Quando mudei de canal para assistir ao Prós e Contras, já tinha intervindo o senhor do PSD, uma pessoa forte que estou habituado a ver na televisão a defender coisas muito aproximadas do antigamente tradicional. Com as intervenções que se seguiram acabei por retirar o retrato possível do seu discurso. Quem falava na altura em que pus os olhos no programa da dona Fátima era um senhor deputado socialista que conheço desde o tempo em que a política começou a criar emprego seguro. Ou seja, desde que alguns oficiais se zangaram com o regime que lhes pagava muito mal e que dava pelo nome de Estado Novo. Esta zanga permitiu recriar um outro que tomou para si vários nomes. A saber: comunista, socialista, PPD (uma tentativa de copiar coisas da Suécia social-democrata) e democrata-cristão. Para além destas designações surgiram dezenas de outras fações políticas que não tiveram expressão umas vezes porque o povo não lhes passou voto outras porque foram perseguidos por uns sacanas sem lei patrocinados por traficantes ideológicos que empunhavam armas das Forças Armadas (mais tarde recuperadas). O que ele disse e se o disse eu não entendi senão 10%. Numa linguagem erudita de socialista de camarote imperial referiu-se a aspetos refinados que envolveram o veto presidencial aplicado sobre qualquer coisa que dá pelo nome financiamento de partidos. Penso que a seguir falou uma professora de Coimbra. Um verdadeiro espanto! Aquilo é que era saber. Claro, também falou para gente inteligentíssima que nanja eu , pois fiquei apagado dos neurónios. Ó senhores, parecia que estava a dar um aula de Constitucional! Mas, cuidado, pois o senhor socialista percebeu e até replicou quando a dona Fátima (que parece que o tempo também passa por ela) lhe deu a palavra. Também estavam na ara democrática dois purificadores da democracia: dois barbudos que também estão empregados na casa onde se supõe defender o povo dos polvos que nos vão embraçando. Um era comunista e o outro comunista mais à esquerda. Não sei se foram defender o financiamento dos partidos ou se estavam a favor do veto de Marcelo. Que têm uma lata capitalista lá isso têm. Deduzi que estavam também dispostos a colocar o mealheiro onde os outros o tinham já lá colocado. Também apareceu o protetor de alguns animais que cohabitando a mesma mastaba semicircular não dera pelas reuniões dos seus pares. Ou talvez nem tivesse sido convidado, digo eu que não estava lá nem nunca me passaria pela cabeça que naquela casa houvesse lugar a secretismos do tipo dessas lojas que obrigam os seus serviçais a usar avental. E continuo a espremer e nada. Bem, houve um moço que creio chamar-se Adão que disse uma coisas que eu ia percebendo. O rapaz não é nada tolo, não senhor. E fico-me por aqui na esperança que o Gustavo Sampaio me explique por palavras suas o que é que aquilo do financiamento dos partidos quer dizer. Isto se ele resolver escrever mais um livro de escacha o pessegueiro.
