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quarta-feira, 19 de maio de 2010

A ACTUAL COLIGAÇÃO DE CONSCIÊNCIA GOVERNAMENTAL





Com as actuais medidas de compromisso entre o PS e o PSD Portugal estende o crédito. Melhor dizendo: lá fora disseram "Aqui vai mais dinheiro para pagarem o juro do juro da vossa eterna dívida". Respiraram de alívio aqueles que nos governam - governaram mal. Sócrates mantém-se como primeiro-ministro por cumplicidade de Passos Coelho. Não se percebe por que razão o PSD o reconhece e não actua neste sentido. Isto é, não apresenta um Moção de Censura que leve à queda do governo e consequentemente à convocação de eleições, já que se diz alternativa de governo. Com este aparelhamento entre social-democratas e socialistas o que temos é um grupo maioritário que ocupando lugares nas estruturas do Estado as não quer deixar. Compreende-se mas tal não podemos aceitar porque longe de uma perspectiva solucional o que se pretende é alongar a indefinição de medidas capazes e rigorosas. Este Estado está nas mãos de negociantes e todos nós sabemos como actuam. O interesse dessa gente fica a milhas do interesse da população. Tanto um como o outro - os cúmplices - não estão sozinhos. O CDS esteve coligado há tempos e também tem culpas no cartório. A esquerda composta pelo BE e pelo PCP não está capacitada para governar em alternativa na actual circunstância. Até porque o eleitorado não está para eles virado. O cenário manter-se-á até que os fundos e a credebilidade do Estado estoire. Está malta está metida numa alhada. A nossa economia - e isso já vem do longo passado - não tem meios ao seu alcance para dar a volta. Já algumas cabeças pensantes e preocupadas com o andar da carruagem permitiram indicar outros caminhos. Claro, deram azo ao riso alarve dos comerciantes que nos governam. Temos de voltar à terra que é uma das nossas maiores riquezas. Temos tanto mar para fazermos turismo quando o que dele precisamos é o que ele fornece. Os basbaques que se riram com esta visão são os mesmos que enriquecem importando de tudo que a terra dos outros produz. Eu já comprei alhos da China!!!! Quando vier a fome, a gente fala. Finalmente uma palavra para Cavaco Silva, pois não merece mais: tenalina.

manuelmelobento

segunda-feira, 17 de maio de 2010

COMO SE PREPARAM AS REVOLTAS MILITARES EM PORTUGAL







Em 1926 uma coluna militar histérica desceu do Norte do país. Parou aqui e ali para comer, beber e defecar. Meio a dormir e a calambear chegou a Lisboa. Acabou-se a rebaldaria. Analisemos com calma anárquica - também tenho direito - o que se passou. Palavra-chave: cacau (dinheiro, erva, pilim, serrilhas, etc.). Faltou dinheiro para pagar o soldo aos militares. Também faltou para outros, porém, como não tinham armas apenas lhes restava berrar. Em Lisboa, foram acolhidos por outros militares com ordenados em atraso com gritos de vitória. Os militares só pensam num sentido e não fazem ideia de como se dirige um país economicamente. Há excepções, por exemplo, os militares do 25 de Abril (para rir). Como é? Há que chamar gente que perceba da poda e que faça o melhor para nós (militares, claro). Que obedeça! Que planeie! Pois a Pátria está em perigo. Por tentativa e erro chegaram à escolha de um professor de Coimbra que tinha sido bom aluno e que sabia poupar. Ei-lo: António de Oliveira Salazar (Salazar pela parte da mãe). Em nove meses, repito, nove meses reorganizou as Finanças Públicas. Milagre? Evidente! Aumentou os impostos, promoveu despedimentos, conteve as despesas públicas, promoveu o analfabetismo fechando escolas, entregou a exploração da riqueza nacional a monopolistas, permitiu a escravatura doméstica, esqueceu a importância da Saúde Pública transformando os hospitais em casas funerárias para os pobres, colocou nas mãos dos privados as fontes de energia, as águas, os transportes, calou a oposição com a criação da censura e para a fiscalizar recriou a inquisição como força paramilitar - a PIDE - limitando a corrupção aos seus apoiantes, despediu das repartições do Estado todos os que se lhe opunham, refez as prisões para estes, formou ideólogos baratos com a criação das Escolas do Magistério Primário destruindo as Escolas Superiores, aliou-se com a Igreja de Roma assinando uma Concordata que a colocava a par do Estado (a Igreja casava os cidadãos, perseguia e ostracisava com a sua falsa moral todos aqueles que com ela não alinhavam, fazia dos padres bufos políticos), obrigava os professores a denunciarem os alunos e colegas acerca de actividades suspeitas (as denuncias eram enviadas em papel timbrado ), fomentou a denuncia criando um corpo com milhares bufos, controlou o teatro popular e o outro... Bem, com estas medidas sossegou os militares, os tais que tinham as armas, permitindo-lhes o antigo fulgor e estatuto perdidos (éramos uma sociedade civil, mas em cada esquina tínhamos um governador civil acolitado por um governador militar. No tempo de paz, note-se), permitiu que se criassem - num modelo civil e politicamente acompanhadas conferências do tipo São Vicente de Paula para controlar a pobreza na base da caridade. Criou a Mocidade Portuguesa e a Legião Portuguesa a par da Legião de Maria. Permitiu o aparecimento de um milhão de filhos ilegítimos pois quem se casasse pela Igreja não se podia separar. O Papado não permitia que quando ligasse homem e mulher estes se separassem. Deus tínha-lhes fornecido essa lei e outras tais como perseguir todos os que tivessem orientação sexual diferente. Mandava prender quem fosse homossexual. Esta foi a sociedade perfeita com que vivi anos e anos.

