Dos três milhões e duzentos mil hectares que o país possui de floresta, arderam no ano transato cerca de duzentos mil. Por pouco não ardia dez por cento do nosso parque florestal. As associações humanitárias, as empresas adstritas contratualizadas a cargo da fiscalização da Proteção Civil, os nossos abnegados Bombeiros Portugueses, e outras instituições anónimas, etc, todos prestaram um enorme serviço às vítimas. Vimos através de boas reportagens televisivas como o fogo se torna imparável. Nem na América a força do fogo florestal obedece aos poderosos instrumentos e meios de combate aos incêndios de que os americanos se servem nessa luta. Nem também o Canadá, outro poderoso país em termos económicos, consegue debelar o mal com os instrumentos que possui. O fogo não dá hipóteses. Estes dois países, por exemplo, possuem planos prévios de emergência no escoamento e salvamento das populações que poderão hipoteticamente vir a ser afetadas. Não foi o nosso caso. Não passava pela cabeça dos responsáveis políticos e dos homens que tinham responsabilidades de combate aos fogos que populares pudessem perecer horrorosamente por causa dos incêndios que todos os anos nos atormentam. Pensaram, naturalmente, digo eu, que o povo habituado a carências e "especializado-experienciado" em incêndios não se ia deixar queimar, (todos os anos quem mais dá a cara pela luta contra o fogo são os populares, logo, deviam ter experiência para não serem apanhados pelas labaredas...). Aquilo é um tal pegar em baldes de água. Coisa pouca, pelos vistos, para se defenderem, pois a devastação de floresta e pomares é uma realidade. Somos confrontados todos os anos com esse inferno. O que veio alterar o modo de encarar o que se passou em 2017 foi a feitura de uma legislação do tipo placebo. Sabemos que qualquer intervenção a nível de oralidade política, que possa vir a ser materializada no terreno, não vai resolver para já os fogos que sistematicamente têm lugar nos verões. Pode vir a dar frutos mas num futuro a médio prazo. Legislaram para mortos ou ausentes. Legislaram para donos de terras anónimos. Dentro desta confusão, algumas Juntas de Freguesia entraram em ebulição porque aparecer no boneco a podar laranjeiras pode dar votos... Criticar é fácil! É o que eu estou a fazer. O que não podemos deixar de questionar é se de facto os responsáveis políticos, (agora) muito bem falantes, possuem em estudo um plano de fuga e evacuação que permita salvar vidas que estarão expostas às intempéries e catástrofes, como foi o caso de muitos portugueses de todas as idades vítimas do sistema (ou maneira de ser à portuguesa). Morreu-se ao passar por estradas que estavam envolvidas nas duas margens por chamas assassinas. Morreu-se por fugir e morreu-se por ter ficado em casa. Assim que houver um foco de incêndio detetado deve o Estado de imediato informar as populações circundantes para que estas se ponham a salvo. As populações têm de ser avisadas mesmo que haja possibilidade de pânico. Pode dar bronca se não se estiver nessa atitude. Mais vale fugir em pânico do que morrer à leitão.
sábado, 10 de março de 2018
terça-feira, 20 de fevereiro de 2018
Haverá populações a sofrer de efeitos cancerígenos devido a resíduos tóxicos produzidos por cinco mil empresas químicas a operar em Portugal?