terça-feira, 9 de janeiro de 2018
sexta-feira, 5 de janeiro de 2018
Santana e Rio melhores que Vitor Gonçalves
Fiquei com a impressão que tanto Santana Lopes quanto Rui Rio não tinham a noção exata da importância do que representava o debate que a RTP1 e RTP3 lhes propôs e que ontem foi para o ar às 21 horas. Vitor Gonçalves que moderou (?) o encontro de senhores social-democratas não se apresentou no seu melhor nem deu a ideia de ter a lição estudada e preparada. Rio como economista falou de um modelo para gerir Portugal no futuro, enquanto Santana, desfasado, destreinado e desatualizado politicamente, remeteu-se a desmoralizar o seu adversário falando o interior do partido que ele com uma linguagem um tanto ou quanto fóssil designa de PPD/PSD. Tornou-se num queixinhas e Rio caiu na esparrela de Salão das Senhoras Sousas." Falas mal de mim por todo o lado!" Rio que não e ele choroso que sim. "Não devo nada a António Costa, nem ele a mim!" respondeu Rio quando Santana o quis colar a António Costa por falta de ataques do ex-grande-homem da Câmara do Porto ao atual primeiro-ministro. "Disseste que fiz trapalhadas! Diz quais foram?" Questionou Santana desgastado com a apreciação aos seus 5 meses de governação, feitas por Rio, há que anos? E Vitor Gonçalves, qual DJ, parecia estar com cara de quem está a pedir à régie para que levantasse o som à putativa valsa de Strauss que viajava no ar e que dá pelo nome de The Blue Danube. A coisa mais parecia um sarau na casa (Tragédia) da Rua das Flores, com um Dom João de Portugal sozinho a um canto fazendo contas mentais a fim de poder pagar a renda da casa que já se encontrava em falta há muito. Trapalhadas não deviam ser trazidas para o debate. Santana ao tempo que era primeiro-ministro de substituição caiu na esparrela de um Jorge Sampaio que conseguiu fazer-se eleger Presidente da República, coisa que espantou muita gente. Num momento de maior sobriedade Rio apresentou um plano abstrato para Portugal no futuro. Faseado, claro, senão confundir-se-ia com o plano PPC (Pedro Passos Coelho). Se é um economista e político candidato a futuro primeiro-ministro estava obrigado a explicar aos leigos as miudezas da sua futura ação política. Não saiu do plano das ideias gerais com medo que o eleitorado putativo escapasse. Quanto ao plano económico que ambos pretendem para Portugal sem grandes divergências, pareciam estar a copiar as palavras de Álvaro Cunhal quando logo após o 25 de Abril de 74 pedia para que se produzisse riqueza. Com as diferenças que respeitam aos interessados pois para Cunhal a riqueza era para distribuir pelos seus desfavorecidos enquanto que para Rio e Santana não é bem assim... A impressão que fiquei da atuação do candidato Santana Lopes é de que para ele há deveres. E é por dever - como homem público que é - que se recandidatou já velho, mas com o cabelo pintado de novo, a um cargo que dá muito trabalho e requer muito sacrifício pessoal. Para Santana só a Presidência da República encaixa com o seu perfil. Homem muito mais capaz do que, por exemplo, um J. Sampaio, porque tem estaleca e estilo. Quanto a Rui Rio? Bem, o homem tem fibra e uma vez eleito presidente do PSD há a contar com a limpeza que fará em nome das coisas claras. Porque, se chegar a primeiro-ministro há ainda a contar com o possível derrube da corja que vive em Lisboa e que tal como no tempo de dom João V mama(va) muito do rei através da Casa da Índia e outras excrecências. Penso também que este debate veio beneficiar e muito Assunção Cristas e, claro está, ao dr. António Costa. Quanto ao Bloco e ao PCP nada a temer pois são uma espécie de jarras da Dinastia Chin num salão onde não há elefantes nem notícias de os ver entrar pela porta dentro. Portugal aguarda melhores dias? Do que estes que estamos a viver? Penso que não, dado que com esta política já atingimos o teto e por não termos preparado o futuro próximo e que se apresenta escuso: vão aparecer faturas para pagar! Mais, vivemos num estádio psicológico longe do real tendo em conta certas verdades. O que se passa com a desgraça que está a transformar o Serviço Nacional de Saúde; o desencontro da Segurança Social com os mais desfavorecidos que se encontram espalhados e escondidos em bairros equiparados a bairros de lata por este país fora; o desfazamento da Lei de Bases do Sistema Educativo com o ritmo atual do crescimento económico não auguram nada de bom. Santana Lopes chamou a atenção para o facto de estarmos atolados de impostos o que não faz crescer nenhuma economia . Esqueceram os dois candidatos uma questão melindrosa que os governos camuflam: centenas de famílias com filhos crianças vivem em verdadeiros guetos. Como vivem escondidos não servem para censurar dirigentes. Quem beneficia de protagonismo são os sem-abrigos pois dão nas vistas. Convém calá-los para não ficarmos mal na fotografia. E assim - segundo promessas publicitárias - os seus problemas estão a ser resolvidos. As televisões seguem essa grande obra. É um louvar a deus e sua amantíssima esposa. Ou mãe consoante os casos. Dizem que os candidatos vão outra vez debater em frente-a-frente os seus pontos de vista. Espero que são seja um Vitor Gonçalves qualquer a moderar que é para ver se eles se engalfinham e soltem as amarras.