Estendi-me ao comprido, pois comecei a escrever como os cronistas e não parei quando devia. Vou fazê-lo. Acontece que os militares de hoje não têm a liberdade de fazerem revoltas assim como quem vai ao Dafundo tomar café. Os militares estão reduzidos a uma elite bem paga mas controlada por forças que estão muito melhor preparadas para debelar qualquer cheirinho a revolta. As forças policiais especiais em sete minutos arrumam-nos. As chefias militares já não têm os soldadinhos à sua disposição para fazerem jogos de guerra. Os militares têm também forças especiais, mas estas estão descaracterizadas. Os políticos de hoje aprenderam com os erros do passado e estão atentos. A estes só lhes cabe fornecer boas condições às forças que os apoiam. Também sabem que quando lhes faltar o pilim cai qualquer forma de governo. Hipoteticamente só uma subvelação total popular pode dar origem a uma alteração de regime. Contudo, o governo Sócrates tudo tem feito para reduzir a despesa pública com o fito de manter alimentados os que possivelmente o retirariam num ápice do poder (copia-se descaradamente o modelo salazarista). O que está hoje em causa nada tem a ver com o bem estar das populações em geral. O que está a afectar os grandes grupos é que se tornou na grande preocupação dos dirigentes que a eles estão adstritos. O sonho da fuga à pobreza acabou. A realidade está aí a bater-nos à porta. E não há como fugir-lhe.

manuelmelobento

quinta-feira, 13 de maio de 2010

O DICASTÉRIO DA IMBECILIDADE NACIONAL








Duas coisas me impressionaram muito nestes últimos tempos: o sorriso aberto (muito bem treinado) de José Sócrates e a intervenção do prof. Marcelo acerca de assuntos relacionados com o Papado. Já o facto de ligar a televisão e assistir em todos os canais - quer privados quer os outros supostamente pertencentes ao Estado - aos rituais da Igreja de Roma um misto de uma Cultura Clássica greco-latina com os bailados dos sacerdotes egípcios não mexe comigo. Vamos, pois ao sorriso do engenheiro. Senhor engenheiro, num país de basbaques exprimir um rosto sério não traz votos. O senhor sustém-se com estes. Pornograficando a cena diria que o senhor tal como o velho ditador de Santa Comba Dão fode o cu dos portugas e ainda se ri. E os trouxas gostam. Com, as devidas distâncias, Salazar não ria. Excepto, claro, quando se envolvia com mulheres em segredo e mesmo assim não confirmo. O senhor engenheiro poder-se-ia ter guindado a um papel histórico como estadista. Pensei que fosse mais inteligente. Explico. Não seria preferível que o senhor explicasse aos portugueses como é que a nossa vida está e como se prevê vir a ser pior? O prof. Medina Carreira das poucas coisas com tarelo e substância que diz é que é preciso falar verdade. Não só era uma atitude pedagógica como nos iria envolver a todos nos negócios do Estado contribuindo para uma maior consciencialização das questões importantes e que ficam sempre fora do alcance da maioria. O senhor veio com a treta de ir buscar uns trocos aos políticos e a alguns gestores para a ralé ficar contente e para logo em seguida nos ir ao cu aumentando os impostos e o preço dos produtos essenciais. O senhor mais dia menos dia vai para a rua. Por que razão não trata os assuntos do Estado com elevação? Por que razão não nos respeita? Fale claro, porra! Diga o que vai fazer para estancar o descalabro onde estamos para podermos contar com as intempéries preventivamente. O seu governo num dia diz uma coisa para logo no dia seguinte dizer precisamente o contrário. Eh pá, o senhor é um mentiroso! Foda-nos, mas vá rir para o Calhau das Senhoras.