Existem em Portugal dois tipos de resíduos-lixos tóxicos. Um dá a cara externamente, o outro "reside" em locais secretos. O português "normal" não sabe nada sobre o assunto. Está-se nas tintas; bebe pouca água que o vinho é que alimenta. Por este país fora encontram-se espalhados meios de produção cuja exequibilidade e expansão produzem resíduos que envenenam lençóis freáticos que por sua vez servem milhares de portugueses. Grandes empresas têm sido apanhadas a cometer crimes ambientais (que é isso questionam os parolos e de entre eles gente com responsabilidades políticas) sem que sejam chamadas à justiça para que se lhes sejam aplicadas medidas de coação. Este tipo de crime deve ser muito mais penalizado visto que é feito com premeditação. Está em causa a Saúde Pública. Os responsáveis pelo acompanhamento deste organismo não passaram nem passam de uns domésticos mais interessados em mandar vacinar velhotes e velhotas para que o orçamento dos hospitais não descambe para o vermelho. Bastaria perguntar-lhes se sabem onde os produtos tóxicos são encafuados ou despejados no país para ficarmos a saber que eles ou elas são o espelho da pobreza mental da nossa ignorância. Até mais ver parece que não deixam de ter alguma razão. Isto é, aguardam sempre diretivas do estrangeiro, pois é daí que nos vem o progresso e outras lojas de ocasião. Em Portugal, por exemplo, sabe-se que empresas alemãs tiveram o monopólio de extração de minério (hematite de ferro). Haverá fiscalização nelas e noutras que pertencem a estrangeiros? São cerca de cinco mil... Haverá algum organismo que supervisione essas atividades capaz de as impedir de prosseguir sem rei nem roque em possíveis crimes ambientais? Que percentagem comem os portugueses desse lixo tóxico que anda por aí nas nossas comidas e bebidas como um fantasma de opereta do tipo Parque Mayer? Onde estão publicados os estudos (com tanta universidade por aí...) sobre os efeitos da exploração da indústria química na saúde das populações? Não os há! Por enquanto não passam de tentativas de ensaio de cariz pessoal com sentimentalismos de culpa à mistura.
sábado, 20 de janeiro de 2018
Capitalismo democrático é bacano?
O mundo capitalizou-se? Desde a palavra até à ação! Desde a unha dos pés até à ponta dos cabelos! Não há espaço algum neste planeta em que não encontremos o espírito capitalista. Desde a grande América - onde se pratica um capitalismo selvagem, que se caracteriza por espezinhar miseravelmente parte dos seus habitantes enquanto outros vivem de excesso de riqueza, até à Europa onde o capitalismo se familiarizou com os desfavorecidos à custa de guerras civis que tomaram o nome de Guerras Mundiais porque envolveram outros povos que vieram meter o nariz por cá - tudo tem o selo capitalista. Até os comunistas e socialistas atuais são gente do capital. Não lhe podem fugir, a não ser que queiram ir viver para Marte. Quando alguns intelectuais se aperceberam de movimentos sociais reivindicativos, deram por si a teorizar. Marxismos, socialismos, comunismos, etc., em livro ou em palavra, começaram a fazer ninho nos cérebros humanos. A ideia de Homem Livre é filha dessa "revolução" de mentalidades. Milhares de anos se passaram repassados de exploração selvática do homem pelo homem. Quando os grandes pensadores alteraram o modo de raciocinar quer em termos filosóficos, religiosos, económicos, políticos, etc, (Confúcio, Buda, Platão, Aristóteles, entre outros) não houve, por exemplo, da sua parte intenção clara em acabar com a escravatura. Mesmo o cristianismo, até à coisa de uns anos atrás - religião que se diz coproprietária do slogan amor ao próximo - encarava o esclavagismo como forma natural de se estar inserida no processo económico. O capitalismo cresce sem ser preciso ser adubado. Os pobres também se multiplicam sem adubo. O planeta está superpovoado de pobres. Quantos mais pobres houver mais cresce o capitalismo. O capitalismo alimenta a vivência dos pobres porque vive da sua exploração. Para combater o capitalismo não há como controlar a natalidade. O capitalismo olha o homem como produção animal. Quanto mais cabeças mais rico se é. A exploração do homem pelo homem toma formas requintadas. Eis um modelo que tem sempre "clientes": permitir que os "patetas" possam comprar as "nossas" casas para nelas poder habitar pagando em prestações até morrer; possam deslocar-se em viatura própria a pagar com muita margem de tempo também; possam comprar o que necessitam fiado e a prestações com dinheiro que lhe emprestamos a juro, etc. Em contrapartida tem é que trabalhar sob diversas condições e procriar para que a cadeia do lucro não seja interrompida. Queremos trabalhadores saudáveis... novos e que deem o litro. O capitalismo tem medo do monstro que está a criar? Com certeza, tanto é assim que onde ele reina não faltam forças policiais para que o monstro trabalhe e viva segundo as suas regras. Mal o monstro se agita, por exemplo, por motivos de carências alimentares lá estão as muitas polícias para o respetivo tratamento. Essas forças estão permanentemente aquarteladas e em quase estado de alerta. Não as entendemos como forças de segurança das populações. Vemo-las como forças de repressão que a qualquer momento caem em cima dos "revoltosos" quer estes sejam uma maioria de mulheres e crianças. O capitalismo é esperto sim senhor. O mais giro de tudo isto é ver os esquerdistas a servi-lo de chapéu na mão. É porque o capitalismo é que gere a agenda. O capitalismo é o oficial do dia. Para terminar este vómito, acho que o capitalismo assim é bom. E já digo porquê. É que, enquanto não houver bombardeamentos o capitalismo até é bacano. Acho eu que não estava lá.