PS: Por que razão o jornalista Gonçalves não colocou aos seus convidados a questão da Misericórdia de Lisboa e o seu possível envolvimento com um banco que parece não estar muito saudável? Com tanta família com filhos pequenos a viverem em pardieiros e a estarem pior instalados que os hóspedes do Jardim Zoológico, qual a razão de não os socorrer imediatamente? Quais são as verbas que a Santa Casa de Lisboa paga em publicidade à RTP?
segunda-feira, 4 de dezembro de 2017
Rui Rio finalmente mais do que simpático
Um Rui Rio esclarecedor e honesto (o quanto se pode ser em política) foi entrevistado, hoje, por Ana Lourenço, uma jornalista de referência e qualidade que permite aos seus entrevistados apresentarem-se sem estarem sujeitos a alfinetadas, processo muito utilizado por colegas seus. Rui Rio mostrou-se pedagógico quando resolveu apresentar o PSD que ele quer colocar, melhor, recolocar nos "tempos modernos"; um Estado reestruturado pelo perfilhar de um novo 25 de abril, mas sem armas. Isto é, uma revolução de diretorias; um 25 de abril administrativo. Envolver a população no projeto é uma ideia arrojada sem motivar um povo que sempre esteve a leste dos seus desígnios. Pode ser que resulte! Começar por "limpar" o partido é uma opção perigosa dado que há carcaças muito pesadas e que por isso custa muito removê-as. Não pode - segundo ele - reformar-se o Estado a partir de apenas uma fação partidária. São precisos dois terços da Nação representada para mudar as ratoeiras que o tempo armadilhou aos ideais de abril. O que Rui Rio disse não é novo nele e em outros, o que é novo foi o modo e a alma com que o disse. Um homem de fé! O que ele transmite nesta "campanha intramuros" é o modo seguro e sincero como se expressa. É genuíno. É novidade no discurso político a que nos habituaram os candidatos desta democracia que em seu entender está desajustada. Vive longe do povo. Dentro do partido ele quer "acabar com os fiados" que oitenta por cento dos seus militantes ostentam. Só vota quem tiver as cotas pagas. É um risco, pois nessa esfera de devedores muitos poderão não alinhar com esse putativo ostracismo e vingar-se votando no outro adversário. Entenda-se bem que não será um impulsionador do tipo de Santana Lopes quem irá levantar os ânimos da tribo dos social-democratas. Santana já teve o seu tempo de condutor: Vai precisar de reciclar-se e enfrentar o pessoal das câmaras além Lisboa que Rio conquistou ou estão à vez para serem conquistadas. Do discurso nortenho incómodo para alguns social-democratas estatizados, Rio passou para o discurso do entendimento. Rio deu a perceber que não vai ser canja para os adversários da esquerda porque ele quer clarificações entre direita e esquerda. Não é homem de confusões. Se ficar "cá por baixo" mais tempo, aquela imagem de edil do norte com que o quis apresentar certa comunicação social, já era. Esta entrevista de Rio veio alterar em muito a maneira como o víamos. Bem bom, que isto estava muito mortinho.
quinta-feira, 16 de novembro de 2017
segunda-feira, 13 de novembro de 2017
Dizem que há um general na prisão e outras coisas do Portugal Louco
As notícias sobre a prisão de um general das Forças Armadas, as jantaradas no Panteão, as reportagens sobre espancamentos inclusive a de agentes policiais e as de elementos da Guarda Nacional Republicana, a invasão da bactéria Legionella, a violência à porta de estabelecimentos de diversão nocturna são - como se costuma dizer - o que está a dar.