II Parte: o prof. Marcelo e os intelectuais

Fui para a rua e dei início a um inquérito: Diga-me por favor que pessoas reconhece como intelectuais no nosso país? Das vinte e três pessoas inquiridas dezassete referiram o nome do prof. Marcelo. Muito bem é parte da opinião pública. Considero, mas não respeito. Na sua última intervenção televisiva a que assisti ouvi dele o seguinte. A eleição do Papa é influenciada pelo Divino Espírito Santo. Para um homem que dispõe de um share - ou coisa que o valha - altíssimo, quando fala nas estações de têvê, nada mau. Estamos bem entregues. Um dos que deve ter sido inspirado pelo Espírito Santo deve ter sido o Papa Leão X, tornado Cardeal aos treze anos de idade... O prof. Marcelo representa o Portugal culto dos nossos dias. Ele, a Laurentina Alves, a Isabel Stillwell, a dona Maria Barroso, o prof. das Neves,... continua daqui a pouco.

... Quem viveu no século passado e sob a ditadura de Salazar sabe o quanto a Igreja valia no dia a dia dos portugeses. O paganismo imposto quer pela ditadura política quer o da Igreja Católica tinha foros que ultrapassavam o bom senso. Toda a minha gente alinhava com as baboseiras apregoadas e que mais tarde se tornavam verdades do regime. Quem tivesse o desplante de questionar o Milagre de Fátima era considerado suspeito de tudo e mais qualquer coisa. As igrejas estavam repletas de estátuas a quem o povo prestava idolatria, mas que no dizer dos sacerdotes não o era pois aquilo eram imagens. Estas sim, podiam ser adoradas. Olha para aqueles olhos sofridos de Nossa Senhora. Como ela sofre por nós. A Quaresma era um grande drama, pois "festejava-se" a morte de um judeu que ressussitara ao terceiro dia. Chorava-se a morte de Jesus sabendo que o mesmo não estava morto. O mesmo judeu que fora considerado até ao século IV filho de Deus, passa a Deus por inspiração de um monarca do Oriente. A moda pegou e acabou por alastrar-se para o Ocidente. De homem passou a Deus. Os Romanos e os Gregos também divinisaram o humano e humanizavam o divino. O mesmo fizeram os seguidores de Cristo. E não contentes com a cópia ainda foram mais longe no requinte. Arranjaram um Deus que se ponha numa virgem, casada ainda por cima, e dessa união de facto nasceu um homem que sendo homem também era Deus. Esta história contada durante a longa noite medieval acabou por assentar arraiais nas mentalidades. Os chefes políticos aproveitam da insuficiência mental das gentes e deixam que a mentira se alastre e contamine as pessoas. Julgam que com isso melhor as controlam. Até certo ponto é verdade. Mas como tudo tem um fim. Só não sabemos é quando chega. Depois de trinta e seis anos de uma pequena revolta que terminou com uma ditadura e que deu origem a uma democracia assistir a actos de paganismo ao mais alto grau mediatizados é triste. Cúmplices? Sim este governo e os outros que o antecederam na feitura desta marosca. Desta tragédia que afecta as mentalidades e dá força ao reaccionarismo que espreita. Tudo isto se deve aos governos pseudamente democráticos que permitiram que uma instituição vocacionada para o mito se implantasse com tanta força que até chega a substituir o Estado naquilo que ele tem de mais fundamental: proporcionar o bem estar físico e psiclógico dos cidadãos. O que aconteceu com a vinda de Bento XVI a Portugal só ofende a alguns poucos. A outros não, pudera a pia é grande e por ser grande não faltarão suínos.

manuelmelobento

segunda-feira, 10 de maio de 2010

BENFICA-TE PÁ!