quinta-feira, 18 de janeiro de 2018
PORTUGAL TEM DE ENFRENTAR ANGOLA COM A NOVA TRINDADE: CONSCIÊNCIA, CULTURA E JUSTIÇA
Pode-se atar a Política, a Religião, a História de um povo a uma corda e suspendê-los do alto de um penhasco até estarem cozidos da melhor maneira. Só não podemos fazer o mesmo à Cultura. O Povo Angolano de África foi sujeito a todo o tipo de ações repugnáveis da parte de quem o colonizou. Declaro, para já que não cumpri o serviço militar, logo não estive em nenhuma Guerra Colonial. Tive sorte porque na altura da inspeção sofria do coração. Se faço referência a Angola é porque leio e ouço bastantes comentários sobre o que lá se passou, assim como o que lá se passou desde que as nossas caravelas "descobriram" aquela região da costa ocidental do continente africano. "Fomos para as descobertas para levar a palavra de Deus. " Dizia-me a professora de História para quem Deus se chamava Cristo." Papei essa informação e a do Pai Natal até deixar de ser parvo. Coisa que foi muito difícil para mim aceitar tais coisas como mentiras eu que não passava de um ingénuo. O facto é que fomos para lá (e para outras paragens) por causa das riquezas e da ganância que toca a todos. Claro que nem todos os povos dados a descobertas se portaram da mesma maneira. Nós fomos melhores do que os criminosos súbditos de Leopoldo Rei da Bélgica e do Congo Belga. Porém, cometemos crimes de todo o tipo. Matámos, roubámos terras, vendemos homens e mulheres angolanos em quantidades industriais. Tratámo-los como animais irracionais. Também fizemos coisas bem feitas, como por exemplo, termos abandonado o território colonial deixando atrás aquilo que não podíamos transportar para Portugal, como sejam, por exemplo, casas, instalações industriais e comerciais e outras riquezas que foram devolvidas aos seus legítimos donos. Dessas ações condenadas até pela Organização das Nações Unidas nunca fomos acusados nem levados ao Tribunal de Haia (Tribunal Internacional de Justiça onde têm ido parar criminosos de todo o mundo) para sermos julgados. À volta de 6.000.000 de autóctones foram levados, como mercadoria, para o Novo Mundo. Quem dominava a política de transporte éramos nós. Muitos dos atuais angolanos, senão quase todos tiveram algum antepassado que fora escravizado, chicoteado ou até enforcado por não ter conseguido produzir tantos quilos de algodão, como rezam os textos escritos por testemunhas do tempo. Saltemos: perseguido pela justiça portuguesa está um ex-vice-Chefe de Estado Angolano. Dizem os meios de comunicação social, que Sua Excelência corrompeu um magistrado português que tinha procurado arquivar o processo entregando-lhe quantias fabulosas. Tratou-se da compra de um apartamento de sonho. Não sou eu quem vai ensinar a justiça portuguesa a comportar-se nem tenho de a criticar. Mas, perante um caso de tal envergadura em que a História e a Cultura estão envolvidas, parece-me que não pode ser analisado isoladamente. A Cultura também é Justiça. E Cultura também se torna Justiça. "Lá por meu avô ter feito fortuna no mercado esclavagista, vou ter de devolver o que me coube da herança de meus pais que me transmitiram o que dele (avô) receberam? " A lei está do lado dessa pessoa dado que aquele negócio era legal na época e era também abençoado por Deus (segundo diziam os seus ministros). E, quem de tal duvidasse estaria a contas com a Inquisição. Salvo seja, que era verdade! Devolvo ou não? Não tenho de devolver nada, diz o herdeiro de si para si. E devolver a terra roubada aos índios das Américas? É tudo uma questão de Cultura Moral. Devolves ou não? Indemnizas ou não? Águas passadas não moem moinhos, pois, mas e a Cultura de Consciência? A Consciência tem Cultura, desta que aqui referimos? Não sei! Talvez apareça algum maluco que queira criar uma nova trindade como a muito rendosa do Pai, Filho e Espírito Santo. E qual seria? Consciência, Cultura e Justiça!