a)
A situação do general é algo assombroso. Não há notícia - que eu saiba - que até hoje se tivesse aplicado a medida de prisão preventiva a um oficial general das Forças Armadas pela simples acusação de corrupção. E digo simples porque se trata de coisas de caserna relativas a "comes e bebes". As Forças Armadas estão a ser constantemente feridas de morte após o 25 de Abril e isso nota-se pela descaracterização a que estão sujeitas através da ação dos que têm dirigido a política nacional. Temos militares em todos os palcos de guerra deste planeta enquanto cá dentro "não servem para nada". Acabada a Guerra Colonial ei-las a fazer cobertura a provocações levadas a cabo pelas América e Inglaterra a povos cujo crime é possuir petróleo. Não teria havido no Código Penal uma saída, isto é, uma interpretação como a de acusação aguardando julgamento em liberdade? Não é assim que a Justiça Democrática costuma interpretar a Constituição em casos que não oferecem perigosidade e perturbação social? O último "estripador" de polícias que perturba pacíficos cidadãos depois de ter espancado pela quinta vez agentes policiais foi levado à Justiça Portuguesa tendo ficado a aguardar julgamento em liberdade. Imaginemos que a Justiça Portuguesa aplicava a prisão preventiva a um bispo da nossa Igreja Católica por ter utilizado canais ilegais para transportar para Roma dinheiro à revelia da Autoridade Tributária? Não me parece que houvesse um Juiz de Instrução que não lesse o código senão pela ranhura do "aguarda julgamento em liberdade". As beatas e Nossa Senhora de Fátima, grande angariadora de fundos, de certo não gostariam, o que poderia ser interpretado como perturbação social...
b)
As jantaradas no Panteão são uma norma. Além de estarem autorizadas as festas naquele recinto por despacho de Ministério ou Secretaria de Estado de Cultura são uma maneira de realizar algum (capital). No Panteão encontram-se os ossos de portugueses que se distinguiram em diversas atividades como por exemplo, desporto, música, poesia, descobertas marítimas, política, etc. Houve quem só agora se apercebesse do despautério que era comes e bebes acompanhados pelas charangas convidadas para o efeito ao lado dos que depois de desaparecer "se foram da lei da morte libertando" . Vejamos o seguinte: quantas pessoas tem em suas casas as cinzas dos seus antepassados? Muitas! No entanto, não deixam de comer, beber, fornicar, fazer a barba, etc. É tudo uma questão de estômago e de sensibilidade. Qual era o problema de estarmos num banquete e termos a uns metros de distância os ossos de Vasco da Gama? Ossos antigos... No entanto, no Panteão, estão pessoas que ainda há pouco tempo ouvimos e aplaudimos. Aqui é que a coisa pode ferir suscetibilidades. Há que respeitar! Por isso, depois deste levante todo, há que salvaguardar certos espaços para negócios. Não há é pachorra para ficarmos mais um mês ou dois a ouvir gemer constantemente pelo leite derramado. Safa!
c)
Os espancamentos na via pública vão obrigar a que meia dúzia de políticos intervenham a quente, o que dará origem a alterações da lei. Não dá para prender - como estão a pedir alguns inconscientes - os que se "defendam" fisicamente de agentes de autoridade. E isto porque poderá atribuir às Forças Policiais um poder quase absoluto, pois bastaria uma simples acusação para que fossem para a cadeia a aguardar julgamento aqueles que os polícias indicassem. Num Estado de Direito as polícias devem estar preparadas para a prevenção e não para a repressão. Para isso é necessário mudar os treinos a que estão sujeitos os agentes. Desarmar um agressor e manietá-lo é obrigação de um agente bem preparado. Ver polícias a jogar ao boxe na via pública com energúmenos, bem, só em Portugal.
d)
Invasão de bactérias: Não passa pela cabeça de ninguém que enquanto se está a combater este flagelo epidémico que mata os mais fragilizados esteja uma caterva de idiotas, com tempo de antena, a fazer acusações sem credibilidade que só servem para criar um clima de medo generalizado. Até o ministro da tutela dos hospitais de tão apertado pelas más línguas veio pedir desculpa. Desculpa de quê? Há fogo! Demita-se a ministra. Há Legionella em Vila Franca de Xira! Demita-se o ministro do Ambiente (no caso Jorge Moreira da Silva-2014). Há Legionella no Hospital de São Francisco! Demita-se o ministro da Saúde. Quer dizer, os ministros estão sujeitos a serem demitidos consoante se as bactérias preferem este ou aquele pedaço de terra. Mas que pedaço!
