deus se chamava Cristo." Papei essa informação e a do Pai Natal até deixar de ser parvo. Coisa que foi muito difícil para mim aceitar tais coisas como mentiras eu que não passava de um ingénuo. O facto é que fomos para lá (e para outras paragens) por causa das riquezas e da ganância que toca a todos. Claro que nem todos os povos dados a descobertas se portaram da mesma maneira. Nós fomos melhores do que os criminosos súbditos de Leopoldo Rei da Bélgica e do Congo Belga. Porém, cometemos crimes de todo o tipo. Matámos, roubámos terras, vendemos homens e mulheres angolanos em quantidades industriais. Tratámo-los como animais irracionais. Também fizemos coisas bem feitas, como por exemplo, termos abandonado o território colonial deixando atrás aquilo que não podíamos transportar para Portugal, como sejam, por exemplo, casas, instalações industriais e comerciais e outras riquezas que foram devolvidas aos seus legítimos donos.  Dessas ações condenadas até pela Organização das Nações Unidas nunca fomos acusados nem levados ao Tribunal de Haia (Tribunal Internacional de Justiça onde têm ido parar criminosos de todo o mundo) para sermos julgados. À volta de 6.000.000 de autóctones foram levados, como mercadoria, para o Novo Mundo. Quem dominava a política de transporte éramos nós. Muitos dos atuais angolanos, senão quase todos tiveram algum antepassado que fora escravizado, chicoteado ou até enforcado por não ter conseguido produzir tantos quilos de algodão, como rezam os textos escritos por testemunhas do tempo. Saltemos: perseguido pela justiça portuguesa está um ex-vice-Chefe de Estado Angolano. Dizem os meios de comunicação social, que Sua Excelência corrompeu um magistrado português que tinha  procurado  arquivar o processo entregando-lhe quantias fabulosas. Tratou-se da compra de um apartamento de sonho. Não sou eu quem vai ensinar a justiça portuguesa  a comportar-se nem tenho de a criticar. Mas,  perante um caso  de tal envergadura em que a História e a Cultura estão envolvidas, parece-me que não pode ser analisado isoladamente. A Cultura também é Justiça. E  Cultura também se torna Justiça. "Lá por meu avô ter feito fortuna no mercado esclavagista, vou ter de devolver o que me coube da herança de meus pais que me transmitiram o que dele (avô) receberam? " A lei está do lado dessa pessoa dado que aquele negócio era legal na época  e era também abençoado por Deus (segundo diziam os seus ministros). E, quem de tal duvidasse estaria a contas com a Inquisição. Salvo seja, que era verdade! Devolvo ou não? Não tenho de devolver nada, diz o herdeiro de si para si. E devolver a terra roubada aos índios das Américas? É tudo uma questão de Cultura Moral. Devolves ou não? Indemnizas ou não? Águas passadas não moem moinhos, pois, mas e a Cultura de Consciência? A Consciência tem Cultura, desta que aqui referimos? Não sei! Talvez apareça algum maluco que queira criar uma nova trindade como a muito rendosa do Pai, Filho e Espírito Santo. E qual seria? Consciência, Cultura e Justiça!

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

António Costa um maestro sem orquestra

O crítico literário, Luiz Pacheco, dizia do músico António Vitorino de Almeida que se tratava de  um maestro sem orquestra e sem músicos para dirigir. E de facto dá para questionar onde param a orquestra e os músicos do conhecido maestro. De qualquer maneira a ideia ultrapassa qualquer dado presencial de circunstância e permite alargar mentes fora. É como um almirante em terra ou um general sem tropas mas com monóculo. Bem, mas a questão agora salta para o nosso maestro político. Isto é, António Costa é o Presidente do Conselho de Ministros. Os ministros estão todos desafinados. Quando o público os pateia, Costa limita-se a abraçá-los ou a beijá-los na hora da despedida. Já deu 18 beijos e abraços em governantes sem ainda ter atingido metade do mandado de 4 anos. Costa é como uma aranha muito cerebral. Quando lhe apanham uma, duas ou três pernas, ela larga-as e segue o seu caminho. Enquanto a direita não o apoiar, Costa é sistematicamente sugado pela esquerda de quem se aliou para alcançar o poder. Todavia, como é senhor de um  excesso neurónios, ele e o seu aliado nas "duas escritas", o financeiro Centeno, cedem à esquerda marxista ordenados mínimos mais elevados mas em contrapartida afoga os trabalhadores e pensionistas com impostos indiretos. Em 9 anos, os governos não aumentaram nem os funcionários públicos nem os pensionistas, mas por outro lado aumentaram-lhes os impostos diretos e indiretos. A privada rivaliza com o Estado pagando mal à maioria da população. É uma maneira de criar riqueza para alguns e pobreza para muitos. O governo de António Costa não tem projeto para daqui a três anos. Para se manter no poder vai esticando a corda até que a direita o permita desligar-se do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista. Como as sondagens são-lhe favoráveis ele ganha tempo até que um possível PSD de Rui Rui o possa libertá-lo. Nesse momento havemos de ver António Costa liderar um governo forte dirigido totalmente para o modelo económico apadrinhado pelos países do norte da Europa. Parece ser esta a estratégia futura do atual primeiro-ministro. Caso o PSD de Santana venha a impor-se, Costa não terá outro remédio senão manter a marcha ao som da esquerda esganiçada que faz que anda mas não anda porque o que ganhamos gastamos e o futuro ficará mais uma vez adiado. O turismo e uma América distraída com guerras fazem da Europa um paraíso. Só que isso não dura sempre e não estamos preparados (nunca nos preparamos) para quebras.
PS: Este texto esteve para ser publicado antes das eleições internas dos social-democratas.