segunda-feira, 15 de janeiro de 2018
António Costa um maestro sem orquestra
O crítico literário, Luiz Pacheco, dizia do músico António Vitorino de Almeida que se tratava de um maestro sem orquestra e sem músicos para dirigir. E de facto dá para questionar onde param a orquestra e os músicos do conhecido maestro. De qualquer maneira a ideia ultrapassa qualquer dado presencial de circunstância e permite alargar mentes fora. É como um almirante em terra ou um general sem tropas mas com monóculo. Bem, mas a questão agora salta para o nosso maestro político. Isto é, António Costa é o Presidente do Conselho de Ministros. Os ministros estão todos desafinados. Quando o público os pateia, Costa limita-se a abraçá-los ou a beijá-los na hora da despedida. Já deu 18 beijos e abraços em governantes sem ainda ter atingido metade do mandado de 4 anos. Costa é como uma aranha muito cerebral. Quando lhe apanham uma, duas ou três pernas, ela larga-as e segue o seu caminho. Enquanto a direita não o apoiar, Costa é sistematicamente sugado pela esquerda de quem se aliou para alcançar o poder. Todavia, como é senhor de um excesso neurónios, ele e o seu aliado nas "duas escritas", o financeiro Centeno, cedem à esquerda marxista ordenados mínimos mais elevados mas em contrapartida afoga os trabalhadores e pensionistas com impostos indiretos. Em 9 anos, os governos não aumentaram nem os funcionários públicos nem os pensionistas, mas por outro lado aumentaram-lhes os impostos diretos e indiretos. A privada rivaliza com o Estado pagando mal à maioria da população. É uma maneira de criar riqueza para alguns e pobreza para muitos. O governo de António Costa não tem projeto para daqui a três anos. Para se manter no poder vai esticando a corda até que a direita o permita desligar-se do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista. Como as sondagens são-lhe favoráveis ele ganha tempo até que um possível PSD de Rui Rui o possa libertá-lo. Nesse momento havemos de ver António Costa liderar um governo forte dirigido totalmente para o modelo económico apadrinhado pelos países do norte da Europa. Parece ser esta a estratégia futura do atual primeiro-ministro. Caso o PSD de Santana venha a impor-se, Costa não terá outro remédio senão manter a marcha ao som da esquerda esganiçada que faz que anda mas não anda porque o que ganhamos gastamos e o futuro ficará mais uma vez adiado. O turismo e uma América distraída com guerras fazem da Europa um paraíso. Só que isso não dura sempre e não estamos preparados (nunca nos preparamos) para quebras.
PS: Este texto esteve para ser publicado antes das eleições internas dos social-democratas.