e)
Há zonas de Lisboa em certas horas que não convém atravessar ou pensar ficar lá um tempinho. Há gente violenta pronta a espancar por dá cá aquela palha. Não há morro em Lisboa como os há no Rio de Janeiro onde quem manda é marginal, mas há planície onde se mata impunemente. O jovem açoriano que desapareceu à porta de um estabelecimento de diversão nocturna, há um ano, leva-nos a pensar em vingadores da noite. O Estado não está ainda capaz de dar resposta a uma violência generalizada e constante. As várias instituições do Estado estão numa do cada um por si. Peço desculpa ou demito-me! É o que está a dar...
domingo, 5 de novembro de 2017
O que aconteceria se os jornalistas resolvessem fazer greve indeterminada?
Sem hipótese de usar os Meios de Comunicação Social que papel estaria reservado às instituições? Afogar-se-iam? Criariam meios próprios...
XXX
Não é fácil imaginar o que seria. A informação circularia, quando muito, através das redes sociais. As investigações judiciais/policiais e as sentenças dos tribunais, por exemplo, estariam abafadas até que os novos "rede-jornalistas" conseguissem publicar os esclarecimentos das "autoridades". Este tipo de jornalismo atafulharia e entupiria os novos canais de informação, porque haveria mais destes "videojornalistas" por metro quadrado que ovas de esturjão do Mar Negro. O desinteresse instalar-se-ia. Sem videos da violência quotidiana (que é o que mais vende) a informação cairia no desinteresse geral. Sem um jornalismo "condicionado" pelas redações afetas a este ou aquele grupo económico e político desapareceriam os comentadores. Sem relatos de futebol que empolam os mitos humanos lá se iam os milhões que circulam pelos futebóis. As atuais estrelas do desporto valeriam meia dose de pó de anjo quando muito. Os políticos teriam de descer permanentemente à rua para falarem cara a cara com aqueles a quem mentem nos actos eleitorais para se manter nos seus "empregos". Caso contrário cairiam no anonimato. Sem intermediários qualificados ideologicamente como são os jornalistas de hoje, a moda retornaria para as mãos dos alfaiates e costureiras desconhecidas. As modelos rebolantes que ficam famosas a transportar trapos e cedas ficariam tão isoladas do social que para sobreviver teriam de fazer horas extras fora das passadeiras. Os párocos do púlpito e a mando dos seus bispos restaurariam o poder de programar mentes servíveis do alto. O acto sexual regrediria na prática aos primórdios e as mulheres perderiam o ar atual de satisfação que conquistaram à custa do remeter as leis da Bíblia para o calhau dos bikinis. A Felicia Cabrita serviria hambúrgeres nos intervalos da sua atividade de caçadora de cabeças poderosas. Os paparazzi morreriam de fome e a apanha de um rabo de fora de fêmea-figura-pública não valeria mais do que uma vela de oráculo da Cova de Iria. O "sexta às 9" e a nossa Sandra Felgueiras nunca mais mexiam na caixa de Pandora. Sem jornalistas para interpretar a realidade, seríamos incapazes de pensar. Não haveria factos e sem factos o cérebro vegeta. Sem jornalismo a DECO passaria a bater de porta em porta à procura de queixas domésticas. Sem jornalistas as polícias nem um camundongo apanhariam de dia. Sem jornalistas que fazem parte do trabalho policial os agentes teriam de vir para a rua (o que não era mau) e não estariam refastelados à espera de queixas e de telefonemas aflitivos. Sem jornalistas o INEM não passaria de um carro funerário. Sem jornalistas a floresta nunca arderia mais do que 6 hectares. Sem jornalistas ninguém seria preso por corrupção nem o BES e outros bancos implodiriam. Sem jornalistas nunca teríamos assistido a prisões em direto de políticos ordenadas por magistrados mediáticos nem teríamos acompanhado também em direto à prisão de um deputado enquanto "trabalhava" na Assembleia da