O meu amigo José Júlio Machado vive nos EUA. Telefonei-lhe para o informar(?) que o Benfica era de novo campeão. Não estava em casa. Debitei uma lenga-lenga para o gravador de voz. Em Ponta Delgada, no tempo do liceu, era ele guarda-redes da formação pró Sporting enquanto eu pertencia à do Benfica. Esgatanhávamo-nos para vencer. E depois de cada jogo discutíamos as faltas cometidas e não assinaladas e as grandes jogadas que cada um aumentava conforme a imaginação. Não tínhamos televisão. O futebol chegava-nos através da rádio e lá de vez em quando em algum documentário que visionávamos nos cinemas a anteceder o filme sem hipóteses de escolha nas matinés de domingo. Não sei porquê, mas o Benfica está-me na pele. Que diabo, quando o meu clube perde fico danado. Muito mais de quando tenho de pagar impostos. Ora bolas! Gánhamos o campeonato! O Benfica tirou-me um peso enorme de cima. Não, não vou fazer psicanálise para saber a correspondência do fenómeno com a minha vida privada. O que eu queria era mesmo ouvir a voz do José Júlio e imaginar a cara dele ao responder às "provocações" dos campeões. Sim, porque não foi só o Benfica que ganhou. Eu também ganhei. E, por fim, para o ver ainda mais danado ia dizer-lhe: benfica-te pá, que é o que está a dar. Este verbo ainda não existe. Mas, para lá vamos. Tenho a impressão que é tudo o que nos resta do passado a caminho do futuro. Deste futuro que está aí nada colorido.
manuelmelobento

sábado, 8 de maio de 2010

SUA SANTIDADE E A MERDA






Batia o ano de 1967. Estava calor. Não fui trabalhar - como de costume - pois fazia levantamentos topográficos para o Instituto Geográfico na Cova da Iria e montanhas de gente acorrera ao sítio onde uma jovem pastora histérica dizia ter visto uma modelo vestida de branco em cima de uma árvore. A multidão aglomerava-se gemendo e gritando porque um homem de branco - o senhor Papa - vinha pisar o chão tornado agora sagrado . Disse a pastora que a senhora de branco era Nossa Senhora e que lhe tinha ordenado para rezar pela Rússia vermelha. Mais, lhe entregara uma carta contendo mistérios. Bem, já agora, também quero ver o Papa. Um magote de freiras - nunca comi nenhuma, nem mesmo depois do 25 de Abril , também não sou Dom João V - guardava lugar à beira da estrada com o mesmo fito. Aproximei-me por detrás delas e esperei. Vem ali o Papa, alguém gritou. De repente, fiquei entre as freiras e um grosso de peregrinos entusiasmados que fizeram de mim uma espécie de paio numa sandes. Por sorte calhou-me uma freirinha novinha de todo. Senti-lhe as ancas coladas ao meu falo, perdão caralho e lá me entesei. Gostoso, muito gostoso. Nunca apreciei mulheres pintadas. Aquela estava limpa de tintas e corantes com que as mulheres se enfeitam para apanharem macho. Face rosada e para mais encostada à minha - ela talvez não quisesse, mas eu sim - e que cheirinho meu Santo Padre, tinha ela! Cheirava a juventude. Gritavam todos e ela também. Penso que olhou para mim. Naquela altura estava com 26 anos e não era nenhum Durão Barroso. Sem ser um Passos Coelho lá me ia safando. E bem! Atingi o orgasmo pela décima sétima encostadela - seria enrabadela se a freirinha estivesse de rabinho ao léu. Com as mãos verifiquei que se não tinha ceroulas devia estar reforçada com linho grosso. Estava ainda a sentir o molhado quente quando uma enorme ovação se elevou até ao alto da copa das oliveiras. Paulo VI estava a passar por nós. Olhei-o bem nos olhos e senti qualquer coisa. Tinha os olhos claros. A luz do Sol resplandecia nas sua face. Lembrei-me de São Paulo: "Porque me persegues?". Bem, naquela altura já eu tinha metido o Pai Natal e o Menino Jesus na gaveta do Mr. Darwin e cantigas dos templos já eram. Fiquei com a impressão de que ele - o representante de Cristo no Ocidente - me estava a condenar. Acabada a festa regressei a casa. Tinha tomado de renda uma habitação de pedra com quintal pertencente a um pastor das redondezas. Pois, o pior foi o que encontei no terreno. Era merda por todo o lado. Num instante pensei ser um castigo da divina aparecida, para logo no momento seguinte estar a fazer contas matemáticas sem ajuda do teodolito... pois, então não era. Um milhão de portugueses deslocara-se à terra milagrosa onde não havia uma única casa de banho pública. Logo, para defecarem, perdão cagarem qualquer palmo de terreno servia para se arranjarem. Nunca tinha visto tanta merda junta. Também cheguei a ver o prof. Salazar num carro Buik (?) americano, ia sentado no banco de trás a acenar ao bom povo. Retribuí o cumprimento generalizado de Sua Excelência, não fosse o Diabo tecê-las.