PS: Este texto esteve para ser publicado antes das eleições internas dos social-democratas.
quarta-feira, 10 de janeiro de 2018
Causas e consequências de uma investigação que implicou indiretamente a Procuradoria Geral da República
Por uma razão que se desconhece a fundo, a Igreja Universal do Reino de Deus tem sido alvo de uma investigação dirigida diretamente a processos de adoção a que estariam envolvidos alguns dos seus agentes tidos na comunidade como bispos. A IURD, seu acrónimo, possui várias casas-lares onde recolhe crianças provenientes de famílias com dificuldades económicas. Alguns desses lares recebem apoio do próprio Estado Português. O que lhe dá certamente uma cobertura legal. Parece que se descobriu algo ilícito na forma como se realizavam as adoções. Chegou-se até a falar de rapto e sequestro de crianças que eram levadas para o estrangeiro sem conhecimento dos verdadeiros pais (os chamados pais biológicos). O jornalista José Alberto de Carvalho - à frente de um programa da TVI -, "O Segredo dos Deuses", deu a conhecer a um país atónito coisas que se passavam numa espécie de Casa dos Horrores. Chegou - mesmo à frente do painel de convidados para se pronunciar sobre o "Rapto das Criancinhas" - a ficar engasgado. Não é caso para menos, pois também os telespetadores ficaram abismados com o resultado da investigação das jornalistas - Alexandra Borges e Judite França - colegas do apresentador e que forneceram diversos factos que puseram e põem em causa várias instituições oficiais. Nenhuma adoção pode ser realizada sem autorização do Tribunal de Família. Como é que foi possível que uma mãe, vinte anos depois, venha reclamar a uma estação televisiva privada pelo direito paternal que lhe assiste pelo facto de ser a progenitora dos seus filhos, no caso, três que desapareceram? Melhor dizendo: "As competências constitucional e legalmente atribuídas ao Ministério Público nesse domínio exigem especialização de conhecimentos ... " A Procuradoria Geral da República tem ao seu dispor um Gabinete de Família, da Criança e do Jovem, etc. O processo de adoção dos filhos daquela mulher tiveram de passar por aqui (Gabinete..) Bom, vamos à questão política dado que já decorre uma auditoria interna na Procuradoria sobre os factos que o jornalista José Alberto de Carvalho colocou ao país. O cargo de Procurador Geral da República é um cargo político. A sua escolha é da responsabilidade de dois políticos que por acaso são eleitos ao contrário do que acontece com o de Procurador. Daí que desde que esse cargo existe que se encontra sujeito a ataques ou a apoios de quem está na oposição ou no poder. Ataques que são feitos com muita cautela pois o poder de um Procurador chega a ser superior muitas vezes a um Presidente da República ou a um Primeiro-Ministro. São coisas da política e não me cabe a mim explicar esta embrulhada. Por exemplo, quer o Primeiro-Ministro quer o Presidente da República não podem mandar fazer uma escuta telefónica a quem quer que seja sem que um magistrado o permita. Pelo contrário um Procurador pode fazê-lo. O poder é tanto que ninguém se atreveu pôr até em causa a Procuradora Geral da República acerca das tais adoções pois elas afetavam a imagem da Justiça. Foi preciso que um candidato a presidente do PSD se pronunciasse num frente-a-frente com o seu adversário sobre o caso que esbarrava na Procuradoria para que a comunicação social aproveitasse a boleia e empurrasse com a barriga todo o cascalho para a Rua da Politécnica. Ora, um caso de polícia passou para a mão dos políticos. Quem passou a ser o visado, no caso a visada, da futura ação política? A Procuradora. Resumindo: a oposição quer manter a doutora Joana no cargo e o poder está a preparar-lhe a cama. Dizendo de outro modo: com o consulado da atual Procuradora o Partido Socialista foi desmembrado na Praça Pública. O Primeiro-Ministro fugiu a sete pés para ver se conseguia ainda salvar as pratas da casa. Desvinculou-se totalmente dos berros contra a prisão do seu ex-companheiro ministerial, preso de uma forma pouco usual. Foi preso para ser investigado; disseram os seus advogados. E Costa? Sempre calado. Calado até que a Ministra da Justiça, sua aliada politicamente falando, abriu as futuras hostilidades. Isto é, preparar o caminho para a substituição da doutora Joana, a Procuradora - cujo consulado - mais estragos fez ao mundo político dos arranjinhos estabelecidos. A doutora Joana Vidal pode ter sido influenciada por alguns "jovens" procuradores mais justiceiros do que analistas políticos que a obrigaram - por evidências caídas do céu - que permitisse que se escavacasse o mundo de alguns privilegiados. O seu consulado foi uma festa de prisões de gente grada. Parecia que tínhamos voltado ao tempo do Otelo Saraiva de Carvalho. Aquilo é que foi prender os ex-poderosos que não conseguiram fugir! E tudo como na América. Isto é, prisão e flashes. Para a mentalidade burguesa-cristã foi demais. Que o diga o dr. Garcia Pereira (e muito boa gente) que não concorda que se julguem as pessoas na Praça Pública. Não teria a doutora Joana uma palavra a dizer sobre tais "violações", pois o seu cargo - que parece que é muito independente - não deixa de estar politizado pelas razões atrás referidas e que são as de escolha política. De confiança política e não constitucional, pois isto vem depois. Muito depois.