República. Sem jornalistas (Gustavo Sampaio, verbi gratia) nunca ficaríamos a saber que o Parlamento Português acoita um grupo de corruptos que fez perder milhões de euros ao Estado em contratos criminosos. Sem jornalistas não sairíamos da Idade da Pedra. Sem jornalistas não teriam desaparecido armas dos quartéis. Sem jornalistas alguns inocentes apodreceriam nas cadeias. Sem jornalistas nunca saberíamos onde se encontraria o nosso querido e beijocas Presidente. Sem jornalistas nunca saberíamos que quem manda nos preços da energia são uns capangas que até acagaçam os governos. Sem os jornalistas nunca saberíamos quem esconde dinheiro nas offshores e foge aos impostos. Sem jornalistas nunca nos passaria pela cabeça que há uma justiça para pobres e outra para ricos. Sem jornalistas a sociedade é uma caca. O videojornalismo, hoje, alimenta em grande parte o jornalismo que se vende pelas estações televisivas porém não se trata de um jornalismo propriamente dito que investigue. É fruto do acaso. Sem jornalismo tudo ficaria isolado. Os jornalistas ainda não perceberam o que representam nem o poder que têm na sociedade moderna. Quando um dia se separarem das instituições - que ainda por cima não os respeitam - uma nova filosofia de vida formará novas mentalidades. É o futuro!
sexta-feira, 27 de outubro de 2017
Independências e nervos
É sabido, menos para os "historiadores" portugueses assalariados a todos os regimes que alcançam o poder, que hoje somos um país independente (o quanto possível) devido às constantes intromissões de Inglaterra nas disputas que tínhamos com Castela. Aquela procedia assim para nos dominar economicamente e enfraquecer o poder espanhol. Filipa de Lencastre veio para Portugal no século XIV como esposa real de um usurpador de trono e como orientadora da política indígena o que fez com que nos atirássemos mar adentro. Nós, que não passávamos de camponeses-pescadores dominados por meia dúzia de cavaleiros, fomos, de um momento para o outro, metidos em navios com mercenários ingleses para ajudar a assaltar as riquezas e praças muçulmanas do Norte de África. Começou com as instruções daquela Bifa - a mando de Inglaterra - o êxodo das populações para o litoral o que fez ainda mais despovoar Portugal. Quando Castela se transformou na maior potência do mundo, tornámos a ser hispanizados de facto e de direito. Ao cabo de 60 anos de inclusão ibérica, França e Inglaterra, aliadas, conseguiram sujeitar Castela a grandes perdas e voltámos de novo a ser "independentes". Para isso foi só preciso atirar um desgraçado por uma janela. Foi a Restauração mais barata do mundo. Muito mais barata do que aquela que recolocou a direita no poder no Chile. É de lembrar que Salvador Allende enfrentou o exército de Pinochet com o rifle AK-47 nas mãos (julgo eu que não estava lá). Morreu, claro, pois estava praticamente sozinho no seu gabinete. Porém, não foi atirado pela varanda do palácio de La Moneda como o pobre Miguel de Vasconcellos o foi do Paço Real de Lisboa. Valha-nos ao menos isso. Claro que os reis castelhanos não se ficaram por aqui e procuraram recuperar o perdido. Porém, não conseguiram porque encontraram sempre ingleses pelo caminho. Mais tarde, quando os ingleses empurraram a Rainha Dona Maria I, acompanhada de seu filho, o futuro dom João VI, para o Brasil, quem acham que ficou a mandar em Portugal em termos absolutos? Isso mesmo, os ingleses! Imaginem que até nomearam vice-rei de Portugal o inglês Beresford. Quando se fala nas fortificações das Linhas de Torres que serviram para assustar os franceses (como diz Barry Hatton) na Guerra Peninsular, quem acham que as mandou construir? Sir Arthur Wellesley, claro! Portugal sempre foi uma espécie de cloaca aberta para todo o serviço britânico. Apesar de termos sido durante muitos anos uma colónia inglesa, o certo é