Bem, vem aí Bento XVI. Não vou vê-lo. Já não tenho idade para apertos e as freiras já não são tão frescas como no tempo da minha juventude. Para além de que me podia acontecer ser enrabado, pois com esta multidão de agora nunca fiando.

manuelmelobento

quarta-feira, 5 de maio de 2010

VICTOR MEIRELES, UM POETA QUE ENCONTROU NO ESPAÇO O SOLUÇO DE CRISTAL


Não foi um encontro fácil. Quando buscava um livro numa alta prateleira encontrei um envelope cheio de fotos. Uma foto do Victor Meireles e a reprodução de algumas das suas obras mais significativas juntavam-se coladas e húmidas. E o passado chegou sem ser convidado. Serão estas reproduções todas do Victor? Ah, já sei! Aglomerei-as com outras de Chagall. Tive de recorrer à internet para melhor as separar. Victor Meireles destaca-se por ser um pintor criativo cuja imaginação não se encontra apenas na pintura. Foi no século passado que ele nos presenteou com um dos seus mais significativos poemas da juventude: o seu "O Soluço de Cristal" foi lido num dos muitos encontros que nas noites cálidas dos verões das ilhas partilhámos. Quebrava-se a solidão e a distância falando de "coisas altas". Trocávamos livros. Nessa altura, encontrava-me longe de casa e nada mais quebrava a saudade do que o calor das palavras dos seus versos. Foi através do seu entusiamo que "conheci" Florbela Espanca por quem ele se interessa imenso. Tornei-me ledor e amante de poesia. Sem ela até a chuva é chuva.
Nestes tempos de vazio que teimam em ficar, voltar àquele passado e trazê-lo de volta só pode ser um sinal de bom gosto e de elevação mental. Modéstia à parte, e isso vê-se!
Paulo Rehouve

domingo, 2 de maio de 2010

CARVALHO DA SILVA E O ESTADO OPERÁRIO




A oportunidade surgiu como um gelado cobiçado por uma criança num Verão caloroso. Carvalho da Silva - um ex-operário à Lula da Silva - elabora um discurso de estado da Nação catapultando-se a figura de Estado. Os que este representam estão desmascarados. O Presidente desta República anda muito levezinho a percorrer o terreno para não levantar o pó que poderia ensombrar a sua recandidatura. Portugal fica em segundo plano. O primeiro-ministro José Sócrates é vaiado aqui e ali por estar a pagar políticas de duas caras. A Assembleia da República declaradamente já nada representa. Presentemente o grande problema que tem, fora armar-se em Inquisição, é se se deve pagar ou não as viagens de uma deputada socialista que vive fora do país e "trabalha" cá dentro. A fretista UGT cicia discursos indeterminados. Tanto a SIC quanto a TVI emparelharam com a fala de Carvalho da Silva transmintindo-o completamente. CS tira da cartola um discurso a falar para dentro do país . Não era um dirigente sindical que falava. Era um homem de Estado. Um homem a levar a sério. Sabe o que diz na sua área não fosse ele doutorado e homem de experiência feito. Este discurso traz água na boca. E digo-o porque o Partido Comunista ainda não apresentou o seu candidato. É tão óbvio que até já estou a vê-lo a dividir de facto a esquerda portuguesa, uma esquerda que tem coisas de direita, quando for "pronunciado" candidato à Presidência da República. E isto vê-se...

manuelmelobento