terça-feira, 9 de janeiro de 2018
Partidos políticos como sardinhas na mesma lata
Quando mudei de canal para assistir ao Prós e Contras, já tinha intervindo o senhor do PSD, uma pessoa forte que estou habituado a ver na televisão a defender coisas muito aproximadas do antigamente tradicional. Com as intervenções que se seguiram acabei por retirar o retrato possível do seu discurso. Quem falava na altura em que pus os olhos no programa da dona Fátima era um senhor deputado socialista que conheço desde o tempo em que a política começou a criar emprego seguro. Ou seja, desde que alguns oficiais se zangaram com o regime que lhes pagava muito mal e que dava pelo nome de Estado Novo. Esta zanga permitiu recriar um outro que tomou para si vários nomes. A saber: comunista, socialista, PPD (uma tentativa de copiar coisas da Suécia social-democrata) e democrata-cristão. Para além destas designações surgiram dezenas de outras fações políticas que não tiveram expressão umas vezes porque o povo não lhes passou voto outras porque foram perseguidos por uns sacanas sem lei patrocinados por traficantes ideológicos que empunhavam armas das Forças Armadas (mais tarde recuperadas). O que ele disse e se o disse eu não entendi senão 10%. Numa linguagem erudita de socialista de camarote imperial referiu-se a aspetos refinados que envolveram o veto presidencial aplicado sobre qualquer coisa que dá pelo nome financiamento de partidos. Penso que a seguir falou uma professora de Coimbra. Um verdadeiro espanto! Aquilo é que era saber. Claro, também falou para gente inteligentíssima que nanja eu , pois fiquei apagado dos neurónios. Ó senhores, parecia que estava a dar um aula de Constitucional! Mas, cuidado, pois o senhor socialista percebeu e até replicou quando a dona Fátima (que parece que o tempo também passa por ela) lhe deu a palavra. Também estavam na ara democrática dois purificadores da democracia: dois barbudos que também estão empregados na casa onde se supõe defender o povo dos polvos que nos vão embraçando. Um era comunista e o outro comunista mais à esquerda. Não sei se foram defender o financiamento dos partidos ou se estavam a favor do veto de Marcelo. Que têm uma lata capitalista lá isso têm. Deduzi que estavam também dispostos a colocar o mealheiro onde os outros o tinham já lá colocado. Também apareceu o protetor de alguns animais que cohabitando a mesma mastaba semicircular não dera pelas reuniões dos seus pares. Ou talvez nem tivesse sido convidado, digo eu que não estava lá nem nunca me passaria pela cabeça que naquela casa houvesse lugar a secretismos do tipo dessas lojas que obrigam os seus serviçais a usar avental. E continuo a espremer e nada. Bem, houve um moço que creio chamar-se Adão que disse uma coisas que eu ia percebendo. O rapaz não é nada tolo, não senhor. E fico-me por aqui na esperança que o Gustavo Sampaio me explique por palavras suas o que é que aquilo do financiamento dos partidos quer dizer. Isto se ele resolver escrever mais um livro de escacha o pessegueiro.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