que nós sempre os papámos. Querem mandar em nós, tipo escurinhos alforriados?, tudo bem! Trabalhem enquanto nós estamos deitadinhos nas nossas praias e/ou a dormir nas pampas do Alentejo, à sombra, claro! O nosso ouro desenvolveu a indústria inglesa? É verdade! Só que o ouro era por nós roubado e nada nos custava. Isto é, caçávamos escravos, pusemos os desgraçados a garimpar o ouro de que nos apropriávamos depois e que nos serviu para comprar tudo o que a indústria inglesa produzia. Era cá um luxo. E a gente a descansar. Tivemos um rei que ficou cheio de ouro e que até mandou construir uma pirâmide tipo das do Egito . Foi em Mafra. Aquilo é que foi. Era tudo lucro! Fomos os maiores negociantes de escravos do mundo. Vendemos qualquer coisa como uns 4 milhões de seres humanos para serem esfolados nos engenhos do Novo Mundo . Quando a Inglaterra acabou com o mercado de escravos e nos obrigou a fazer o mesmo, nós inventámos um esquema para continuar a chupar a pobre gente de África. Querem saber como? Olhem, perguntem a Miguel Sousa Tavares. Aquela de o escravo africano comer a inglesa quase no fim do romance pondo os cornos (cuidado com o juiz Neto Moura) ao marido e ao amante branco foi de gritos. Eu não esperava tal desfecho! Já tinha ficado satisfeito com a inglesa a fornicar com o governador português... Isto são apartes... Esta coisa de independências deixa-me nervoso. Agora falando a sério, será que somos realmente independentes de Espanha depois de nos termos libertado do jugo inglês? Já não temos fronteiras com ela. Podemos comprar lá de tudo pois qualquer coisa é sempre mais barata do que aquela que encontramos por cá. Mais dia menos dia o nosso sagrado Serviço Nacional de Saúde - que já matou perto de 3.000 portugueses em filas de espera - vai ser entregue aos nossos hermanos por ser mais barato e eficaz. Morre-se muito nas listas de espera quase tanto quanto se morre nos nossos hospitais. Não estou a sugerir nem a afirmar, estou a ouvir apenas algumas conversas... Não dá para avançar mais, pois a procissão ainda vai no adro... Claro que não queremos ser espanhóis. O que queremos de Espanha é o mesmo que quisemos dos ingleses, que o mesmo é dizer resolvam os nossos maiores problemas que a gente não se importa que mandem em nós. A independência da Catalunha? Pois, mas para isso tenho de consultar o modelo de dom Pedro IV, o dos gritos do Ipiranga. Se Sua Alteza Real não tivesse berrado tanto nas bordas daquele rio, penso que ainda hoje estaríamos a vender o Brasil aos poucos. Isto é, como já se foram o ouro, a prata, o pau preto, os diamantes, as pedras preciosas, etc. não me admiraria nada que estivéssemos a vender a terra de cultivo em vasos lá para os lados dos Jerónimos... Com vasos "manufactured in England", obviamente. Quem é que ao longo dos anos quis tornar Portugal independente de Castela e subjugado de Inglaterra? Que classe social tinha interesse nesta separação? E a Catalunha? A Catalunha é rica porque se desenvolveu por si. É apetitosa, portanto. São dois mundos. Um quer ligar-se aos ricos e o outro quer ser rico sozinho. Ia esquecendo a questão nação. Vem complicar ainda mais qualquer interpretação para ajudar quem não quer ceder autonomias a outrem. Eu sou uma nação e quero ser independente! Será que posso? Depende! Não é nada comigo e eu estou a ficar nervoso. 4 anos antes de eu ter nascido a Espanha vivia uma guerra civil que fez cerca de 1 milhão de vítimas mortais. Foi uma coisa horrível. Digo eu que não estive lá. Existem independências pacíficas? Não me parece... Por que razão não escrevi um texto com cabeça? A Guerra Civil de Espanha não tem nada a ver com independências mas sim com troca de ideias. E nós? Brigamos por causa delas? Não, porque isso de pensar é lá com os ingleses.
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